Chegando no restaurante, as crianças logo correram pra brincar no parquinho enorme que o restaurante possuía. Lucas pediu para que o garçom os levasse até a mesa que havia reservado para eles. O restaurante era lindo, e a mesa que Lucas havia reservado tinha uma vista linda para uma das belas praias do Rio. Du não conteve sua fascinação com a imagem diante dela.
— Já sabe o que pedir? — Lucas perguntou, olhando seu cardápio. Lugares bonitos não comoviam o rapaz faziam muitos anos.
— Desculpa, o quê? — Perguntou, voltando a olhá-lo. Lucas sorriu.
— Perguntei se já decidiu o que vai pedir. — Repetiu, olhando-a com um sorriso enorme no rosto.
— Ah. — Respondeu, voltando a olhar para a linda paisagem. — Ainda não olhei o cardápio. — O rapaz deu uma risada sutil do comentário da moça.
— É uma paisagem e tanto, né? — Eduarda concordou com a cabeça. — Nunca tinha vindo aqui antes, mas esse tipo de paisagem é bem comum nos lugares que a minha família frequenta. E agora vai ser comum pra você também.
— É assim desde que nos conhecemos, né? — Lucas olhou-a com curiosidade, tentando entender o que ela queria dizer. — Tu vive um monte de coisa e me traz pra viver elas contigo.
— É. Acho que sim. Mas nos últimos dias, é você quem tem me trazido muitas experiências novas. Gosto bastante delas. — Eduarda deu um sorriso envergonhado, seu rosto corando com um tom avermelhado. Não era exatamente verdade o que Lucas dizia, ela não o havia levado para nenhuma realidade inovadora cheia de experiências novas, e sim trazido ele para seu cotidiano. Mas ela estava feliz de saber que seu dia a dia simples, mas feliz, o agradava. Sentiu-se uma boba, como se pela primeira vez, Lucas a visse de verdade, e gostasse do que via. Sentiu-se importante, e o sentimento fez seu coração esquentar.
— Du? O garçom perguntou seu pedido. Já fiz o meu e pedi o combo kids pros gêmeos. — Eduarda arregalou os olhos, depois de perceber que talvez estivesse admirando Lucas, completamente perdida em seus pensamentos, por tempo demais.
— Hã... eu... — Ela engoliu em seco. — Escolhe pra mim. Confio em você. Vou chamar as crianças pra comer. — Du levantou rapidamente, desajeitada por conta da pressa e do nervosismo.
Eduarda precisava escapar daquela mesa o mais rápido possível. Estar sozinha com Lucas fazia com que ela se sentisse vulnerável a sentimentos que ela havia tentado ignorar por muitos anos. Ela percorreu o restaurante tentando não pensar no que vinha sentindo, enquanto procurava os seus filhos pela área infantil lotada de crianças e brinquedos. Finalmente ela se recostou em uma área e teve visão de seus filhos: Guilherme e Vitória se penduravam nos brinquedos, davam risada, se rastejavam, corriam, e ao vê-la parada, começaram a acenar pra ela. Rapidamente Du fez sinal para que os dois descessem do brinquedo e pediu que aproveitassem mais alguns minutinhos de brincadeira enquanto ela procurava os sapatos deles, mas que assim que ela os pedisse para descer, eles deviam descer. Assim foi feito, mesmo que os dois tenham reclamado um pouco no caminho, pedindo mais tempo.
— Mãe, a comida ainda não chegou, deixa a gente ir brincar mais! — Disse Vitória, puxando a roupa da mãe.
— É, mãe! A gente volta assim que a comida chegar! — Insistiu Guilherme.
— Maria Vitória e José Guilherme, eu já falei que não. — Repetiu Eduarda.
— Tem giz de cera e desenho pra pintar aqui, crianças. É só ir lá no tio e pedir giz e desenho. Vão lá rapidinho e voltem aqui pra pintar com a mamãe e o papai. — Os olhos das crianças brilharam ao ouvir falar em giz de cera e os dois saíram em disparada para buscar os desenhos e giz.
— Tu tá ficando bom nisso, Lucas. — Sorriu Eduarda, vendo como os filhos rapidamente aderirem a nova ideia de atividade.
— Tô aprendendo com a melhor. — Ela sorriu. — Confesso que sempre achei que tu seria boa nisso, lembro de me tremer de medo quando tu me chamava pelo nome completo. — Os dois deram risada.
— Deixa de ser idiota, Lucas. — Disse, rindo.
— É, eu tinha medo mesmo. Sabia que vinha bomba quando você começava sua fala com "João Lucas!". — Eduarda deu um tapinha brincalhão nele. — É por isso que escolheu nome composto pros gêmeos? Pra poder dar bronca igual dava em mim?
— Não. Escolhi porque eram os primeiros nomes dos seus pais, e como sempre achei que eles nunca teriam seu sobrenome, pensava que pelo menos ter esse registro seria legal. — Respondeu Eduarda, pegando Lucas de surpresa.
— Ah... Nossa, não sabia dessa, Du. — Ela deu de ombros. — Porra, que merda. Você realmente não tinha intenção nenhuma de me contar deles, né?
— Não, mas depois a gente discute sobre isso, Lucas. Eles tão vindo. — Um sorriso surgiu no rosto de Eduarda ao ver os dois se aproximarem com papéis nas mãos e potinhos com giz de cera.
— Tinham muuuuitos desenhos pra escolher, mamãe! Eu peguei um monte de princesa! — Disse Vitória, se sentando e espalhando os desenhos na sua frente.
— Eu peguei esse de barco e esse de pirata, olha. — Guilherme disse, mostrando os desenhos escolhidos para seu pai. — Vou pintar o barco igual ao seu, papai.
Pouco depois, enquanto os pais conversavam com as crianças, a comida chegou. Era, de fato, deliciosa, e o todo o ambiente ao redor contribuía para que a noite fosse incrível para os pais e para as crianças.
— Nossa, Lucas, o que tu escolheu pra mim? Tá uma delícia! — Disse, se deliciando no prato escolhido, o que fez o rapaz sorrir.
— Ah, você sempre foi fã do macarrão que a Claraíde fazia, então decidi pedir um parecido, mas ainda mais gostoso. — O comentário arrancou um sorriso discreto de Eduarda.
Ela estava feliz porque, por mais que sempre achasse que não merecia a atenção de Lucas, que sempre fora nada mais que uma melhor amiga, Lucas sempre havia prestado atenção nela. Percebia o que ela gostava, o que não gostava, o que adorava, o que a fazia rir, o que a divertia, a distraía. Vai ver nem tudo estava perdido. Vai ver ainda havia amizade, companheirismo, compreensão, afinidade e familiaridade um com o outro. Ela estava ali, com seus filhos e seu melhor amigo, que tanto a conhecia, a apreciava e a cuidava. Do que mais ela poderia precisar?
Já Lucas estava feliz porque começava a perceber que era exatamente naquele lugar que gostaria de estar: ao lado de Eduarda e ao lado de seus filhos. Apesar de ainda estar no processo de conhecer seus filhos, ele já sabia que os amava. Lucas também sabia que ainda conhecia Eduarda tão bem quanto a si mesmo. Sabia que ainda eram melhores amigos, mesmo que tivessem passado tanto tempo distantes. E, mesmo que Lucas não soubesse ainda exatamente como, ele sabia que amava Eduarda.
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Rockabye - Lucadu
FanfictionDu não voltou naquele dia, não contou a Lucas que estava grávida. Embora fosse difícil, Lucas teve de seguir sem ela, e ela, sem ele. Acontece que suas vidas vieram a se cruzar mais uma vez, e agora, com tudo diferente, suas vidas voltam a se mistur...
