Capítulo 11- Os caminhos tortuosos do amor

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Olá, para quem gosta dessa fic, aqui está mais um capítulo e por favor me deixem seus comentários e votos, se assim o desejarem. Beijos, e obrigada por tudo. 

ANNE E GILBERT

O dia mal tinha amanhecido e Gilbert já estava no trabalho. Era uma rotina comum que estava seguindo a uma semana. Ele se levantava antes que todos os outros moradores da casa grande, preparava seu café e o tomava improvisadamente na pia da cozinha, depois saia de casa quando ainda estava escuro, pulava o horário de almoço e só voltava para casa à noite quando não havia mais como evitar de encontrar Anne sem que seu pai suspeitasse porque estava fazendo tudo aquilo.

Ele estava se sentindo confuso e vulnerável demais, o que tornava quase impossível lutar contra seus sentimentos. Anne o fazia sentir coisas que jurara nunca sentir por ela, e estava a um passo de perder a cabeça de vez. Se ele soubesse que sua paz de espírito seria ameaçada, não teria aceitado a função que seu tio tinha lhe delegado, mas agora estava atolado naquela situação até o pescoço e não havia nenhuma saída de emergência.

Não podia desrespeitar a memória de seu tio, mas também não podia trair a confiança de seu pai, mas entre a cruz e a espada, não podia mentir para si mesmo como vinha fazendo a dias. Ele tinha que admitir que estava louco por Anne, mesmo sabendo que o sentimento era proibido. Enquanto fosse tutor dela não poderia se aproximar demais ou isso colocaria em risco a reputação de Anne, e a dele também.

Era óbvio que não havia nenhuma cláusula no testamento que dissesse que ele e sua prima por consideração não poderiam se relacionar como homem e mulher, mas a questão era que ele sabia bem como as pessoas naquela comunidade pensavam, e Anne sendo filha de quem era seria a primeira a ser crucificada se algo acontecesse entre eles. Gilbert não se importava com o que as pessoas pensariam dele, mas não queria que Anne passasse por nenhum tipo de constrangimento. Ela não tinha culpa do que acontecera no passado, mas ele imaginava que as pessoas diriam que a fruta não caia muito longe do pé, e julgariam Anne da mesma forma que julgaram Bertha e ela não merecia esse tipo de coisa.

O que ele faria com seu coração era outra história. Ele não esperava que Anne o afetasse daquela maneira, depois de anos sem terem nenhum tipo de contato. Deus! Por que ela tinha que ser tão linda, e irritá-lo tanto a ponto de fazê-lo desejá-la como nunca desejara outra mulher? Por que ela tinha que fundir seu cérebro a ponto de fazê-lo não enxergar ou pensar mais em nada que não fosse ela? Ele tinha que recuperar seu autocontrole antes que fizesse uma besteira tão grande que não teria como consertar.

Ele tinha como buscar consolo para aquele seu lado carente, se agisse como um canalha, e aceitasse o que Winnie lhe oferecia, mas ainda assim ele não ficaria satisfeito porque ela não era a mulher que ele queria. Assim, ele lutaria com as armas que tinha para manter a coerência das promessas que fizera a seu pai.

Se não a tivesse beijado, talvez fosse mais fácil resistir à vontade insana de querer colar seus lábios nos dela novamente, mas para sua completa desgraça, ele a beijara duas vezes, e na segunda vez foi ela que o afastara, caso contrário a teria carregado para seu quarto e feito com ela o que seu corpo implorava a semanas que fizesse, e teria sido um erro, porque isso nunca deveria acontecer entre eles.

Suspirando profundamente, Gilbert tentou se concentrar no trabalho, mas sua cabeça estava ruim e quase não conseguia fazer com que sua mente se focasse no que estava fazendo, e justamente quando estava usando um canivete para terminar de cortar um pedaço de lã que se prendera na orelha de uma ovelha durante a tosquia, o objeto escapou de suas mãos e acabou cortando seu dedo que começou imediatamente a sangrar.

- Que droga!- ele praguejou sem pensar.

- Gilbert, você está sangrando. Quer que eu chame o médico? Pode precisar de pontos. - Um de seus homens lhe disse.

The Tutor- Anne with an eOnde histórias criam vida. Descubra agora