29 - "Diabinha"

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Isis

No capítulo anterior...

Hoje de manhã, como nós havíamos combinado, conversamos com Andrew. Heitor estava certo, ele conhece um dos diretores do presídio. Rikers Island é uma ilha que fica entre o Queens e o Bronx, em Nova York, e abriga o principal complexo prisional da cidade.

Quando Howard foi preso, eu implorei tanto para deixar de ser reconhecida como filha dele que me isolei de todas as informações possíveis sobre ele, então eu nem mesmo sabia onde ele estava preso. E agora, aqui estava eu, passando pela mesma porta que Howard havia passado anos atrás para entrar nesse presídio.

Agora...

Nós não poderíamos ter escolhido um dia melhor para dramatizar mais o clima. O céu estava nublado, a chuva ameaçava cair e raios cortavam as nuvens carregadas. Afastado de Manhattan, o presidio se localizava em uma ilha isolada, uma pequena terra temida e que os novaiorquinos tentavam esquecer.

Dessa vez, nós pegamos um voo de ultima hora pra chegar na cidade e passamos no apartamento do Heitor de manhã apenas para pegar um de seus carros. De tarde, nós cruzamos a única ponte que permitia acesso ao presídio com o carro do Heitor.

Do lado de fora, encostado no portão muito alto e resistente, um homem de quase 2 metros nos esperava. Ele usava um terno preto por cima de uma camisa meio surrada, aparentava ter um pouco mais de 50 anos, cabelo grisalho e olhos de um azul tão claro que parecia cinza.

— Você deve ser Isis Clay, amiga do Farley — Ele se aproximou de nós.

— Sim, e você é o Diretor Morgan — Ofereci a mão para cumprimenta-lo enquanto o homem assentia — Muito obrigada por fazer esse favor.

— Não me agradeça antes de entrar nesse inferno. Além disso, eu estava devendo uma para Farley — Ele olhou para Heitor — Eu não sabia que você estaria acompanhada, já é difícil contornar as regras desse lugar para permitir uma pessoa, duas então... — Heitor deu um meio sorriso.

— Farley não permitira que sua amiga viesse desacompanhada para um lugar como esse — Heitor respondeu sério, deixando claro que ele não esperaria fora.

— Então você é o guarda-costas? — O diretor arqueou a sobrancelha.

— Alguma coisa assim.

— Nós não queremos tomar muito do seu tempo, Diretor — Acrescentei em um tom educado, querendo que ele andasse logo com isso.

O homem negou com a cabeça, com certeza se arrependendo de ter concordado com essa ideia. Entretanto, ele se virou e abriu o portão de ferro para nós. Nós passamos por um longo corredor, por mais dois portões, um detector de metais e fomos revistados.

E finalmente estávamos liberados para entrar, de verdade, no lugar de alta segurança. O Diretor seguiu na nossa frente, com os passos firmes. Heitor andava bem próximo de mim, nas minhas costas, como se ele pudesse me proteger de qualquer coisa.

O clima era pesado, os corredores escuros, pouquíssimas janelas próximas ao teto, com grades, deixavam a luz entrar. E nós nem havíamos entrado na parte das celas ainda.

— Então, qual é seu interesse em Howard Collins? — O Diretor olhou para mim, por cima do ombro.

— Ele é meu pai. Como ele conseguiu fugir, a polícia pensa que seria uma boa ideia me usar para tentar encontrá-lo, mas para isso eu precisaria das informações sobre ele que eu evitei encontrar nos últimos anos — Minha voz soou fria, como eu pretendia.

Monstros do EspelhoOnde histórias criam vida. Descubra agora