Capítulo 37 - Revelação

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Gilbert nunca tinha corrido em seu carro tão rápido. O desespero o impelia a ir contra o tempo, porque seu coração agoniado gritava dentro dele.

A distância da fazenda até a cabana não era tão grande, mas naquele momento parecia que muitos quilômetros haviam sido adicionados naqueles minutos em que ele quase voava em seu conversível.

A única imagem que ele tinha em sua mente era o sorriso de Anne na última vez que a tinha visto. Seu peito se apertou de um jeito que o rapaz teve dificuldade para respirar por um segundo.

Anne era o seu mundo e viver sem ela não era uma opção. Gilbert nunca se conformaria em perdê-la. Ele faria qualquer coisa por ela, até mesmo arriscar sua vida, porque se Anne não mais estivesse nela, nada valeria a pena.

O rapaz tentou não pensar no pior, por isso pisou no acelerador para ir ainda mais rápido. Naquele momento, ele queria ter asas, pois cada segundo era precioso.

Logo, ele estava perto da cabana, e o que viu o deixou aterrorizado. Havia fumaça por toda parte e o fogo tinha se alastrado por boa parte da cabana. Caramelo relinchava e jogava as pernas para o ar, desesperado com a densidade do ar poluído. Gilbert desceu do carro e correu em direção a Caramelo, soltou-o de onde estava preso e gritou, batendo em seus flancos:

― Vai para casa, garoto!

Em seguida, ele correu para a casa em chamas e tentou abrir a maçaneta, mas estava trancada e muito quente.

― Anne! ― gritou ele desesperado e correndo para a janela, onde tentou ver alguma coisa lá dentro, mas não conseguiu ver nada, pois a casa estava tomada pela fumaça.

Sem alternativa, ele buscou por uma pedra nos arredores e, assim que encontrou, atirou-a com força sobre o vidro, quebrando-o quase completamente.

Com cuidado, ele pulou para dentro da casa, tapando o nariz com uma das mãos, tentando enxergar alguma coisa no meio da fumaça, procurando por Anne desesperadamente.

Então, os olhos dele a encontraram, caída de bruços na sala. Ela parecia desacordada, o que aumentou a angústia do rapaz.

Gilbert correu até ela, tossindo muito por causa do pouco oxigênio que havia ali. Ele a pegou no colo e saiu pela janela do mesmo jeito que entrou, passando Anne primeiro por ela, para em seguida ser sua vez.

Já do lado de fora, o rapaz tentou reanimar sua noiva, que continuava desacordada. Gilbert tinha treinamento em primeiros socorros e fez tudo o que podia para auxiliar na recuperação de Anne, mas nada funcionou.

Em profunda agonia, ele a colocou no carro e dirigiu como um louco para chegar a tempo, enquanto falava
como se Anne pudesse ouvi-lo:

― Por favor, Cenourinha, não me deixe. Você não sabe o quanto preciso de sua presença na minha vida. ― As lágrimas rolavam, mas Gilbert não se importava. Ele não era homem de chorar à toa, nem em suas piores quedas de um cavalo, mas não conseguia se conter naquele momento, quando tantos pensamentos passavam por sua cabeça.

― Eu não vou conseguir viver sem você, meu amor. Eu devia ter cuidado melhor de você, mas não pude. Por favor, só aguente firme e eu prometo que tudo vai ficar bem.

As lágrimas eram abundantes agora e Gilbert tentava controlar os soluços, rezando mentalmente para que Anne se recuperasse. De vez em quando, ele segurava na mão dela e a apertava suavemente, como se assim pudesse assegurar que ela de fato não o deixaria.

Chegar até o hospital foi mais dramático do que Gilbert esperava. Ele levou exatamente dez minutos para dirigir da cabana até lá. O rapaz gostaria que tivesse sido em menos tempo, mas mesmo que quebrasse todos os limites de velocidade, não teria conseguido vencer aquela distância em menos tempo.

The Tutor- Anne with an eOnde histórias criam vida. Descubra agora