Capítulo- 24

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Minhas mãos não paravam em apenas um lugar, estava completamente ansiosa por entrar naquele lugar acompanhada dos meus irmãos. Vincent poderia ter solto meu pai a horas atrás, mas ele obviamente quer provar algo, e digo isso com toda a certeza do mundo.

E normalmente a minha família não ligaria para isso, mas ele nos pegou em um mau dia, muito mau dia. Lorenzo e Mattheo estão com os nervos elevados e Deus sabe que, se eles quisessem matar todos aqui, teriam matado em um piscar de olhos.

Vincent é grande, mas os Michel são muito maiores.

Caminhando pelos homens que nos encaravam com nojo enquanto seguravam suas armas grandes na nossa direção— nenhum deles deve ter permissão para atirar, mas não quer dizer que não queiram fazer isso— Nós não somos santos, fazemos coisas que muito consideram cruéis, mas sempre haverá um motivo por trás de toda essa maldade

— Boa tarde, crianças— Uma senhora de idade nos parou na porta de entrada da bela casa— Vieram ver o Vinnie?

É estranho alguém o chamar de um apelido tão pessoal, e mais perigoso ainda fazer isso na frente de alguns dos assassinos que mais querem a cabeça do homem nesse momento.

— Boa tarde, senhora— Mattheo disse galanteador, desde criança ele sempre gostou da companhia dos idosos. Adorava ouvir suas histórias antigas— Viemos ver ele sim, podemos entrar?

— Claro que sim— Ela sorriu para nós, mas seus olhos pararam especificamente em mim, fazendo com que eu abrisse um sorriso em resposta— Ele está esperando vocês, vamos, entrem!

Caminhamos juntos e em alerta quando passamos pelo exército de James, o casarão era branco e grande como sua casa principal. Meu irmão acha que já estive aqui antes e eu me calei na hora, mas nunca nem tinha sentido o cheiro desse lugar. Lorenzo acredita que sim, pois já me ouviu dizer que iria na casa dele, deve ter associado a esse local e não ao mais pessoal

O ambiente era completamente silencioso no primeiro andar, mas assim que subimos as escadas para o andar que acredito serem os quartos, ouvimos risadas de crianças e uma mais feminina na primeira porta. Nas outras não havia barulho algum, a não ser pela última do corredor, em que se ouviam gemidos altos e agudos.

Meus irmãos continuaram sérios enquanto caminhavam até os próximos degraus, subimos até o último andar finalmente. Minhas pernas doíam pelo cansaço das várias escada, mas a ansiedade não deixava minha mente e muito menos o meu corpo, eu estava a ponto de ter um colapso.

— É aqui— A mulher se virou para nós com um sorriso simpático e não esperou nenhuma resposta antes de descer com pressa, ela assim como qualquer cidadão comum, teria medo de estar nesse andar tão barulhento.

Fiquei de frente para uma porta vermelha e a abri com força, e a cena em questão fez meu rosto se tornar tão frio quanto o dos Michel ao meu lado. Uma mulher estava agarrada ao corpo de Vincent, abraçada a ele e o agradecendo por algo que não pude ouvir pela distância.

O que eu queria afinal? Vincent não é meu amigo, é meu inimigo até que aceite a aliança e se torne finalmente meu aliado. Eu estava começando a me esquecer de quem eu era, do peso do sobrenome que eu carrego e isso não irá se repetir mais.

— Hacker, me diga onde meu pai está e iremos embora— Seus olhos se arregalaram na minha direção e ele prendeu o pescoço da garota no lugar, para que ela não se virasse para nós vermos seus rosto. E então, Vincent sussurrou algo em seu ouvido e a garota se manteve imóvel no lugar até ele vir em nossa direção

— Meu amor, a tatuagem já cicatrizou?— Os olhos dos meus irmãos se viraram para mim, mas ignorei

— Não me faça perguntar de novo, porra!— Aumentei a voz e vi a garota ao fundo dar um pulo de susto— Eu juro que estouro a cabeça da vadia alí atrás

— Quanta hostilidade, Aly— puxei a arma da minha cintura e apontei para a cabeça da mulher atrás dele, que tremia da cabeça aos pés

Empurrei James e caminhei até ela, agarrei seu cabelo com força o puxei para que todos vissem o rosto dela, enquanto minha arma gelada tocava sua cabeça com um cabelo falso. Os olhos de James estavam saltados na minha direção, ele não pensou que eu estaria tão agressiva.

— Comece a andar— Sussurei em seu ouvido— Diga James, onde ele está

— Em casa— Falou simplesmente e sorriu— Provavelmente fazendo outro Michel para me dar trabalho. O soltei a trinta minutos atrás

— Está blefando— Mattheo disse e partiu para cima dele

— Se me tocar, eu mato você e faço sua família engolir seu corpo e morrer sufocado com ele. Esse é meu território, não vai me desrespeitar na minha casa. Solte a garota Alyson, ou teremos um problema

Continuei com a arma apontada para ela, a diferença é que estava pronta para atirar em Vincent, não nela.

— Se puxar o gatilho, será sangue por sangue— empurrei a garota em sua direção e ela agarrou seu corpo grande novamente

— Vamos para casa, Alyson— Lorenzo estendeu a mão para mim, como um príncipe esperando a sua princesa.

E no final, era isso mesmo que eu era

Caminhei até sua mão estendida e a peguei, pois somos família, somos o sangue e suor de gerações. Os Michel são séculos de dor e sofrimento, mas principalmente, de força e coragem absoluta. As coisas não ficariam assim.

Parei na porta e vi os dois me olhando com atenção e rapidamente estendi minha arma novamente, com rapidez e precisão, atirei sem que os dois pudessem notar e se defender. Agora James teria um ferimento novo na barriga e a mulher agarrada ao seu corpo, um buraco de bala na perna esquerda.

— Até sermos aliados, somos inimigos— A mulher gritava de dor, mas ele estava silencioso e me encarando— Nunca mais ameace ferir minha família ou mato você sem pensar duas vezes

Caminhei com a cabeça erguida e sabendo que essa noite eu orgulhei a minha família, essa noite eu honrei o meu nome. Enquanto saíamos daquela casa eu ainda conseguia ouvir os gritos femininos, os soldados de Hacker sabiam que fomos nós que causamos, mas ainda assim eles não tinham permissão para atirar.

Intocáveis

Rose Dans Le CrâneHistórias para pegar e não largar. Descubra agora