3 - Efeitos

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Os próximos dias passaram sem intercorrências e ainda tão agitados como eram normalmente. Medibruxos nos examinaram, aurores mediram a potência dos nossos escudos, e Minerva exigiu vestes novas para todos, o que nos fez aparatar até o Beco Diagonal para tirar medidas com Madame Malkin. Depois de cada pequeno pedaço de uma manhã, eu trabalhava; e todas as noites, eu ia caminhar pela floresta com Hagrid ou nadar no lago negro, para relaxar. Assim que chegava no meu quarto, falava com Harry ou algum dos meus outros amigos.

Todos queriam saber como era Snape hoje em dia, mas eu não tinha nada para lhes relatar. O homem olhava tudo o que fazíamos e ficava em todos os treinamentos apenas assistindo. Ele não falou ou interagiu com qualquer um de nós. Isso foi decepcionante para todos que perguntavam. Ele apenas ficava lá, imóvel. Sua apatia era tão ruim assim.

Mas, afora a impassividade do meu coorientador, não havia nada para me queixar. Porém, na manhã que o Ministério marcou uma de nossas sessões de fotos individuais — as fotos que eles usavam de nossos rostos como "a esperança mágica" —, eu soube que algo daria errado.

A primeira coisa que saiu da boca do jornalista foi um mal falado "Hermionini" e, mesmo depois de corrigi-lo, ele continuou chamando errado; me senti novamente no baile de inverno do quarto ano, tentando ensinar Victor Krum a pronunciar o meu primeiro nome. E, quando alguém mexe continuamente com seu nome, mesmo após corrigi-los, é um sinal. Neste caso, um sinal claro de que esse jornalista é um idiota.

Tentei me afastar dele. Geralmente eu tentava fugir, mas ultimamente haviam tantos deles que era impossível. No minuto que avistei um grupo de repórteres de televisão no local onde as fotografias seriam tiradas, meu instinto agitou. Não, não, não! Comecei o meu método de me manter longe da localização deles tanto quanto possível. Deixei-os pegar os outros primeiro. O grupo mais distante da entrada abordou Justin, outro nível 9. Obrigada, Merlin! Então, eu vi mais um grupo mergulhar sobre Cho, e senti um raio de alívio correr através do meu estômago. Só mais três metros e eu ficarei livre deles. Meu coração começou a bater mais rápido e tive a certeza de manter os meus olhos para a frente. Sem contato visual. Dois metros. Merlin, por favor, por favor, por favor!

― Granger!

Oh inferno!

Olhei e suspirei de alívio quando o repórter gritando não tinha uma câmera com ele. Provavelmente era algum autor de blog. Confirmei isso quando as primeiras perguntas que ele me fez foram normais: se meu nível mágico era o mesmo; como o treinamento estava indo; quem eu pensava que poderia ser o maior bruxo entre os integrantes novos. Mas, no momento em que ele estava terminando sua última pergunta, e eu me preparando para respondê-la, ouvi os repórteres, que eu tinha ignorado, iniciar conversas em vozes altas.

E vale deixar registrado aqui, que não haviam repórteres ou jornalistas esperando por nós antes de um dia comum de treinamentos, eles só apareciam às vésperas de competições mágicas com outras escolas, ou antes do Torneio Tribruxo. É como tinha sido nos últimos tempos; antes de Severus Snape reaparecer. Os olhos do jornalista vislumbraram a área atrás de mim enquanto eu falava, olhando e esperando alguém que também pudesse entrevistar. E a partir do olhar sobre o rosto dele quando viu seu próximo alvo, eu sabia quem tinha chamado sua atenção.

Nem mesmo dois segundos depois, Snape passou afastando três jornalistas que estavam tentando chamar a atenção dele para fazer perguntas enquanto empurravam suas câmeras e dispositivos de gravação em direção ao rosto dele. Ele pode ficar longe e ser antissocial, mas eu não?

O jornalista me perguntou lentamente:

― Você mantém contato com os outros membros do trio de ouro?

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