SOOMIN
O dia não estava do jeito que eu gosto, na verdade, o sol estava quente, o vento trazia mais calor e aquele clima abafado significava que uma chuva forte viria mais tarde, mas até lá, eu tinha que aguentar aquela temperatura insuportável.
Não sei como, mas consegui convencer o Jo a irmos tomar sorvete, perto da fonte da praça, era a única sorveteria do campus que tinha um choco-menta decente e também era o estabelecimento mais velho dali, creio eu que, mais velho que o prédio principal.
Não é como se o Jo não tomasse sorvete, mas ele, assim como eu, preferia ficar em casa, ao ter que encarar o calor que estava a céu aberto, até nisso combinávamos. Precisei de um pouco de manha e um sorriso, mas jurei a mim mesma que faria algo legal por ele depois.
A verdade é que, ficar sozinha e dentro, estava me deixando atordoada, comecei a sentir dores de cabeça forte e a ter pesadelos, realmente não sei como Jo me aguenta, tenho requerido ele mais que o normal. Me sinto confortável junto com ele e até esqueço que as lembranças estão voltando. Isso não é, particularmente, bom, as lembranças trazem o medo também e eu não queria parecer mais fraca para o Jo.
Sorvete era um bom jeito de esquecer aquilo e ter um momento de paz, Jo vinha me ver todos os dias depois do treino, virou uma rotina da qual eu estava gostando de me acostumar, inventávamos desculpas para estarmos juntos, um dia era estudar, outro ir a biblioteca, caminhar e agora, tomar um doce gelado em um potinho.
Caminhar no sol era terrível, mas da minha irmandade até a sorveteria, não era uma distância absurda, ainda mais que a companhia de Jo era a que eu mais apreciava. Chegamos até o lugar, não tinha fila, mas algumas pessoas tomavam sorvete nos bancos ao derredor, um colega do time de basquete estava lá e chamou Jo para conversar, não parecia sério, só urgente.
Disse que tudo bem ele ficar ali conversando e eu compraria os sorvetes, não era nenhum problema para mim e uma boa desculpa para pagar algo para ele, sem ter um longo debate sobre "eu convidei, eu pago".
Fiz o pedido, aproveitei para observar o lugar, depois que passa por uma experiência de quase-provável-morte o mundo passa a ter uma cor diferente, os detalhes começam a ter mais importância e gestos simples ganham um peso maior.
Olhei tudo com calma, até que um detalhe prendeu minha atenção, eu reconheceria aquelas tatuagens até sem óculos e de uma longa distância. Jeon Jungkook, ou só, meu ex. Era complicado. Torci para que ele não me visse, mas não deu certo.
- Soo? - Ele me percebeu de canto de olho. - Como você está?
- Oi, Kook. Eu estou bem, até. E você?
- Morrendo de calor. Nossa, como é bom te ver! Eu tentei te visitar no hospital, mas eu sempre perdia a hora de visita.
Jungkook se aproximou, me olhava atentamente, ele ficava prolixo quando estava empolgado com algo, foi assim que eu descobri das drogas, na primeira vez.
- Que bom que não conseguiu, eu estava péssima!
- Não diga isso... - Ele me olhava demais, como se procurasse por algo, seus olhos pararam em minha testa. - Foi muito fundo, isso?
- Fundo o suficiente para eu perder muito sangue, mas não para me matar.
- E não quebrou nada?
- Felizmente estou inteira, não foi dessa vez que se livraram de mim.
- Do que você está falando? - Kook sorriu de nervoso, isso não era bom. - Essa pancada te deixou um pouco doida.
- Com amnésia sim, mas doida não. - Olhei em volta - Cadê o Jimin?
- Nossa. Bom... Ele tá estudando. Eu vim pegar sorvete para ele, sabe como ele fica nesse calor, igual a você, um pouco irritado, manhoso e reclamando de tudo.
Jungkook engoliu seco, dava para ver o movimento na garganta dele, o que significava que estava nervoso, além de começar a falar demais e se bem conheço Jeon Jungkook, depois de anos, poucas coisas deixavam ele assim, estava perdendo o controle. Mas perdendo o controle de quê? O que estava escapando entre os dedos cuidados e meticulosos dele?
- Ele não me ligou, nem me mandou mensagem... Você não viciou ele naquelas merdas, né Jeon?
- Não! Ele não usa nada. Eu juro. Eu jamais faria isso, Soo, o que pensa que eu sou?
- Você quer que eu responda em voz alta?
Às vezes eu esquecia como era aquela sensação de estar junto com Jungkook, a pressão e a ansiedade que vinham de brinde, nada era fácil ou simples, sempre tinha um "porem", alguém olhando, códigos, sinai disfarçados, com ele eu não ia só tomar um simples sorvete, seria só a distração para o que ele iria fazer as escondidas.
Eu não lembrava de tudo, mas algumas coisas estavam voltando, eu tinha uma breve recordação de Jungkook na festa, e mesmo sendo um flash tão pequeno, trazia uma sensação que pegava na boca do meu estomago e apertava com força. E não era um bom sinal.
- Soo, vamos deixar isso pra lá. Ok? Eu aviso o Ji que você perguntou dele, qualquer coisa ele te liga do meu celular.
- Porque ele não me ligou?
- Eu não sei, Soo. Eu falo com ele.
- Não precisa. É melhor ele focar nos estudos.
- É, semana de provas é uma loucura. - Kook estava disfarçando, eu conhecia aqueles tiques dele.
Eu e Jimin começamos uma amizade um pouco depois do meu término com Jungkook, no começo eu queria proteger ele de toda aquela loucura que era a vida do meu ex, mas ele parecia gostar e só mantive os alertas e conselhos. Acabou que ficamos próximos e a amizade veio instantaneamente.
Jimin não estar falando comigo, não era normal, eu até acharia preocupante, dado que Jungkook vive encrencado, mas estava tudo estranho, as reações de Jungkook, aquele silêncio do Jimin, eu sabia que se pensasse demais, a dor de cabeça me traria lembranças, mas estava começando a questionar se eu realmente queria me lembrar.
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Remember -- TaeGi
FanfictionDepois de uma louca madrugada de festa, tudo que Yoongi queria era se lembrar o que havia acontecido e quem era a pessoa com que ele teve uma estranha e prazerosa noite, mas a vida não pode parar e ele tenta retomar sua rotina com seus colegas de ap...
