O retorno

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— Você não acha que está na hora de contar pra ele? Daqui a pouco vai estar visível

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— Você não acha que está na hora de contar pra ele? Daqui a pouco vai estar visível. — disse Janne enquanto fatiava um tomate para a salada que prepararíamos para o jantar.

— Eu sei... só não faço ideia de como começar esse assunto. — mordi o lábio inferior, pensativo. — Você viu a cara dele quando falei que queria fazer mais um filho.

— Se acha que ele vai ficar frustrado com a notícia, que tal fazer algo especial? Leva ele pra sair, distrai um pouco. Quando ele estiver animado, você conta. — ela me olhou, depois se aproximou. Sorri ao sentir sua mão acariciar meu peito com carinho.

— Ok, mas sinceramente, não sei pra onde levá-lo. Não tem nada interessante acontecendo.

— Amor... qualquer coisa serve. Faz quanto tempo que vocês não passam um tempo juntos? Só os dois? Desde que ele torceu o tornozelo, ficou meio pra baixo e claramente ainda está. Aquela viagem foi uma boa distração, mas ele ainda não pode fazer várias coisas — ela encostou a cabeça no meu ombro.

Obviamente já falei para ela das coisas que Heitor gosta, além disso, ela é bem observadora, então ela sabe o que é interessante para ele.

— Verdade. Acho que vou levá-lo ao Subway à noite. Ele ama aqueles sanduíches.

Ela sorriu e isso me arrancou um sorriso também. Segurei seu queixo com delicadeza, dei alguns selinhos e a puxei para um beijo calmo que, infelizmente, não durou muito. A campainha interrompeu.

— Eu atendo... e você vai colocar uma camisa! — disse ela, já se afastando.

— Sim, senhora!

Acompanhei seu caminhar até certo ponto antes de me virar e subir as escadas. Ela tem razão. Não posso adiar isso por muito tempo. Heitor vai ganhar um irmãozinho ou irmãzinha. Não foi planejado, mas a verdade é que estou feliz. Janne está com dois meses, descobriu há pouco tempo.

Sei que Heitor não vai ficar bravo, mas ele foi filho único por muito tempo, então pode ser estranho. Vesti uma camisa rapidamente e desci as escadas. Congelei no meio do caminho ao ver aquela figura no meio da sala.

— Oi, Christian... tudo bem? — disse ela, com cautela. Ela parecia medir cada palavra para não me assustar, mas era tarde demais. Eu estava espantado. — Não sabia se ainda te encontraria aqui, mas... tive que arriscar.

Respirei fundo, lutando contra o impulso de explodir. Achei que já tivesse superado aquele capítulo, enterrado o que houve entre nós no passado, mas vê-la ali, depois de tantos anos, me tirou o chão por um instante. Bastou um olhar para que todas as palavras engasgadas, que nunca tive a chance de dizer, invadissem minha mente de uma só vez. Fechei os olhos, soltando um suspiro longo, pesado. Não valia mais a pena despejar tudo aquilo. Não agora. Talvez nunca. Segui em silêncio até a sala, ficando ao lado de Janne.

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