Já faz um tempo que não saímos em família. Antes era apenas eu e meu pai, mas agora Janne está conosco. Claro, eu e meu pai já éramos uma família, mas mesmo assim não saíamos com tanta frequência antes.
Não era falta de interesse. Antes eu estava estudando e ele trabalhando, depois veio a Janne que ocupou o resto do dia do meu pai, ambos trabalhavam também, eu continuei estudando quase o dia inteiro e depois aconteceu toda aquela merda no futebol. Claro, saímos algumas vezes, inclusive fomos para a Disney, mas o intervalo dos passeio foi longo. Enfim, ontem decidimos que dariamos um passeio, mas não sabíamos bem pra onde; não chamo isso exatamente de plano, mas ficou por isso mesmo.
Mineral Wells não é o tipo de cidade que atrai turistas. Na verdade, nem viemos pra isso; o objetivo era visitar meus avós. Mas meu pai queria fazer algo diferente.
Saímos com tudo certo e nada resolvido, nossa primeira parada foi um parque público que tem local para caminhada e pesca. Não foi uma experiência desagradável, mas meu pai me fez passar protetor solar a cada dez minutos mesmo que eu estivesse todo coberto e parece até que minha pele ficou mais grossa. Não pescamos, claro. Ficar muito tempo sob o sol não seria bom pra ninguém, e pra mim, nem se fala. Aqui o calor é quase insuportável, especialmente entre as duas e cinco da tarde.
Normalmente nem sairíamos nesse horário, mas se deixássemos pra muito tarde, não haveria mais o que fazer. Poderíamos ter saído de manhã, é verdade, mas eu gosto de dormir até tarde para compensar os anos que acordei cedo para ir a escola. E também, Janne não se sente muito bem disposta pela manhã, ultimamente ela tem acordado com bastante enjoo, mas quem precisa lidar com isso é meu pai.
Depois do passeio no parque, fomos dar uma olhada em algumas lojinhas e compramos alguns bibelôs de lembrança. Agora estamos em uma lanchonete que parece saída direto de um seriado americano. Sério, o lugar tem aquele ar de “beira de estrada”, com bancos de couro vermelho, chão quadriculado e um jukebox no canto. Me sinto dentro de um episódio de Supernatural, só faltava o impala 67 estacionado lá fora.
— Poxa, filho! — meu pai diz do nada — Você tá com o rosto um pouco vermelho. Não tem jeito, só saíndo quando o sol estiver se pondo para que não agrida sua pele.
— Relaxa com isso! Não é como se eu fosse pegar câncer de pele só com esse solzinho. — pego em minhas bochechas, eu estava de óculos, então certamente são as bochechas que estão vermelhas, é provável que a ponta do nariz também esteja — De qualquer forma, eu aceitei sair nesse horário. Gosto mais de sair à noite, mas só se for pra encontrar alguma garota. Se estivéssemos em Fort Lauderdale, poderíamos ir à praia. Aqui não tem muito o que fazer.
— É verdade. Quando nós chegarmos em Fort Lauderdale, iremos para a praia! Mas só no final da tarde.
— Eu gosto da ideia! Ver o pôr do sol, sentir aquele vento salgado da praia.... — diz Janne, bem sonhadora — Se a gente for umas seis horas vai ser perfeito! Sem aquele calorão, sem queimar a pele...
— Parem de se preocupar tanto com pele, tá me dando nos nervos!
Eu não entendo minha pele, acho que só o calor é o suficiente pra me deixar vermelho. No parque, nós até ficamos procurando sombra o tempo todo para passar o tempo. Até de chapéu eu tô, então só pode ser culpa do calor.
— Pelo menos não vai descascar — diz meu pai, tentando soar despreocupado. — Tá só um pouquinho vermelho.
Aham, sei. Ele finge calma, mas aposto que tá morrendo de medo de eu pegar câncer. Tá, eu também não quero isso, mas ele exagera.
— Faz uma skin care quando chegar em casa, ajuda a aliviar — diz Janne, animada. — Eu tenho uns produtinhos ótimos.
— É verdade — meu pai completa, todo empolgado. — São bons mesmo!
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Heitor
Teen FictionTodos adoram uma história com um garoto complicado, e aqui você vai encontrar um pouco disso. Mas, acima de tudo, talvez você se identifique com os personagens, já que não há nada de excessivamente fantasioso no mundo adolescente que apresento. Paix...
