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Música do capítulo: Tom Odell - Another Love.

Abracei a cintura de Hoseok enquanto caminhava ao seu lado, e falei baixinho.

—Você nunca foi muito bom com as palavras, certo?

O mesmo suspirou e falou calmamente.

—Nunca soube quais palavras lhe descrever o quanto estava confuso e o quanto não fazia ideia do que poderia fazer. Lembro como se fosse hoje do que fiz com você, confesso que estava ciente de absolutamente de tudo o que estava fazendo, mas isso não justifica o quanto eu fui ruim para você, sei que, em palavras jamais conseguirei demonstrar o quanto eu realmente me arrependo do que fiz com você.

—Hey... Shh, tá tudo bem, tá bom?

Sorri mínima para si, e lhe fiz carinho na bochecha o ajudando a sentar próximo a uma árvore, assim parando para descansar um pouco.

—Eu sei, que apesar de tudo o que fiz com você... Nunca serei digno do quanto você me perdoou, e do quanto me amou...

—Eu não... Lhe amo.

—Minta para você mesma, mas o que você sentia pelo Jung e pelo Tae nunca foi algo verdadeiro quanto o sentimento que floresceu em nós.

—Sabe, eu acho que já sou bem grandinha para decidir o que quero ou não para mim, e principalmente para dizer se amo a alguém, ou não. -Ditei rígida o olhando nos olhos, e suspirei passando a mão por minha face e falei calmamente.—Desculpa... Você... Apesar de tudo, tem razão.

—Bom... Não ficarei zangado por você ter me respondido desta maneira, sei que mereço isso e muito mais, afinal o que fiz não é capaz de ser perdoado.

—Eu te perdoo.

Falei rápida e me sentei próximo de si, assim falando calmamente.

—Você já teve a chance de me entregar, mas não o fez... Por que?

—Por que, eu lhe amo, apesar de seu ódio ainda falar mais alto que qualquer coisa, eu a amo, e compreendo o por que de está tão zangada...

—Menti quando disse que não o amava...

Falei suavemente segurando sua mão, e sorri levemente.

—Mas acho que este sentimento deve permanecer no passado... Nossos mundos se misturaram demais, e agora nós dois estamos enfiados em encrenca.

—Sabe a vez que a deixei para viajar para junto de meu pai, naquele missão fajuta?

—Hm...

Murmurei para que continuasse, e mordi levemente os lábios observando com atenção a seus lábios e face.

—Fui levado pois havia me apaixonado em vez de ter feito a mesma coisa que Taehyung, seu destino ficou em minhas mãos, e eu devia ter acabado com tudo no exato momento que voltei, mas quando eu te vi, não fui capaz de fazer absolutamente nada. Pois, meu coração batia rapidamente, e minhas mãos estavam fracas demais para fazer qualquer coisa contra você...

Afirmei levemente, e falei enquanto apoiava a cabeça em meus joelhos.

—Me lembro bem que você não conversava comigo, sequer me olhava nos olhos... O que realmente aconteceu naqueles dias?

—Tae e Jung foram destinados a tentar qualquer coisa com você, para te preparar para o casamento, que no caso seria sua morte, obviamente se o Jung não tivesse perdido a cabeça e tivesse levado o plano de sua mãe por água abaixo.

Movi o rosto para o outro lado encarando o nada, e murmurei.

—E é aí que você percebe o quanto sua vida era uma puta mentira, sequer casei de verdade, sequer tive uma vida de verdade.

—Desculpa, mas colaborei com tudo, apesar de depois ter me apaixonado por você, ainda assim, colaborei com tudo aquilo, e sei que você pode ficar com raiva e me bater, mas, eu não tive muita escolha.

Afirmei devagar, e perguntei.

—Meu pai sabia de tudo, por que não me contou nada?

—Sua mãe pagava ele muito bem para que não falasse absolutamente nada, e ele não tinha do que reclamar, já seu pai verdadeiro, queria que você tivesse morrido, logo que nasceu.

—O que aconteceu com a mulher do meu pai?

—Ela morreu no parto do Jung, por seu pai não aguentar ver a morte dela, ele aceitou o trato com sua mãe, para lhe criar e ela criar o Jung.

Agora boa parte das coisas começaram a fazer sentido.

Dei de ombros e falei suavemente o olhando de relance.

—Sinto muito se desde meu nascimento te coloquei em encrenca.

—Na verdade, eu era tão criança quanto você, você tinha um ano, e eu tinha cinco, eu adorava te ver caindo, era bem engraçado.

Lhe bati no ombro devagar, e ri baixo.

—Voce é um idiota.

—É... Eu sei, me desculpe por tudo...

—Por que está se despedindo?

—Por que eu não irei aguentar... Sinto que meu corpo chegou ao seu limite.

—O quê?

Um sorriso largo se despôs em seus lábios, e o mesmo falou suavemente.

—Eu estou morrendo, você precisa ir embora.

Disse o mesmo, assim tirando a mão de cima do ferimento e levantou sua camisa me mostrando a marca de uma facada.

Coloquei a mão sobre a boca um tanto horrorizada, sentindo então as lágrimas me descerem pela face.

—Hobi...eu... Eu...

—Não chora baby...

Murmurou o mesmo, e me fez carinho na bochecha, enquanto me observava.

—Eu não lhe permitir morrer assim desta maneira...

—Voce não precisa permitir nada... Infelizmente, sobre isso você não tem poder, mas quanto ao seu futuro, certamente você tem... E sabe, acho que fico feliz por enfim poder ir... E saber que você foi a última pessoa que eu vi...

—Guarde este fôlego, eu irei chamar uma ambulância.

—Não Hayle... Se salve por favor, não faça nenhuma bobagem...

Balancei a cabeça com os olhos repletos de lágrimas, e falei em tom choroso.

—Não, eu não vou fazer isso...

—Vá...DE UMA VEZ!

Gritou o mesmo, e cobriu novamente sua barriga, assim engolindo a seco, e murmurou.

—Me desculpe, mas, seu tempo está acabando...

Murmurou, e eu ouvi o som de um avião, provável que fosse um helicóptero, ou algo do tipo.

—Hobi... Eu vou, mas eu vou voltar pra te salvar...

—Eu sei que vai...

Disse sorrindo e abaixou a face choramingando em dor.

Me virei rapidamente de costas e comecei a correr, o mais rápido que conseguia, afinal estava próxima demais de onde Hoseok estava, e provavelmente, este estava com um localizador ligado.

Não sabia mais que rumo seguir, apenas sabia que devia continuar, e assim fazia, corria como se houvesse alguém atrás de mim, e aquilo jamais faria sentido para mim, pois na verdade estava fugindo de ver Hoseok definhar até a morte.

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