SOOMIN
Nenhuma reação. Eu esperava mais, confesso. Talvez um arquear de sobrancelhas, qualquer expressão de indignação, ou reprovação... Nada. Talvez Jo ainda estivesse absorvendo a bomba que eu tinha jogado no colo dele, ainda bem que pedi que sentasse.
Eu não tinha planejado um discurso floreado, nem escolhido palavras bonitas, acho que ir direto ao ponto sempre foi meu forte, ainda que Jo me causasse um efeito estranho e, por vezes, gostava de contornar, só para aproveitar as desculpas.
De qualquer modo, já sabia que teria que falar com ele sobre isso, ter recusado o almoço com Yoon foi a parte fácil, encarar Jo, curioso e ansioso por algo que ele não tinha ideia do que seria, foi um pouco mais complicado.
De praxe, eu queria um pouco de privacidade, e meu quarto proporcionava isso. Foi o tempo dele sentar para que eu simplesmente colocasse tudo para fora, ele já estava desconfiado que algo estranho acontecia, a forma como ele observa os detalhes e as entrelinhas é um charme a parte.
Contar para ele sobre a vingança, me deixou mais nervosa do que fazê-la, deve ser o peso daqueles olhos sob mim, ou a importância que eu dou para a opinião dele a meu respeito, era um tipo de... Medo. Medo de decepcioná-lo. Medo de não ser suficiente para ele. Medo de ser abandonada. Não era algo racional, só vinha com força e, quando me dava conta, eu já tinha pensado.
Mas ele não me parou, não me interrompeu, não houve suspiros entre as minhas vírgulas, nem ajeitadas na coluna, entre um ponto final e outro, meu discurso foi linear, contínuo e objetivo. Talvez objetivo demais. Por mais que eu ame os detalhes e a forma como eles clareiam a ideia a ser transmitida, não inclinei minha atenção para isso.
Jo estava sentado na minha cama, um pé tocava o chão e a outra perna dobrada sob o colchão, eu não conseguia ficar quieta, parei em pé, em sua frente, estalando os dedos, um péssimo hábito que não consigo me livrar e que denunciava minha ansiedade, nem maquiagem passei, então a cicatriz da minha testa pulsava, chamando mais atenção do que eu gostava.
- Tá... E... Como você se sente agora?
Meu semblante caiu. Não. Essa não era a reação. Grite, me xingue, me chame de idiota, brigue comigo, diga que estou errada, me chacoalhe, mostre que está decepcionado, levante, vá embora, faça qualquer coisa!
- Você se sente melhor?
Ele continuou, ainda que eu não conseguisse responder. Forcei a saliva a descer minha garganta e respirei fundo, tomando tempo para pensar, mas puxar ar com tanta veemência me custava uma dor chata nas costelas.
- É... Eu, acho que estou. - Uma resposta pronta, mas o suficiente para resumir meu estado. - Você não vai dizer nada? - Minha curiosidade escapou por minha boca, ainda que eu cerrasse os dentes.
- Eu não posso falar nada.
Jo sorriu, calmo, mas largo o suficiente para ver as dobrinhas nos cantos de seus olhos. Piscou, afastando a cabeça para o lado, era como se seus pensamentos fossem fisgados por um anzol naquele instante.
- Você quer que eu diga o óbvio? Tudo bem. - Ele ajeitou a postura, ela pela primeira vez, desde que chegou - Vingança é errado, Soomin! Não leva a lugar nenhum. É isso que você quer que eu diga?
- Talvez... - Dei de ombros, concordando, discordando, eu não saberia dizer.
- Vamos supor que eu dissesse isso... E daí? O que muda? - Jo sorria, porque ele sorria? - Posso te dar um sermão, posso ficar longos minutos falando que o que você fez é errado, mas o que isso adiantaria? Na verdade, só mostraria como eu sou um hipócrita com você.
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Remember -- TaeGi
Fiksi PenggemarDepois de uma louca madrugada de festa, tudo que Yoongi queria era se lembrar o que havia acontecido e quem era a pessoa com que ele teve uma estranha e prazerosa noite, mas a vida não pode parar e ele tenta retomar sua rotina com seus colegas de ap...
