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Eduarda não entendeu quando Isis passou por ela, saindo do apartamento em prantos enquanto ela entrava segurando a mão de Guilherme. Marta e Vitória já estavam dentro da casa, mas olhavam a cena com o mesmo nível de desentendimento. Entretanto, nada naquele dia conseguiria tirar o sorriso de Vitória, que havia ganhado não só um, mas dois vestidos de sua avó.

— Quando ela voltar, essa casa vai ficar um caos. — Disse Maria Marta, repousando a mão na testa com aborrecimento.

— Ela não vai mais voltar. — A voz de Lucas surgiu, juntamente com os seus passos, que desciam pela escada do apartamento, fazendo os presentes na sala olharem-no de forma atônita. — Como foram as compras?

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Vitória contou com diversão sobre seu dia de compras com a avó, mostrando e provando suas novas aquisições para o pai, que aparentava estar muito interado nas interações que Guilherme e Vitória faziam com ele e com a avó, mas Eduarda o conhecia bem o bastante para notar os sutis detalhes na expressão facial do rapaz que demonstravam que ele estava atordoado com algo.

Provavelmente com a saída de Isis, pensou Eduarda. Afinal de contas, não havia sido esse um dos motivos pelos quais ela nunca havia voltado? Lucas era apaixonado por Isis e nada mais importava para o rapaz, nem mesmo os conselhos que a melhor amiga dava. Nem mesmo a paixão flamejante que ela sentia em seu peito quando mais nova, sempre se esforçando loucamente para demonstrar isso, mas sem nunca confessar seus sentimentos abertamente. Eduarda sacudiu a cabeça. Tudo aquilo era passado. Sua paixão, suas tentativas de afastar Lucas de Isis... aquelas coisas pertenciam a uma realidade antiga, desatualizada, e Eduarda devia deixá-la pra lá. O que havia acontecido no passado deveria permanecer lá.

Guilherme correu para o abraço da mãe durante a conversa da família e animadamente sacudiu seu dente mole.

— Olha, mãe! Tá molinho! — Eduarda sorriu com ternura, pegando o menino no colo para olhar para o pequeno dente com atenção.

— Meu Deus, é verdade! Será que é hoje que tu vai receber uma visita da fada do dente? — Perguntou ela, fazendo cócegas no menino de um modo sutil, que o fez gargalhar.

— Mas será que ela sabe que a gente se mudou? — Perguntou ele, de repente pensativo e preocupado que pudesse ficar sem sua recompensa da fada do dente.

— Bom, se tu deixar o dentinho embaixo do travesseiro da casa nova, ela vai atrás dele na casa nova. — Respondeu ela, observando o menino recuperar seu sorriso.

— Vou balançar muito ele, pra ele cair logo! — Disse animado.

— Pode balançar, mas a fada do dente só vai aceitar os dentes se estiverem bem escovados. — Disse. — Então que tal eu, você e a Vitória subirmos pra escovar os dentes?

— Vamos! Pra fada do dente gostar dos meus dentes! — Guilherme exclamou com animação, tentando escapar do colo da mãe, que o libertou quando percebeu sua intenção. Assistiu o pequeno chamar a irmã para subir e viu os dois indo em sua direção.

— Lucas? — Eduarda chamou, ocultando o nervosismo que sentia. Ainda não havia terminado a mudança, mas aquela seria a primeira noite dela e dos filhos dormindo na casa dos Medeiros. Ela já havia conversado com o proprietário do apartamento e eles haviam chegado a um acordo, de modo que o dinheiro antes utilizado para pagar os futuros meses de aluguel seria redirecionado para o tratamento de Guilherme, mas ainda não havia conseguido trazer todas as suas coisas para o novo lar. — Lucas? — Chamou de novo, quando não obteve resposta.

— Eu. — Lucas disse, se virando pra ela, ainda com a feição abatida, embora fingisse mostrar entusiasmo, mas pela expressão de descrença de Eduarda, logo notou que não havia conseguido enganá-la. — Desculpa, eu tô... cansado. — Respondeu ele, com um suspiro quase derrotado.

Rockabye - LucaduOnde histórias criam vida. Descubra agora