Heitor
Já fazia 3 dias que eu havia voltado para Traverse City. Romeo era o único que sabia, porque eu avisei que ele não precisava cuidar mais dos meus cachorros. Mesmo assim, eu deixei claro que não queria que ninguém me procurasse no momento, e Romeo não fez perguntas.
Eu passei os últimos três dias resolvendo coisas de trabalho, mantendo a minha mente ocupada, mas sem sair do escritório da minha casa. Eu não poderia me permitir parar, porque cada vez que eu fechava os olhos, cada vez que eu tentava dormir, eu pensava nela.
Quando eu deixava esses pensamentos invadirem, eu ouvia sua risada, sentia seu cheiro, lembrava de cada beijo, cada flerte, cada declaração... tudo era tão real para mim. Eu quebrei cada uma das minhas regras por ela, abaixei cada uma das minhas barreiras, deixei que ela soubesse todos meus segredos e vulnerabilidades. Agora? Eu não suportava nem pensar em seu nome.
Eu estava velho demais para sofrer por uma mulher, eu não poderia permitir isso. Eu guardei cada um desses sentimentos dentro de mim, bem fundo, do jeito que eu sabia muito bem como fazer. Eu tinha que trabalhar, que cuidar dos meus cachorros, seguir minha vida.
Nesse momento, Ayla apareceu no escritório segurando a bolinha na boca. Eu dei um raro sorriso, acariciando a cabeça dela. Por isso que eu gosto mais de cachorros do que de pessoas, eles são tão puros e simples. Eles não guardam rancor, e eles sabem quando você está mal.
Bruce dorme na minha cama todas as noites, como se soubesse que eu precisava da companhia. Ayla me acordava e me tirava de casa todas as manhãs para passear com ela, se não fosse por eles eu não estaria saindo da cama. E Thor? Até meu pequeno raivoso sabia que eu estava triste e demonstrava empatia com seu olhar atento e sincero.
Sem dizer nada, eu fiz sinal para Ayla dando a entender que nós iriamos sair de casa. Decidi levar Bruce junto, assim eu não precisaria sair de novo com ele mais tarde. Eu, a rottweiler e o golden não estávamos mais caminhando no mesmo lugar que antes, afinal ali era perto demais da casa dela.
Eu não sabia se ela tinha voltado para Traverse City ou não, e eu não queria saber. Quando eu passei perto da casa da Cece, apesar de ser cedo demais, encontrei ela trabalhando em seu próprio jardim. Ela plantava flores, temperos e ervas para chás.
— Heitor! Eu não sabia que vocês já tinham voltado para cá — Ela sorriu e eu fiz meu melhor para sorrir também, enquanto os cachorros iam pular nela.
— É, eu voltei faz pouco tempo — Cece olhou para mim.
— E Isis? — Eu neguei com a cabeça, um sorriso fraco.
— Eu não sei — A compreensão atingiu seu rosto e no mesmo instante ela entristeceu.
— Ah não, vem cá — Ela saiu do seu jardim e veio até mim, me abraçando.
— Eu estou bem, Cece — Menti e ela me abraçou mais forte.
— Quieto.
Então eu fiquei em silêncio e apenas a abracei, percebendo que eu realmente precisava disso. Cece é como uma irmã para mim, eu lembro que assim que a conheci percebi que ela se parecia muito com a minha amiga Duda, e desde aquele momento soube que nos daríamos bem.
— Entra, eu vou fazer um chá para você, e eu tenho cookies — Eu sorri e neguei.
— Não precisa, Cece. Eu estou bem.
— Não perguntei se precisa, eu disse para você entrar — Ela tirou suas luvas de jardinagem.
— Bruce e Ayla vão encher sua casa de pelo.
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Monstros do Espelho
Storie d'amore[+16] O livro contém linguagem ofensiva e conteúdo sexual Era muito fácil olhar para a loira bonita e confiante nas festas de Nova York e pensar que Isis Clay tinha uma vida perfeita. Ninguém sabia sobre o assassino do seu passado, o monstro que um...
