- Isso não é bom.... – a senhora ao meu lado disse se encolhendo.
Franzi a testa observando os diversos cavalos pararem próximos ao chafariz que ficava ao centro da praça, apenas alguns passos de onde estávamos. Em cima dos equinos estava quatro dos cinco conselheiros, alguns guardas reais, o responsável pela coleta das moedas e um chefe de guarda conhecido.
O tesoureiro real, que os camponeses apelidaram "gentilmente" de Caronte, vinha com o rei de quinze em quinze dias buscar os impostos. Havia um boato de que o conselheiro que faltava estava em uma das masmorras reais por ter ido contra uma das ordens do rei, mas ninguém sabe se é verdade.
- Eles vieram na semana passada.... o que fazem aqui? – questionei.
- Ah menino.... – ela suspirou – o açougueiro Ruan está doente há semanas, já recebeu os três avisos. Se não pagasse na semana passada, o levariam. E ele é um homem sozinho, sem filhos ou esposa para cuidar de seu trabalho, estando debilitado fica difícil abrir.
Assenti olhando para os lados, o rei não estava presente.
"Devíamos fazer algo à respeito, não acha? Eles são todos alfas, nossa presença vai causar certo poder sobre eles, sabe disso! Podemos nos aproveitar e ajudar o pobre senhor, ele duraria poucas horas em uma masmorra."
Tentei ignorar as palavras de meu lobo, acreditando que talvez, estivessem a procura de um outro devedor, mas pararam em frente ao açougue e batiam na porta do local. Respirei fundo e assenti, se meu lobo não tinha medo ou receio eu também não deveria, além de sermos um só, ele sabe o que está fazendo.
Deixei as bandejas sobre a mesa rustica em que a senhora distribuía as sopas e carreguei apenas uma nas mãos, caminhando até parar em frente aos homens em seus cavalos cheios de adereços e frufrus.
- Senhores.... – me curvei respeitosamente e os cumprimentei de forma educada – o que nosso humilde vilarejo pode os oferecer nesta manhã?
Fui educado, além do mais, nenhum deles possuía uma atitude autoritária ou ameaçadora, todos ali estavam cumprindo ordens de cima.
- Jovem ômega, estamos a mando do rei para pegar Ruan por não pagar seus devidos impostos – um dos conselheiros disse e assenti.
- Ele já é um homem bem vivido... tem a saúde frágil, estava doente e ainda não se recuperou para vir trabalhar – fui sincero – ele sempre pagou as taxas em dia, não poderiam deixar passar?
- Jeon não da uma quarta chance garoto – um outro disse de cabeça baixa.
- E se fizéssemos um acordo? – pisquei algumas vezes tentando entender porque eu disse aquilo.
- Filhote.... o que está aprontando? – o chefe da guarda desceu de seu cavalo e se aproximou de mim.
- Oi papai.... – respondi com um sorriso no rosto, sentia sua falta – estou fazendo o que o senhor e meu outro pai me ensinaram, estou ajudando quem precisa.
- Contra uma ordem real? – ergueu as sobrancelhas e revirei os olhos, infelizmente nem sua pose de alfa ou a tentativa de dominância me afugentavam.
- Namjoon, o conhece? – Caronte perguntou apontando em minha direção e o chefe da guarda assentiu.
- É meu filho, ele costuma ser bastante.....
- Justo? Honesto? Qualquer outra virtude que a Vossa Alfeza não possui? – debochei, deixando todos os alfas a minha frente perplexos e assustados – não me olhem assim, sei muito bem que gostariam de dizer a mesma coisa, o rei não está presente e sei que não perderiam seu tempo e nem mesmo gostariam de ter suas vidas ceifadas, como o quinto conselheiro. Estou disposto a fazer uma barganha, onde uma pessoa inocente não será levada por vocês e o carinha da coroa fica infeliz como sempre.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Lenda do Lobo Dourado
FantasiNo começo, existia um rei impiedoso. Que foi amaldiçoado a ver todas as pessoas que amava morrer, até se sentir culpado pelas coisas que havia feito. Porém, o amor não cura todos os problemas e o rei continuou sendo um homem terrível. Até o dia em q...
