Isis
— Isis!
Eu sentia a minha cabeça doer como se fosse explodir.
— Isis! Abra os olhos!
Eu tinha noção de que estavam me chamando, mas...
— Porra, Isis! Abra os olhos! Isis!
Era como se minha mente estivesse muito longe do meu corpo.
— Isis! Por favor!
De repente eu percebi que quem me chamava parecia estar sofrendo mais do que eu. Sentindo mais dor do que eu. A voz não parecia mais tão longe.
Senti uma mão quente no meu rosto, e eu estava familiarizada demais com o toque para não o reconhecer.
— Heitor — Sussurrei sentindo o ar que eu respirava queimar meu pulmão, seguido por uma série de tosses.
— Sim, querida. Sou eu, agora abra os olhos, por favor — Tinha dor na sua voz, desespero.
Eu abri meus olhos, encontrando duas esferas azuis brilhantes. Os olhos do Heitor.
Aos poucos fui tomando consciência da situação. Eu estava deitada no chão, na calçada. Heitor estava sobre mim. Pessoas em volta gritavam e corriam para longe. Para longe do carro em chamas. O carro do Heitor.
Eu lembrei da explosão, do Heitor me empurrando e pulando por cima de mim. Olhei para o lado e vi Romeo correndo até nós.
— Alguém chame uma ambulância! Agora! — Romeo gritava ordens e afastava as pessoas de nós e do carro em chamas.
— Romeo — Heitor chamou baixo, mas mesmo assim Romeo ouviu.
— Você vai ficar bem, vocês dois vão — Romeo se abaixou ao nosso lado — Ajuda está chegando, você consegue se levantar? — Perguntou para Heitor, que assentiu.
Romeo, com muito cuidado, passou um braço por baixo das minhas pernas e outro nas minhas costas, me levantando do chão. Eu vi Heitor lutando para se levantar, mas estava muito difícil enxergar, falar e respirar. A fumaça preta cobria o ar, eu não conseguia parar de tossir e minha cabeça estava... lenta.
— Vamos, bonitona. Você pode respirar fundo agora — Romeo falou ao me colocar no chão novamente, agora bem longe do carro em chamas.
Eu obedeci e vi Romeo correr até Heitor para ajudá-lo a andar mais rápido. No segundo em que Heitor praticamente se jogou no chão ao meu lado, mais uma explosão no carro.
Menor do que a outra, mas suficiente para fazer as pessoas que saíam do Jack's para ajudar voltarem para dentro, com medo. Longe, eu ouvi a sirene da ambulância e dos bombeiros.
— Você está sangrando — Heitor se virou, procurando ferimentos no meu corpo.
Eu arregalei os olhos e passei a mão em mim mesma. Eu não estava sentindo esse tipo de dor. Sim, tinha sangue, mas eu não sentia cortes ou machucados. Heitor levantou minha blusa, arregaçou as mangas da jaqueta procurando e...
— Não é meu sangue — Minha voz falhou — É seu — Só agora reparei em como Heitor estava machucado.
Ele pareceu não se importar e relaxou, encostando a cabeça no chão. Cada pequeno movimento era infernal, mas eu estiquei minha mão até que tocasse a dele. Heitor retribuiu o toque, entrelaçando nossos dedos.
— Cara, você está uma merda — Romeo falou para Heitor.
— Ele não deve estar longe — Heitor começou e foi interrompido. "Ele", a explosão no carro tinha sido intencional. Carlos e Bas.
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Monstros do Espelho
Dragoste[+16] O livro contém linguagem ofensiva e conteúdo sexual Era muito fácil olhar para a loira bonita e confiante nas festas de Nova York e pensar que Isis Clay tinha uma vida perfeita. Ninguém sabia sobre o assassino do seu passado, o monstro que um...
