No capítulo anterior
Isis
— O jantar estava ótimo, mas eu vou precisar voltar para a casa. Desculpe, mais uma vez — Avisei pegando minha bolsa e recebendo olhares confusos dela e de Andrew.
— Isis — Foi a voz de Heitor que me chamou, e eu ignorei.
Passei reto pela sala, ouvindo alguma piadinha da Megan sobre o barulho na cozinha, mas mal respondi. Improvisei uma desculpa no automático, dei um sorriso falso e passei pela porta. Apressei meus passos até meu carro e dei partida sem pensar duas vezes, mesmo quando vi Heitor saindo da casa, atrás de mim.
Dentre todos eles, Heitor era o que eu mais queria distância no momento. Ele havia percebido meu deslize, minha fraqueza, ele viu o que aconteceu e ainda me ajudou a disfarçar. Eu não queria responder as perguntas que eu sabia que ele faria, eu não queria que ele me olhasse com pena, eu não queria nada disso.
No caminho para casa, flashs do meu pesadelo voltavam a aparecer na minha mente, se misturando com a realidade e com a memória. Eu ainda pensava na teoria do psiquiatra, tudo parecia confuso na minha cabeça, e se eu acreditasse em algum Deus, esse seria o momento que eu agradeceria por ter estacionado meu carro na garagem em segurança, porque eu não havia prestado atenção nenhuma no percurso, tudo tinha sido feito no automático.
Destranquei a porta de entrada e mal dei atenção para o Toddy quando ele correu até mim, porque nesse momento eu não tinha condição de cuidar nem de mim mesma, muito menos do cachorro. Eu sentia a falta de ar me sufocando e apenas uma decisão havia sido tomada: eu precisava sair daqui, dessa cidade, e precisava ser agora.
Capítulo 11
"Arrogante"
Heitor
No momento em que Isis saiu da cozinha, claramente transtornada (mesmo que disfarçasse bem) eu olhei para Celaena e Andrew. Os dois estavam distraídos demais para perceber que Isis tinha se afetado com aquela merda de conversa sobre herança genética, mas os dois repararam que havia alguma coisa estranha quando ela saiu.
— Será que ela ficou envergonhada por quebrar uma garrafa? Isso não é nada demais... — Andrew comentou, limpando o chão, mas Celaena negou enquanto olhava para mim.
— Não foi só isso — Cece tentou processar o que tinha acontecido.
Celaena olhou para mim por longos segundos, e quando ouvimos Isis bater a porta da entrada eu me perguntei se seria uma boa ideia ir atrás dela. Ela claramente queria espaço, com certeza ficaria brava comigo, mas cada instinto meu dizia que eu deveria ir.
— Vai — Celaena me lançou um olhar compreensivo e me entregou minha jaqueta. A habilidade dela de interpretar as pessoas ainda me impressionava, mas eu apenas sorri e beijei sua bochecha antes de sair da cozinha.
Passei apressado pela sala enquanto vestia minha jaqueta, reparando no olhar curioso de Megan e Romeo. Eu sabia que eles estavam prontos para fazer algum comentário provocativo, mas quando eu olhei para eles ambos se calaram e me deixaram sair sem fazer perguntas.
O Lancer da Isis já estava em movimento quando eu abri a porta, e obviamente chamar o nome dela seria completamente inútil. Xinguei ninguém em específico e fui até meu carro, agora tendo certeza que era melhor ir atrás dela.
Eu não sabia qual era a história da Isis, apenas que sua mãe morrera jovem e que ela não parece do tipo que teve um bom relacionamento com o pai, Howard, se me lembro bem da única vez que ela mencionou o nome. Por isso, ficou claro que a conversa filosófica do jantar havia mexido com ela, assim como mexeu comigo.
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Monstros do Espelho
Romance[+16] O livro contém linguagem ofensiva e conteúdo sexual Era muito fácil olhar para a loira bonita e confiante nas festas de Nova York e pensar que Isis Clay tinha uma vida perfeita. Ninguém sabia sobre o assassino do seu passado, o monstro que um...
