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pov's Nicole

Eu conheci a Gisele quando ela começou a trabalhar na empresa como minha secretária pessoal, a mais de três anos atrás. Confesso que ela despertou em mim algo que eu nem lembrava da existência, desejo. Em algum momento nós nos aproximamos e isso se tornou algo, embora ela tenha me dito várias vezes que é apaixonada por mim eu sempre deixei claro que nunca mudaria nada da minha vida para ficar com ela, e ela me quis mesmo assim.

Eu realmente sempre pensei nela somente como algo além de uma boa amiga, mas nada que envolvesse sentimentos, algumas vezes eu me determino a acabar com tudo, porém no final eu sempre cedo ao desejo. Depois que Sara se foi eu fiquei anos sem saber o que era sentir prazer e ela me proporciona isso, eu gosto da sensação de não precisar fingir e com ela eu não preciso.

Porém desde que Sara voltou eu venho lutando em um conflito interno, eu tenho Sara de volta e ela me proporciona todo o prazer que eu desejo, que o meu corpo precisa. Mesmo assim eu ainda procuro por Gisele, as vezes opto por vir ficar com ela ao invés de Sara, o que me faz pensar se realmente era só prazer.

Chego em frente ao grande portão, saio do carro e toco a campainha, consigo escutar o barulho das crianças brincando e logo o barulho de um cadeado sendo destrancado.

— Nih — Gisele me abraça.

— Como você tá? — Questiono acariciando seus cabelos.

— Bem — Ela responde se afastando do abraço — Veio buscar as crianças.

— Na verdade não, só vim saber se estão bem — Falo — Eu vou para a delegacia daqui a pouco, não é um bom lugar para levá-los.

— A éh, está certa! — Ela fala e pega na minha mão — Vem cá.

A sigo para dentro e vejo as crianças na sala, eles começam a falar sobre como tá sendo legal ficar com a tia Gisele e tudo mais.

Sempre adimirei a Gisele com crianças, ela é tão doce e ao mesmo tempo sabe por ordem.

— Crianças a gente vai conversar agora, fiquem aqui — Ela pede e me puxa até o quarto.

Entramos, a porta é trancada por ela, e eu sou surpreendida por um beijo quente e apaixonado.

— O que aconteceu? — Questiona preocupada se separando.

— Estou saindo de casa, vou pedir divórcio — Informo ela.

Sara sabia sobre Gisele, porém nunca tive coragem de contar a Gisele sobre quem Sara realmente é.

— Você sempre me disse que não se separaria de Algusto, aconteceu alguma coisa? — Ela pergunta preocupada.

— Acho que já está na hora de me livrar dele — Falo para ela.

Vejo um brilho surgir no fundo dos seus olhos e me repreendo por isso.

— Gisele, mesmo assim, o que temos jamais será algo sério — Aviso de maneira cautelosa — Eu amo outra pessoa.

— Ei — Ela fala com a voz doce — Tá tudo bem, eu estarei aqui sempre pra você — Ela se aproxima e me beija novamente — Eles estão sentados na sala, podemos aproveitar — Ela sussurra — Bem rapidinho.

Sinto minha respiração mudar e uma briga interna começa, algo que pede para eu ceder ao desejo e algo que me pede para ser racional, pois o grande amor da minha vida está quase morrendo em uma cama de hospital.

— Desculpa Gisele — Me afasto — Agora não é o melhor momento.

— Tudo bem — Vejo o brilho de esperança nos seus olhos darem lugar a um brilho de frustração.

— Eu só quero pedir para você ficar com as crianças hoje e caso Algusto venha, não as entregue a ele - Peço.

— Tudo bem, vou cuidar deles - Ela fala e sai do quarto.

A acompanho logo atrás, dando de cara com as crianças sentadas em um tapete no chão assistindo desenho na televisão.

— Quero um abraço — Peço e os três se levantam e vem até mim — Vocês vão dormir aqui na tia Gisele, tá bom? — Aviso abraçando eles — Se comportem.

Fico alguns minutos com eles e depois vou para a delegacia. Consigo alguns detalhes do acidente de Sara, um carro que vinha em alta velocidade bateu no carro dela com tudo e o empurrou, fazendo ele bater em um poste de energia. Quem dirigia o carro era um adolescente e tinha uma mulher no banco do carona, ambos morreram de imediato – mesmo sendo cruel e desumano de minha parte, um pedacinho de mim gritou "bem feito!".

— Obrigada pelas informações — Agradeço o policial que me atendeu.

— Por nada.

Saio da delegacia e entro no carro, antes de sair dirigindo sem bem saber para onde, pego meu celular e mando mensagem para uma colega pedindo o contato da advogada que vem cuidando do seu processo de guarda dos filhos, ela prontamente me envia e eu entro em contato.

Um tempo depois começo a dirigir e descido ir para Rosário – caso mude algo no estado de saúde de Sara, estarei mais próxima e não a duas horas de distância –, alugo um quarto de hotel perto do hospital e me instalo nele por enquanto.

O PASSADO SEMPRE VOLTAOnde histórias criam vida. Descubra agora