— Por que você tá com essa cara? — Anthony fala, me tirando do meu torpor.
— Que cara? — pigarreio e tomo meu café. Eu sei que estou meio tenso, mas não achei que estivesse dando pra perceber.
— Parece assustado e pensativo... às vezes você arregala os olhos do nada e volta a ficar sério... tá me dando medo. OLHA AÍ! — ele grita, me forçando a olha-lo — Você fez de novo.
— Desculpa, é que... — suspiro e passo s mão no rosto — Eu tô preocupado porque... gozei dentro! — falo a última parte sussurrando.
— O que? — os olhos dele quase saltaram da cara — Dentro da boca eu espero.
— Não, cara... não foi! Eu tô com medo real. Ela disse que começou a tomar anticoncepcional mas eu tô com medo mesmo assim.
— Medo de que? — meu pai fala e entra na sala de jantar acompanhado de Janne — Acordaram cedo!
— Pois é, arrumaram até a mesa! — diz Janne.
— Bom... nós chegamos praticamente agora — digo.
— Sério? Vocês dormiram na casa da menina? Isso é surpreendente. — meu pai diz, com um expressão que beira o horror — Eu não me surpreenderia se fosse só o Anthony, mas você...
— Como assim? Por que não se surpreenderia comigo? — Anthony pergunta, indignado.
— É que você parece ser mais carentinho, do tipo que faria até uma massagem na sua ficante depois do ato.
Solto uma risada. Meu pai, quando quer zoar, não mede as palavras. Anthony continua com cara de indignado, mas parece se divertir. Até Janne achou graça dessa vez, mas sua reação foi mais contida.
— Não ironicamente, eu faria se ela pedisse — Anthony admite.
— Como acabaram dormindo lá? — meu pai questiona.
— Não sei, só aconteceu! — digo, pensando um pouco no que aconteceu — No meu caso em específico, lembro de ter parado pra conversar com a Olívia e depois só lembro de ter acordado umas sete da manhã.
— Minha situação foi exatamente igual! — Anthony diz. — Só acordei quando Heitor foi bater na porta.
— Sujos, fedidos e com a camisinha presa no pau? — meu pai ironiza — Que visão deprimente deve ter sido.
— É... bem por aí! — digo, trocando um olhar cúmplice com Anthony.
Essa constatação do meu pai trouxe de volta meu temor inicial. Acabei de admitir para Anthony que transei sem camisinha e se meu pai acha que usei, não sou eu que vou corrigir.
— Amor, amanhã a gente vai ter que ir ao hospital de novo. — Janne diz, desviando a atenção do meu pai.
Tenho certeza que ela não percebeu meu olhar, só mudou de assunto porque ela não gosta de toda essa cumplicidade amigável entre pai e filho sobre um tema que não deve ser levado tão levianamente. Mas já é meio tarde para tentar corrigir isso
— Pré-natal, né? Okay! — meu pai responde e começa a se servir, assim como Janne.
Engulo em seco e olho para Anthony que parece tão tenso quanto eu, acho que ele tem tanta empatia que pode até sentir meu desespero. Felizmente Janne continua falando com meu pai sobre o bebê e o hospital. Mesmo assim, sinto uma tensão fora do comum e até um pouco de culpa por estar escondendo isso do meu pai.
— Heitor! — a ruiva me chama de repente, me arrancando dos pensamentos — Se assustou? — ela rir levemente, mas logo continua — Seu pai falou que você quer ir fazer faculdade em Seattle... bem longe, né? Do outro lado do país.
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Heitor
Teen FictionTodos adoram uma história com um garoto complicado, e aqui você vai encontrar um pouco disso. Mas, acima de tudo, talvez você se identifique com os personagens, já que não há nada de excessivamente fantasioso no mundo adolescente que apresento. Paix...
