Isis
Que merda tinha acabado de acontecer aqui?
Diego Ferrara, pai do Heitor, estava vivo. Não só isso, ele estava enviando as mensagens anônimas e nos ajudando, ele matou Carlos e Bas. Do nada esse homem frio, do jeito problemático dele, decidiu que quer ser um bom pai e ajudar o filho.
Enquanto isso, Howard Collins, meu próprio pai, queria me matar. Eu pensei que ele simplesmente esqueceria da minha existência. Ele mal se importava comigo quando eu era criança, e agora ele quer terminar o que começou no dia em que ele matou minha mãe.
Eu ainda estava um pouco irritada com Heitor. Ele deveria ter me contato sobre a fuga de Howard, mesmo sem ter certeza. Eu até entendo os motivos dele, mas o clima entre nós não estava exatamente amigável.
— Tem mais alguma coisa que você não me contou, Ferrara? — Perguntei, olhando pela janela do carro, sem encarar seu rosto.
— Não — Heitor respondeu sem tirar os olhos da rua.
— Você acha que seu pai vai sair de Traverse?
— Provavelmente. Ele vai voltar para o conto de fadas dele — Respondeu em um tom amargo.
— Você acreditou nessa história de esposa e filha em Mônaco? — Agora olhei para ele.
— Sim, eu não acho que ele estava mentindo sobre isso. Tenho minhas dúvidas em relação ao que ele falou sobre não estar envolvido em nada ilegal, mas acho que é verdade.
— Eu não o conheço como você, mas parecia que ele estava arrependido — Falei com sinceridade quando ele estacionou o carro.
— Diego Ferrara é um canalha egoísta, nada vai mudar isso — Heitor respondeu ao sair do carro e abrir a porta para mim. Os pedaços de vidro da janela quebrada ainda espalhados no chão do carro, junto com a chave de roda.
— Pelo menos ele quer te proteger, e não te matar — Dei de ombros saindo do carro e passando por ele.
Heitor não respondeu enquanto nós dois caminhamos em direção da delegacia. Andrew havia ligado para Heitor na hora que estávamos saindo da igreja, nos chamando aqui.
A delegacia era simples, com paredes de madeira, um balcão na entrada e algumas mesas espalhadas. No balcão, um policial que aparentava ter uns 60 anos sorriu para nós.
— Heitor, e você deve ser Isis — Olhou para mim — Podem ir para o escritório, Farley está esperando vocês.
— Obrigado, Rose. Sempre bom ver você — Heitor sorriu simpático.
Nós dois seguimos em direção ao escritório, onde Andrew atendia uma ligação. Ele desligou quando nos viu e rapidamente se levantou.
— Heitor, Isis — Cumprimentou — Desculpa por chamar vocês assim, no meio da noite.
— Não se preocupe com isso, Andrew — Eu respondi.
— O que aconteceu? — Foi Ferrara quem perguntou.
Andrew fez sinal para que nós nos sentássemos e ele se recostou na mesa. Com o profissionalismo de quem estava acostumado a dar notícias desse tipo, ele falou:
— Um dos meus novatos encontrou os corpos de Ivan Basile e Carlos Cruz, algumas horas atrás — Eu ia abrir a boca para falar, mas Heitor foi mais rápido.
— Onde?
Heitor não parecia surpreso, mas também não deu sinal de que já sabia que os dois estavam mortos. Eu lancei um olhar discreto para ele, em questionamento. Ferrara apertou de leve minha perna e eu entendi o recado: nós não mencionaríamos nada que aconteceu nessa noite para Andrew.
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Monstros do Espelho
Romance[+16] O livro contém linguagem ofensiva e conteúdo sexual Era muito fácil olhar para a loira bonita e confiante nas festas de Nova York e pensar que Isis Clay tinha uma vida perfeita. Ninguém sabia sobre o assassino do seu passado, o monstro que um...
