Filipe Ret:
Acordei com um bagulho no meu ouvido. Empurrei a Anna de cima de mim e me virei pro outro lado.
Ret: Desliga isso aí, porra! — ela me deu um tapa nas costas e eu gemi de dor pela ardência — mão pesada da desgraça!
Falei puto e ela se levantou. Entrou no banho e ficou. Tentei dormir, mas não deu certo não. Ela saiu do banheiro enrolada na toalha e eu fiquei observando.
Anna: Que foi, Ret? — se virou depois de se vestir.
Ret: Filipe... — ela me encarou confusa — Meu nome é Filipe, Filipe com "i" e não com "e".
Ela riu e veio até mim, me dando um selinho.
Anna: Ok, Filipe com "i" e não com "e".
Sorri de lado e ela foi terminar de se arrumar. Ainda estou morrendo de sono, como ela também. Mas ela tem que trabalhar e eu mesma bosta.
Entrei no banheiro, escovei os dentes e dei aquele mijão. Lavei o rosto e saí abrindo o guarda-roupa. Peguei uma bermuda preta e uma blusa do Brasil branca. Joguei a blusa no ombro e vesti a bermuda.
Joguei as correntes e os anéis no dedo. Passei aquele perfume e o desodorante.
Coloquei a glock na cintura enquanto a Anna penteava o cabelo. Puxei de leve o cabelo dela, que suspirou.
Anna: Cansa não, cara? — neguei.
Ela se virou e colocou os braços ao redor do meu pescoço. Beijou minha bochecha.
Ret: Vai pra casa depois do serviço? — ela concordou.
Anna: Eu volto quando tiver tempo. E lembra do que eu disse sobre a Dani.
Depois do papo... quer dizer, depois que eu disse que ela estava no meu nome e que eu vou ser todo dela, ela disse que isso ainda não era nada. Falou que se eu não fizer o pedido, a gente não namora. Falou que se eu não colocar aliança no dedo dela, ela vai continuar solteira.
Otária!
Tá namorando comigo e nem sabe. Mas ela é minha, como eu sou todo dela, pô. Ela ficou um bom tempo comigo conversando sobre a Dani.
Ret: Ok...
Ela me deu um selinho e pegou a mochila.
Anna: Já vou indo...
Puxei ela para um beijo calmo, logo separamos por falta de ar.
Anna: Avisa a Dani que vou ter que sair cedo hoje, tchau, vida!
Me deu um selinho e saiu pela porta sem eu dizer nada.
Otária!
Terminei de me ajeitar e saí do quarto. Esbarrei com um corpo e vi a Dani no chão. Segurei a vontade de rir e olhei pra ela sério.
Dani: Podia olhar por onde anda, né? — falou fazendo careta.
Ret: Levanta do chão, vai se sujar todinha, ô.
Ela me encarou por um tempo e se levantou. Peguei a mochila dela e a entreguei.
Ret: Aula normal? — ela concordou. — Te levo, aproveita e come fora.
Ela não disse nada, só saiu. Saí de casa e entrei no carro. Ela entrou jogando a mochila pra trás e eu saí do morro avisando o pessoal.
Três motos e dois carros.
Dani: Tanto de gente é esse?
Ret: Tô sendo procurado, Dani.
Ela deu de ombros.
Parei na padaria e desci. Ela desceu desconfiada e me olhou.
Ret: Tô na maior larica...
Ela não respondeu e a gente entrou. Pedi um misto com ovo e um suco de laranja. Ela pegou um bolo de chocolate e uma coca.
Ret: Doce e refri uma hora dessa?
Dani: Sim, ué. Não é comida?
Revirei os olhos.
Ret: Se passar mal, não vou buscar ninguém na escola.
Dani: Qual a diferença? Tu nunca foi...
Falou cruzando os braços.
Não respondi.
Ret: Como tá indo as notas?
Dani: Normal...
Ret: Normal como?
Ela me olhou e desviou o olhar.
Dani: Depende da nota que você fala... 5,6...
Ret: Tá de sacanagem?
Dani: Quer o quê? A culpa não é minha não!
Encarei ela.
Ret: Então é de quem?
Dani: Talvez sua? Da mãe?
Fiquei olhando pra ela.
Dani: Eu faço o meu máximo, só aí consigo, ué...
Ret: Você tem dificuldade?
Ela concordou.
Logo terminamos de comer. Levei ela pra escola e voltei pro morro.
Resolvi os B.O. e logo a Anna me ligou.
Fiquei conversando com ela e depois fui tomar um banho.
Jantei e fui dormir. Quando acordei, fui resolver esse bagulho da Dani. Nunca fui na escola, tá ligado? Não quero que minha filha desista por ter dificuldade demais no bagulho.
Não quero que ela siga os mesmos passos que eu.
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Primeira dama
FanfictionCom ela a vida tem momentos incríveis Com ela todos meus sonhos são mais possíveis Lucros invisíveis são melhores Separados somos fortes, juntos, imbatíveis...
