Todos adoram uma história com um garoto complicado, e aqui você vai encontrar um pouco disso. Mas, acima de tudo, talvez você se identifique com os personagens, já que não há nada de excessivamente fantasioso no mundo adolescente que apresento.
Paix...
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Estava voltando para casa quando ouvi um celular tocando. Olhei para o meu, preso no suporte do carro, mas não era ele. Então percebo que o Heitor deixou o celular dele na mochila. O toque cessou logo depois, então não me preocupei, até que começou de novo. Eu não deveria atender, mas vai que é importante. Aproveitei o sinal vermelho, puxei a mochila do banco de trás e procurei o celular. Quando encontrei, atendi e coloquei no viva-voz.
— Alô! Só um instante… — troquei meu aparelho pelo dele para continuar dirigindo com segurança. — Pronto. Pode falar. É… Olívia? — franzi o cenho. O nome apareceu na tela e, por algum motivo, isso me deixou ligeiramente preocupado.
Nunca vi nenhuma garota ligar para o Heitor. Normalmente é ele quem toma a iniciativa, pelo menos é o que dá a entender quando diz que vai sair e "talvez pegar alguém", para mim isso significa que ele vai caçar ainda. Respiro fundo para não tirar conclusões precipitadas e volto a dirigir.
— "É... Heitor, é você? Sua voz está diferente... você tá gripado? Com problema na garganta?"
Dou uma risada divertida, às vezes acontece de confundirem nossa voz por telefone, principalmente minha mãe quando liga. Às vezes ela fala por minutos pensando que sou o Heitor, ou fala coisas para ele pensando que sou eu.
— Sou Christian, o pai dele. Ele deixou celular na mochila. Quer deixar um recado? Se preferir, pode ligar daqui a uns dez minutos, estou indo pra casa e ele já deve estar lá.
— "Hum... eu não sei." — ela hesita, e isso já acende um alerta interno.
— Olha, me desculpa perguntar, mas… sei que meu filho pode ser meio irresponsável às vezes. Você não tá ligando pra dizer que tá grávida, né?
Ouço um engasgo do outro lado. Ela começa a tossir como se tivesse se afogado com a própria saliva. Então, ouço um "não" entre uma tossida e uma refolegada.
— Desculpe! — rio meio nervoso. Pelo menos estou aliviado, só espero que ela não esteja mentindo.
— "Eu só queria convidar ele pra vir aqui em casa! Não estou grávida não, a gente usou até camisinha da primeira vez... não que a gente tenha...feito novamente."
Pressiono meus lábios, sem saber o que falar depois disso. Eu estou acostumado a ouvir as baboseira de Heitor, mas é diferente quando alguém diz que transou com meu filho tão diretamente. Me causa um sentimento de estranheza, como se eu estivesse presenciando a concretização de um fato. Claro, teve vez que acabei ouvindo um gemido ou outro vindo do quarto dele, mas basta sair um pouco de casa ou simplesmente ir para a sala que eu não ouço mais nada e como não fico remoendo, é como se nem tivesse acontecido. Enfim, acabei de me dar conta desse sentimento, se é que posso chamar assim.
— "Mas sabe, é até bom falar com o senhor porque assim posso perguntar o que ele gostaria de comer, quero fazer uma surpresa pra ele"
Isso é incomum, basta, inclusive. Nenhuma garota, até hoje, fez algo assim por ele, pelo menos, não que eu saiba. E acredito que ele teria comentado.