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Ao chegar em casa, Lucas foi recebido pelo abraço de seus filhos. Pegou os dois no colo, deixando beijos carinhosos no topo de suas testas e ouvindo com atenção como haviam passado seus dias. Na sala, Clara e Amanda conversavam sobre alguma coisa, enquanto Marta segurava Pedrinho no colo e lia algum papel. Eduarda não parecia estar em nenhuma área comum da casa.

— Cadê a mãe de vocês? — Perguntou Lucas, ainda segurando os pequenos no colo. — Ela saiu?

— Não. Tá no quarto. — Respondeu Guilherme.

— É, mas ela viu o tio Gael hoje. Eles conversaram coisas tristes. — Falou Vitória, passando a prestar atenção na boneca que carregava em seus braços, a que fora presente de seu pai dias atrás.

— Tristes? Que tipo de coisas tristes? — Perguntou Lucas, curioso e pensando em inúmeras possibilidades.

— Não sei, não entendi. — Respondeu Vitória, dando de ombros e sem se importar muito com a conversa.

— Mas falaram de acabar. — Adicionou Guilherme, olhando para o pai como se tentasse seu máximo para responder as perguntas do rapaz.

— Acabar? Mas acabar o quê, vocês sabem? — Guilherme sacudiu a cabeça negativamente, e Vitória fez biquinho e deu de ombros, dando a entender que também não sabia.

— Ela perguntou se ele tava terminando. Mas não sei o quê. — Disse a menina, aninhando a boneca nos braços. Guilherme concordou, ainda olhando para o pai e recebendo um sorriso carinhoso, que também o fez sorrir. Lucas sorria porque as novas informações que haviam chegado até ele indicava que não teria mais que ver Eduarda com Gael, ele supôs, já que parecia que esse casal sequer existia mais. Um peso de suas costas parecia ter se dissipado, mas ele não podia basear-se em frases recortadas ouvidas de duas crianças, precisava ir conversar diretamente com a personagem principal da história: Du.

— Vou lá falar com ela. Já que o dia tá triste, a gente podia sair pra jantar hoje, que tal? — Disse, colocando os filhos no chão e recebendo comemorações e diferentes pedidos de comida, fazendo o rapaz dar risada e subir atrás de Eduarda.

Lucas retirou o paletó enquanto subia e o deixou pendurado no antebraço, se preparando para o que poderia encontrar atrás daquela porta. Talvez encontrasse uma Eduarda brava, chateada. O motivo? Um término, era o que Lucas esperava. Bateu na porta, tentando preparar-se para toda e qualquer possibilidade que pudesse encontrar.

— Entra. — Ouviu e obedeceu. Eduarda estava sentada na cama, recostada contra a parede e encarando quase apaticamente o chão. — Oi, Lucas. — Disse ao olhá-lo. — Como foi no seu trabalho?

— Bem. E no seu? — Perguntou, se aproximando da cama dela.

— Bem também. — Respondeu, voltando a olhar pra baixo.

— Posso sentar? — Lucas apontou para o espaço vago ao lado dela na cama. Du sinalizou um "sim" sutil, e o rapaz se juntou a ela. — Você tá bem?

— Tô, e tu? — Ela respondeu rapidamente.

— Tô. Tava conversando com as crianças da gente jantar fora hoje, elas disseram que você tá meio triste. — Eduarda levantou o olhar para ele.

— Elas disseram isso?

— Não exatamente. Disseram que o Gael e você falaram de "coisas tristes" hoje. Sobre "acabar" com algo. — Du deu um sorriso contido.

— Eu tô criando dois mini fofoqueiros. Tudo culpa da Naná e do Xana. — O comentário arrancou uma risada de Lucas.

— Então é verdade? Você tá triste porque terminaram? — A expressão de Eduarda perdeu a alegria, mas não passou a estar triste. A mulher parecia não saber o que sentir, deixando Lucas confuso sobre a maneira que deveria agir.

— É. Acho que a gente pode dizer que sim. Tiveram coisas naquela conversa que... que as crianças não entenderiam. — Ela deu um riso sem graça. — Nem eu entendi. Que dirá eles. Bom, mas não importa. Tu falou de levar eles pra jantar hoje, né?

— Na verdade pensei em sairmos nós quatro pra jantar. Vi um restaurante aqui perto que tem um lugarzinho pra crianças brincarem e tal, acho que eles iam gostar. Aí a gente consegue ficar mais tranquilo. Você não quer ir? — Eduarda permaneceu quieta por alguns instantes.

— Pode ser uma boa ideia, vai ver eu me distraio um pouquinho. — Lucas sorriu com a reposta.

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A cabeça de Eduarda estava longe. Procurou diversas combinações de roupas, mas nenhuma parecia lhe agradar. Com um longo e aborrecido suspiro, Du desistiu de encontrar algo para vestir, sentindo o peso da mudança repentina de sua vida fazer seus ombros pesarem. Afinal, se agora ela estivesse indo sair com Gael, sua escolha de roupas seria completamente diferente, algo despojado, confortável. Mas agora, saindo com Lucas, sua escolha de roupas deveria ser chique, se encaixando nos padrões da família Medeiros. Assim que Eduarda colocou as mãos no rosto, quase desistindo de sair de casa, ouviu uma batida na porta.

— Pode entrar. — Disse, se cobrindo com sua toalha. 

— O Lucas me pediu pra perguntar se você já tá pronta... Nossa, Du, você nem se vestiu ainda? — Era Clara, na porta, olhando-a com curiosidade. Eduarda suspirou. 

— Não sei mais se vou, Clara. Tô sem roupa. — Disse tristemente. Clara lhe lançou um olhar compreensivo. 

— Ah, Du... — Disse, e estava prestes a tentar confortá-la, quando a outra lhe disse:

— É sério, Clara. Preciso de uma roupa que seja do nível e estilo de vocês, coisa que eu nunca precisei antes, e nunca tive condição de comprar também. Então eu tô falando sério quando digo que não tenho nada pra usar. — Disse, realmente chateada com a situação. Clara sentou ao lado dela, tentando mostrar algum tipo de compaixão com a situação da cunhada, mas de repente, uma luz lhe alcançou. 

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Lucas estava na sala aguardando Eduarda já havia um tempo. As crianças estavam na sala, vestidas e brincando com o primo. Embora fizessem a maior festa, Lucas conseguia perceber que começavam a ficar inquietas. Sua agonia começou a aumentar e decidiu subir para chamar a mãe de seus filhos, mas assim que levantou do sofá, Du começou a descer as escadas. A visão quase o fez cair sentado novamente.

— Vamos, crianças? — Chamou Eduarda, mas os olhos de Lucas não desviaram dela. — Lucas? 

— Nossa, Du... — Foi o que ele conseguiu dizer. — Você tá... linda. — Disse, quase sem ar, fazendo-a corar e desviar o rosto, agora corado por conta do elogio.  

— Obrigada, tu também. Vamos? — Perguntou. No início, a escolha de roupas de Clara havia deixado-a insegura, mas agora, ela se sentia incrível. Olhou uma última vez para sua calça pantalona branca e ajeitou sua blusa vermelha de decote fechado e sem mangas. Sorriu para a maquiagem que Clara havia lhe ajudado a fazer e ficou satisfeita com o resultado final. Ela se sentia linda, e Lucas havia dito que ela estava linda. Era tudo que ela esperava para aquela noite. 



Rockabye - LucaduOnde histórias criam vida. Descubra agora