— Quinze dias, Hacker— E assim eu me levantei da cadeira, deixando algumas notas a mais para a atendente simpática.
Enquanto eu caminhava em direção a porta, vi a garota ruiva sorrir para mim. Eu retribuiria se não tivesse visto a marca alemã em seu pescoço. Sabia que estavam entrando no território de Hacker, mas não no meu. Ouvi histórias sobre o dono de lá estar enviando espiões para saber como são as coisas por aqui e também, que ele quer abrir caminho para suas vendas ilegais. Talvez uma possível guerra esteja vindo por aí e essa é outra das informações valiosas que eu tenho.
— Está chovendo demais para que você vá de moto— Não é possível que ele ainda esteja preocupado comigo— Entra no carro, Michel
Continuei caminhando até o estacionamento enquanto decidia internamente se iria ou não, entrar naquele jaguar preto. Não ficaria por muito tempo, considerando que o escritório do meu pai é logo a frente e realmente estava chovendo bastante agora, é até perigoso eu sair com a moto, e ainda mais, sem o capacete. Então fui até seu carro e parei diante da porta, não sabia se estava trancada.
— Esperando algum convite especial?—E assim ele entrou e se sentou no banco do motorista, o bom humor de Vinnie.
Puxei a porta e me sentei no banco ao seu lado.
Ao mesmo tempo de que sua presença podia dar conforto e segurança, eu também não conseguia deixar de me sentir insegura por estar tão perto de seu corpo quente. O mesmo corpo que segurou meu mundo enquanto ele estava desabando diante de seus olhos.
Vincent deu partida com o carro e a velocidade com que o caminho seguiu, me fez apertar as mãos nas coxas e o ritmo do meu coração se tornar mais acelerado. Mas o que eu estava sentindo não era medo, céus, esse sentimento nunca poderia ser comparado com o medo.
Olhei para o lado e vi que Vincent estava completamente focado na estrada, e mesmo assim, não pude evitar sorrir quando ouvi o barulho dos vidros descendo. Gotas finas de chuva tocaram o meu rosto e o vento gelado fez meus cabelos ficarem uma completa bagunça.
— Para o carro, Hacker— Pedi e ele sorriu, movendo sua cabeça para os lados— Por favor, para o carro.
Quando seus olhos encontraram os meus, mesmo que por apenas alguns mínimos segundos, eu vi que suas pupilas estavam dilatadas e Vincent tinha um brilho diferente no olhar, algo completamente apaixonante e vicioso.
Era lindo
Hacker era lindo.
Quando o loiro finalmente parou o carro, desci correndo para sentir a grama molhada nos pés e o cheiro da chuva fina que estava caindo. Fechei meus olhos e inclinei a cabeça, eu nem sabia ao certo o porque de estar tão feliz do nada. Apenas sentia que esse era um momento bom, um momento já vivido e que merecia ser lembrado de uma forma tão linda como ele um dia possa ter sido, mesmo que eu não consiga me lembrar.
Quando finalmente abri meus olhos, pude ver o homem a minha frente. Vê-lo de verdade, de uma forma que nunca enxerguei Hacker. E nesse momento eu soube, nós estávamos conectados de alguma forma. Pois o mesmo brilho nostálgico que estava em seu olhar, eu sabia que estava no meu.
Então eu sorri, apenas gargalhei como se meu fôlego nunca pudesse acabar e Vincent me acompanhou. Sua risada grossa e um pouco tímida me encantou de todas as maneira possíveis, mas então o seu sorriso começou a ir embora, mas eu agarrei a lembrança bem fundo para que nunca fosse tomada de mim como várias outras foram.
Uma lágrima escorreu em seu rosto e meu corpo ficou paralisado quando vi o homem menos vulnerável que eu conheço, cair de joelhos e deixar as lágrimas virem. Cada uma delas parecia como um soco na boca de seu estômago, eu via a dor em seu rosto, a pior delas.
— Eu perdi tudo que eu tinha— Me aproximei para poder ouvir a sua voz em meio aos seus soluços— Eu a amava tanto, e me tiraram a única razão que eu ainda tinha para sobreviver.
— Vincent, do que está falando?— Me ajoelhei em sua frente e toquei em seu rosto molhado, seus olhos se fecharam para aproveitar o carinho em sua pele macia.
— Acha mesmo que eu odiaria sua família atoa? Eles mataram o amor da minha vida! Tiraram ela de mim, e eu não tive nem a chance de me despedir dela, Alyson— Seus olhos permaneciam fechados, mas eu ainda conseguia sentir a sua dor e quando me dei conta, lágrimas também escorriam pelo meu rosto.
Eu não conseguia dizer absolutamente nada, por medo de falar algo errado. Então apenas abracei seu corpo trêmulo e de coração vulnerável, como se o homem em meus braços pudesse se quebrar a qualquer momento e eu fosse pegar cada um de seus pequenos pedaços. E eu faria isso, mesmo que pudesse me machucar no processo, cataria um por um.
Eu sabia qual era sensação de perder algo e não saber como continuar sem ele, eu também perdi a única pessoa que eu amei a anos atrás.
Quando tudo aquilo aconteceu, a última coisa que eu vi antes de ser levada, foi o garoto que eu amei, tomando um tiro que era para ter acertado em mim. Meus pais me dizem que ele nunca existiu, que nunca amei ninguém de uma forma romântica e que no dia do sequestro eu estava sozinha, mas é impossível. Me lembro da cor do seu sangue, pintei com esse mesmo tom de vermelho por anos e anos, lembro do tom grave de sua voz e da sua risada rouca e com um pouco de timidez.
Posso não me lembrar de seu rosto, mas eu sei que ele estava lá. Eu sei que o garoto existiu em minha vida e ainda estou determinada a encontrá-lo.
— Eu estou com você, Vincent. Estou aqui com você, eu prometo que vou ficar— Seus braços se apertaram ao meu redor, e suas lágrimas se intensificaram.
Nós iríamos superar o passado
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Rose Dans Le Crâne
RomanceParece faltar algo em sua vida, uma parte da garota a deixou naquele dia. Assim como as paredes brancas daquela casa se tornaram vermelho sangue, algo dentro de Alyson se foi junto com as lembranças bloqueadas pela sua mente. Como seria possível sen...
