Nem acredito que já se passou um mês, foi tão rápido, eu me diverti demais. Eu gostaria de ter ficado um pouco mais com meus avós, mas também estava com saudades de casa e dos meus amigos. Acabei não ficando com Hilary, mesmo que tivéssemos várias oportunidades. Tiveram pelo menos umas cinco vezes em que ficamos totalmente sozinhos por um longo tempo e eu não aproveitei a oportunidade. Acho fiquei mole. Enfim, não é hora de remoer isso e não me arrependo de ter desperdiçado as oportunidades.
Estávamos chegando em casa quando vi uma multidão em frente a ela, obviamente sou o primeiro a sair do carro, abro os braços como se estivesse indignado e começo a me aproximar.
— Mas que diabos tá acontecendo aqui? — digo, fingindo irritação — Vamos, vamos! Circulando, bando de mendigos! — faço gestos com as mãos, como se realmente pudesse enxotar todo mundo dali.
— Nossa, como você... — Liz começa a falar, mas antes que termine, corre na minha direção e me abraça com força. Fico sem reação por um segundo.
— Também senti sua falta, vai... mas dá um espacinho, por favor. — peço, antes que eu comece a ficar grosseiro e afaste ela por conta própria de forma indelicada. Ainda não gosto desse tipo de afeto. Ou melhor, inda sinto um leve incômodo.
Não demorou muito e quem me abraçou também foi Anthony, em seguida Olívia, os três ao mesmo tempo e me sinto um pouco sufocado. A cena deve estar ridícula e eu, espremido no meio deles, sem saber o que fazer com os braços. Na verdade não tem o que fazer, eles me prenderam. Bom, pelo menos a tal de Bianca, o Dener e uma outra garota que estão alí também, não vieram me abraçar, seria estranho se fizessem.
— Ok, ok, chega! Vocês vão me matar sufocado! — reclamo, tentando escapar daquela armadilha de afeto coletivo, me mexendo freneticamente e ao mesmo tempo tentando tomar cuidado para não machucar ninguém sem querer. — Vocês são um porre, sabiam?
Suspiro assim que fico livre e olho para Olívia. Queria dizer algo, mas me sinto meio constrangido, acho que ainda não superei aquele porre que tive na casa da minha avó e o que eu acabei falando para meu pai.
— Tuto, a porta! Temos que levar as malas pra dentro. — diz meu pai, me salvando desse momento de travamento.
Vou até a porta e a abro de uma vez. Pra minha surpresa, Dener e Anthony já aparecem pegando as malas antes
— mesmo que eu possa pensar em fingir disposição.
— Eu não sabia que o Heitor tinha tantos amigos! — comenta Janne, simpática como sempre. — Me desculpem, crianças, mas estou exausta. Se não estivesse, faria um lanche pra vocês!
— Não se preocupe com isso, tia! — diz Anthony, sempre educado.
— É, a gente só veio ver o Heitor mesmo! — completa Liz.
Ela sorri pra eles e sobe as escadas. Eu fico ali parado, observando por um tempo, depois começo a me livrar de todo meu "kit de proteção". Pensando bem, eu saí daquele hospital e simplesmente sumi. Não liguei pra ninguém, não mandei mensagem, não expliquei nada. Só viajei. Agora entendo o porquê da recepção calorosa.
— Também vou descansar um pouco, se for sair é melhor passar mais protetor! — meu pai avisa e logo sobe também.
Assim que ficamos só nós, olho para o grupo e aponto com o queixo para a menina nova.
— E então... quem é a garota?
— Tira o olho! — Liz fala e vai até a menina — Ela é minha namorada, Genevieve.
Fico completamente embasbacado, piscando umas duas vezes só pra ver se entendi direito.
— Espera... namorada? — olho pra Dener, confuso. — E o que você tá fazendo aqui então?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Heitor
Teen FictionTodos adoram uma história com um garoto complicado, e aqui você vai encontrar um pouco disso. Mas, acima de tudo, talvez você se identifique com os personagens, já que não há nada de excessivamente fantasioso no mundo adolescente que apresento. Paix...
