Passava de uma hora da madrugada quando nós voltamos para minha casa. Severus cedeu a dele para Narcissa, e Andromeda tinha se oferecido para ficar com ela enquanto decidíamos sobre todo o resto. Ele poderia ficar em Hogwarts, todos temos aposentos reservados para nós lá. Mas da mesma forma que foi natural nos abraçarmos aos pés da cama de Minerva no hospital. Foi natural para nós apenas ficarmos juntos aqui.
— Você vai ficar comigo de agora em diante. — Afirmei quando o vi deitar com uma leve rigidez nas costas e se aninhar no meu travesseiro.
— Tudo bem. — Ele sussurrou, quando lhe entreguei um frasco de poção calmante. — E só para você saber, eu não iria embora. — Ele concluiu.
Sorri levemente, antes de esticar o braço sobre a cama para pegar a mão dele.
— Eu sei. Você me ouviu quando prometi que tudo o que fizermos, faremos juntos.
— Como bons soldados. — Ele afirmou.
Desviei o olhar dele por um momento para evitar mostrar que não era isso o que eu quis que significasse e fiz sinal para que se deitasse de bruços. Severus inspirou longamente antes de remover a camisa e se abraçar com o meu travesseiro.
— Você quer falar sobre isso? — Perguntei, antes de mergulhar meus dedos no pote de unguento e começar a espalhar sobre os ferimentos nas costas dele.
Demorou um tempo para que ele respondesse.
— Não. — Finalmente disse numa voz que saiu abafada por causa da posição de sua boca, enterrada na fronha.
— A dor está num nível muito alto? — Não foi uma pergunta doce, mas um comando da minha profissão. Ser uma curandeira me tornava clínica demais por algumas vezes.
— Sim. — Ele soltou, estremecendo quando meus dedos passaram na ferida mais profunda.
— Sei que Minerva é importante para você. — Falei baixinho. — Mas não devia ter ido até o hospital nessas condições. Se tivesse me avisado, eu teria dado um jeito de colocar seus ferimentos mais graves em êxtase por tempo suficiente para você ir vê-la. Eles não teriam reaberto e lhe deixado neste limite.
Severus não respondeu. A respiração dele ainda oscilava e eu sabia que a poção calmante ainda não tinha surtido o efeito completo. Terminei de aplicar o unguento sobre suas costas, me levantei para lavar as mãos e apanhei os frascos de poção de alívio da dor e sono sem sonhos do meu estoque no banheiro.
Ele estava de olhos fechados quando voltei ao quarto. Me ajoelhei junto a ele com os frascos das poções em uma mão e uma toalha fina com um feitiço refrescante aplicado sobre ela, na outra. Severus se elevou num dos cotovelos para beber os líquidos, voltando em seguida a sua posição de bruços e eu cobri suas costas com o tecido gelado.
— Você vai parar de ser a pessoa que não pede ajuda e faz tudo sozinho ou isso vai destruir você. Vai reconhecer os sinais de que precisa de apoio e falar comigo antes de ser tarde demais. — Não era uma afirmativa, mas um comando. — Nunca mais fará com que ferimentos seus não pareçam nada, Severus. E não toque na magia elementar até ter descansado o suficiente. Entendeu?
Ele balançou a cabeça, assentindo em concordância. Eu me assentei na poltrona ao lado da cama para ler um pouco e reaplicar os feitiços de resfriamento no tecido nas costas dele a cada quinze minutos. Reapliquei o feitiço por mais três vezes, até que enfim a respiração dele se estabilizou e Severus finalmente dormiu.
Removi a toalha fina de suas costas e o cobri até a cintura com a manta da cama. Apaguei o abajur antes de me juntar a ele sob as cobertas, e mesmo mergulhado no sono induzido da poção, Severus me puxou delicadamente para si e minhas costas se aconchegaram em seu peito. Eu me dei conta de que essa posição podia se tornar a minha maneira favorita de adormecer.
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Novo Mundo
FanfictionA magia se foi. Mas não para todos. Os nascidos trouxas e mestiços ainda detém parte dos seus dons, e agora, toda a comunidade bruxa depende daqueles que um dia foram subjugados. Aqueles que ainda portam suas varinhas se reúnem diariamente em Hogwar...
