Capítulo 2- Tirano sedutor

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Olá, pessoal. Segundo capítulo postado leiam e se divirtam com esse casal esquentadinho.  Como sempre, espero pelos votos e comentários. Muito obrigada por ler. Beijos.

ANNE E GILBERT

Encarando aquele rosto masculino que não lhe causava nenhuma lembrança remota naquele momento, Anne sentiu um segundo de confusão acometê-la ao ouvir o nome que ele acabara se dizer. Gilbert Blythe? Ele era aquele garoto magricela que adorava lhe atormentar a vida quando ela tinha dez anos? O mesmo que vezes sem conta a chamara de cenourinha, apelido esse que ela detestava? O mesmo garoto por quem ela tivera uma paixonite adolescente secreta, e que sempre a tratara como a uma irmã?

Não era possível. Quando o vira pela última vez, Gilbert estava na puberdade de seus quinze anos, seu rosto coberto de espinhas, suas pernas compridas e braços finos em nada se assemelhavam aquele rapaz de feições marcantes, e olhar duro que a encarava com tantas severidade que fazia sua pele se arrepiar de repulsa. Devia haver um engano ali, e aquilo tudo só podia ser uma piada. Quando Walter dissera que ela e Ruby teriam um tutor, Anne imaginara alguém mais velho, e não aquele rapaz que devia estar na casa dos vinte e poucos anos, e que a fitava como se fosse a própria moralidade em pessoa.

- Não pode ser. - ela murmurou, sentindo-se perdida.

- O que? O fato de seu ser seu tutor ou de ser Gilbert Blythe?- Ele perguntou com um arquear de sobrancelha, que fez Anne encarar seus olhos verdes irônicos e responder:

- Os dois.

- Então, se esqueceu de mim, cenourinha?- Anne trincou os dentes com raiva. Aquele apelido odioso de novo? Como ele ousava fazê-la se lembrar de algo tão detestável? Entretanto, ela não deixaria que ele a fizesse perder as estribeiras logo no primeiro dia que se encontravam. Por isso, ela respirou fundo, e respondeu com toda a calma que conseguiu:

- Por que eu não fiquei sabendo de sua chegada? Eu pedi ao meu advogado que me avisasse no momento em que entrasse em contato com você.

- Eu falei com a Ruby na hora do almoço, e ela me disse quando você chegaria do trabalho, e resolvi esperar. Só não achei que te encontraria em uma situação tão íntima no meio da rua. - Gilbert olhou com desprezo para Jack, que até aquele momento escutava a conversa de ambos sem dizer uma palavra.

- Não é da sua conta o que faço ou deixo de fazer. - Anne respondeu com rispidez.

- É claro que é. A partir do momento em que sou responsável por você, qualquer atitude sua é da minha conta sim. - ele respondeu no mesmo tom.

- Você não é meu pai para dizer como devo me comportar. - ela disse, sentindo seu rosto queimar de ira.

- É óbvio que não sou seu pai, mas sou seu tutor, e tenho um documento que me dá o direito de te orientar caso não esteja se comportando como se deve. - a voz dele estava alterada assim como a dela.

- E como eu deveria me comportar nessa sua cartilha ultrapassada? - Anne disse, odiando cada vez mais aquele rapaz arrogante.

- Como uma Blythe. - Gilbert disse de forma superior, como se ela devesse bater continência para o sobrenome do qual ele parecia se orgulhar.

- Eu não sou uma Blythe. - Anne respondeu secamente.

- Não é o que diz o seu registro de nascimento. - Gilbert disse encarando-a de cima embaixo, fazendo-a se sentir desconfortável na própria pele.

- Você sabe o que eu quis dizer. - ela falou, desviando os olhos dos dele.

- Nunca teve essa diferença para nós, você sabe disso. - Anne ia concordar, mas, depois ela se lembrou de como ela e sua família foram expulsos da fazenda sem ao menos ela saber o motivo, e respondeu com amargura.

The Tutor- Anne with an eOnde histórias criam vida. Descubra agora