Hongjoong tinha conseguido achar a chave reserva, escondida embaixo de um vasinho de suculenta, na entrada da casa, era quase três da manhã, tinha recebido varias mensagens de emojis de pêssego, demorou alguns segundos para entender o que significava, mas assim que sua atenção foi tomada, se levantou e foi para seu destino.
Ele abriu a porta lentamente, não queria acordar ninguém e, segundo as regras, nem poderia estar ali, usou a lanterno do celular para se orientar e não tropeçar nos degraus da escanda.
No topo, no último degrau, lá em cima, Soomin estava sentada, agarrada ao corrimão, a luz fazia as lágrimas de seus olhos brilharem, mostrando suas bochechas molhadas e avermelhadas.
- Soo! - Hongjoong se aproximou, com cuidado.
- Jo... - Ela disse baixo, ainda agarrada a escada, a voz tremula. - Você veio de verdade!
- Claro que eu vim, eu disse que viria.
- Eu... Eu tava com sede, a minha água acabou, eu desci sozinha todos os dias, mas não de noite e... E quando eu fui descer agora, eu travei! Eu não sei o que deu em mim... Me desculpa ter te acordado, eu não sei o que fazer...
Soomin falava deixando algumas lágrimas caírem, estava envergonhada por seu estado, mas não conseguia se controlar, uma enorme onda de pavor tomou seu corpo quando foi tentar descer a escada, momentos antes.
Tinha conseguido fazer durante o dia, foi e voltou do prédio onde tinha aula, mas lá usou o elevador, quando voltou, subiu normalmente, desceu para o jantar, voltou para seu quarto, mas quando sentiu sede, de madrugada, parou no primeiro degrau e travou completamente.
Seu coração disparou, sentiu sua cabeça pesada, seus olhos embasaram e o escuro piorou tudo, agachou e segurou com força no corrimão, sua mente pulsava, se sentia dentro de um sino, que badalava com força e, como em uma avalanche, todos os sentimentos e lembranças tomaram seu ser por completo, trazendo o medo e o desespero daquela noite, na festa, e a sensação de cair, o vazio depois dos pés e o nada, o fim, o breu e as lágrimas.
Soomin não teve forças para falar ou para pedir ajuda, só conseguiu se lembrar dos pêssegos e de Hongjoong, pegou o celular e mandou uma sequência de emojis, nem se lembrava a quantidade, só ficou torcendo para que ele tivesse visto, para que aparecesse ali, fechou os olhos com força, suas mãos doíam de tanto segurar o corrimão, prendia a respiração para não chorar alto, todo seu corpo estava rígido e seus músculos contraídos.
- Hey, você não tem que se desculpar. - Hongjoong falava calmamente, se sentou ao lado dela e a abraçou com cuidado. - Eu estou feliz que você me chamou.
- Eu te acordei... Jo eu sinto muito...
- Não, não diga isso. Soo, você fez só o que eu pedi, sério, tá tudo bem comigo. - Ele olhava para Soomin com carinho - Eu estava na cama, ai meu celular vibrou tantas vezes que eu jurei que era alguém me ligando, mas era você. E eu vesti a primeira coisa decente que achei e vim.
- Você não estava dormindo?
- Não, eu estava de bobeira.
Hongjoong não gostava de mentir daquele jeito, mas não ia dizer para Soomin que estava dormindo e foi acordado por suas mensagens, ela já estava abalada o suficiente para se cobrar por tirá-lo de seu sono, e isso era uma besteira, um detalhe que ele poderia ocultar em prol de um motivo maior.
- Não foi perigoso vir até aqui? Jo me perdoa por isso!
- Hey. - Ele não conseguiu evitar o sorriso - Não foi perigoso, foi uma aventura, na verdade. Eu me senti o Romeu, indo visitar a Julieta, escondido, nas sombras.
- Ainda acho que poderia ser o Troy, subindo para ver a Gabriela com pizza e morango. - Soomin disse secando o rosto.
- Você não vai desistir disso, não é?
Ela negou com a cabeça, o olhando, procurando seus olhos com aquela pouca luz da madrugada, Hongjoong aproveitou para segurar uma de suas mãos, sentia, pelo toque, ela tremer.
- Que tal tentarmos descer para você beber água? Eu vou ajudar você.
- E se eu cair? - Soomin disse baixinho, envergonhada.
- Você não vai cair, eu estou aqui, eu vou te segurar, o tempo todo. Confia em mim...
Hongjoong se levantou e ficou na frente dela, alguns degraus abaixo, estendeu a mão para ela, enquanto segurava a outra, seus olhares se prendiam naquela misteriosa dança de luzes que vinham da janela, alguns postes da rua e até a própria lua, dava conta de clarear a noite.
Soomin segurou na outra mão dele, também, soltando do corrimão, Hongjoong sentia a força que ela fazia com suas mãos dadas, não a culpava, mas ainda assim doía. Ela se levantou com muito cuidado e receio, podia sentir sua cabeça rodar e o panico tentar tomar seu corpo novamente.
- Soo, eu to aqui. Eu não vou deixar você cair. Vamos com calma, tudo bem?
- Tá bom...
Ela mexeu a perna para o lado, balanceando o peso de uma para a outra, seu pé saiu do chão, apertou as mãos de Hongjoong e se inclinando para frente, desceu o primeiro degrau.
- Isso foi muito bom.
- Foi só um degrau, Jo.
- Foi o primeiro e foi muito bom.
Soomin sorriu, sentia que aquilo era tão bobo, mas ainda assim, Hongjoong tratava a situação como se fosse realmente algo grande, o que a deixava confortável e até ajudava a esquecer o motivo pelo qual tinha tido o ataque de pânico.
- É só um...
- Sim, é um, e depois outro, e outro...
E enquanto Hongjoong falava, ele a puxava de leve, a distraindo e fazendo com que ela descesse, degrau após degrau, com seus olhos se encarando e alguns sorrisos roubados.
- Nossa, você parece uma bailarina.
- Uma bailarina bem desastrada, eu diria. Você não sente medo?
- Medo? Hum... Eu sinto medo de muitas coisas.
- Mas não de escadas.
- Oh não. Eu tenho de elevador.
- De elevador? Sério Jo?
- Eu sou um pouco claustrofóbico.
Hongjoong deu de ombros e parou, no fim da escada, sentindo Soomin descer o último degrau. Ela olhou para o chão, desacreditava, havia descido toda a escada e nem percebeu o que fazia, seu coração se agitou, de um jeito bom, ergueu a cabeça, encontrando os olhos de Kim, que estavam repousados sob ela, com cuidado e ternura.
- Acabou os degraus?
- Pois é, acabou. Agora você pode beber água e eu, assaltar a geladeira.
- Não tem doce.
- Que absurdo!
Soomin sorriu, ainda segurava nas mãos de Hongjoong, se sentia bem por ter conseguido descer sem cair e com ele, tudo parecia fácil.
- Jo...
- Sim?
- Obrigada...
- Soo, eu não f...
Ela não esperou ele terminar a frase, o apertou forte em um abraço de gratidão genuína, soltou um longo suspiro e sentiu quando Hongjoong retribuiu o abraço, sentindo o cheiro de shampoo e cama, que vinha de seus cabelos.
- Sabe o que é engraçado, Soo? - Ele começou a fazer carinhos nos cabelos dela.
- O quê? - Soomin nem se mexeu, estava encaixada em um confortável abraço.
- Você tem cheiro de pêssego.
- Puta merda!
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Remember -- TaeGi
FanfictieDepois de uma louca madrugada de festa, tudo que Yoongi queria era se lembrar o que havia acontecido e quem era a pessoa com que ele teve uma estranha e prazerosa noite, mas a vida não pode parar e ele tenta retomar sua rotina com seus colegas de ap...
