Olá, pessoal. Segundo capítulo postado leiam e se divirtam com esse casal esquentadinho. Como sempre, espero pelos votos e comentários. Muito obrigada por ler. Beijos.
ANNE E GILBERT
Encarando aquele rosto masculino que não lhe causava nenhuma lembrança remota naquele momento, Anne sentiu um segundo de confusão acometê-la ao ouvir o nome que ele acabara se dizer. Gilbert Blythe? Ele era aquele garoto magricela que adorava lhe atormentar a vida quando ela tinha dez anos? O mesmo que vezes sem conta a chamara de cenourinha, apelido esse que ela detestava? O mesmo garoto por quem ela tivera uma paixonite adolescente secreta, e que sempre a tratara como a uma irmã?
Não era possível. Quando o vira pela última vez, Gilbert estava na puberdade de seus quinze anos, seu rosto coberto de espinhas, suas pernas compridas e braços finos em nada se assemelhavam aquele rapaz de feições marcantes, e olhar duro que a encarava com tantas severidade que fazia sua pele se arrepiar de repulsa. Devia haver um engano ali, e aquilo tudo só podia ser uma piada. Quando Walter dissera que ela e Ruby teriam um tutor, Anne imaginara alguém mais velho, e não aquele rapaz que devia estar na casa dos vinte e poucos anos, e que a fitava como se fosse a própria moralidade em pessoa.
- Não pode ser. - ela murmurou, sentindo-se perdida.
- O que? O fato de seu ser seu tutor ou de ser Gilbert Blythe?- Ele perguntou com um arquear de sobrancelha, que fez Anne encarar seus olhos verdes irônicos e responder:
- Os dois.
- Então, se esqueceu de mim, cenourinha?- Anne trincou os dentes com raiva. Aquele apelido odioso de novo? Como ele ousava fazê-la se lembrar de algo tão detestável? Entretanto, ela não deixaria que ele a fizesse perder as estribeiras logo no primeiro dia que se encontravam. Por isso, ela respirou fundo, e respondeu com toda a calma que conseguiu:
- Por que eu não fiquei sabendo de sua chegada? Eu pedi ao meu advogado que me avisasse no momento em que entrasse em contato com você.
- Eu falei com a Ruby na hora do almoço, e ela me disse quando você chegaria do trabalho, e resolvi esperar. Só não achei que te encontraria em uma situação tão íntima no meio da rua. - Gilbert olhou com desprezo para Jack, que até aquele momento escutava a conversa de ambos sem dizer uma palavra.
- Não é da sua conta o que faço ou deixo de fazer. - Anne respondeu com rispidez.
- É claro que é. A partir do momento em que sou responsável por você, qualquer atitude sua é da minha conta sim. - ele respondeu no mesmo tom.
- Você não é meu pai para dizer como devo me comportar. - ela disse, sentindo seu rosto queimar de ira.
- É óbvio que não sou seu pai, mas sou seu tutor, e tenho um documento que me dá o direito de te orientar caso não esteja se comportando como se deve. - a voz dele estava alterada assim como a dela.
- E como eu deveria me comportar nessa sua cartilha ultrapassada? - Anne disse, odiando cada vez mais aquele rapaz arrogante.
- Como uma Blythe. - Gilbert disse de forma superior, como se ela devesse bater continência para o sobrenome do qual ele parecia se orgulhar.
- Eu não sou uma Blythe. - Anne respondeu secamente.
- Não é o que diz o seu registro de nascimento. - Gilbert disse encarando-a de cima embaixo, fazendo-a se sentir desconfortável na própria pele.
- Você sabe o que eu quis dizer. - ela falou, desviando os olhos dos dele.
- Nunca teve essa diferença para nós, você sabe disso. - Anne ia concordar, mas, depois ela se lembrou de como ela e sua família foram expulsos da fazenda sem ao menos ela saber o motivo, e respondeu com amargura.
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The Tutor- Anne with an e
FanficA Fazenda dos Blythe fora o paraíso dourado de Anne até seus dez anos de idade, onde ela desfrutava de uma infância feliz ao lado de sua mãe, de seu padrasto, sua meia irmã Ruby, cinco anos mais nova, e Gilbert Blythe, por quem nutria uma paixonite...