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𝐒𝐄𝐓𝐄 𝐀𝐍𝐎𝐒 𝐀𝐓𝐑𝐀́𝐒
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ᴇsᴛᴀᴅᴏs ᴜɴɪᴅᴏs, ᴄᴀᴍʙʀɪᴅɢᴇ
12 ᴅᴇ ᴊᴜʟʜᴏ / 09:29 ᴀᴍ

ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐

𝗦𝗧𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗠𝗔𝗘𝗩𝗘
(ᴅᴇᴢ ᴀɴᴏs)

Ergui uma das sobrancelhas, apertando os lábios enquanto encarava Matt. Ele estava sentado de pernas cruzadas na grama quente do jardim, com aquele sorriso convencido estampado no rosto pálido, como se tivesse acabado de fazer algo genial.

— Matt, não é assim que se brinca. — falei, com a voz mais dura do que eu pretendia.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, estendi a mão e, com apenas um dedo, empurrei a casinha feita de bloquinhos. Ela caiu inteira, fazendo um barulhinho seco contra o chão. Estava torta, toda errada, e eu odiava coisas tortas.

Matt dizia que era a casa do homenzinho torto, mas isso não fazia sentido nenhum. Minhas bonecas da Polly não moravam em casas tortas.

Ele soltou um suspiro exagerado, daqueles bem longos, como se estivesse cansado demais da vida. Olhou para os bloquinhos espalhados no chão e depois para mim, claramente irritado.

— Não precisa ficar brava. — disse, agora me encarando de verdade. — A gente pode brincar de outra coisa.

— Não. — respondi rápido, sem nem pensar. comecei a juntar as peças do chão, encaixando uma por uma com cuidado. Agora sim ia ficar certo. Do jeito que tinha que ser.

— A gente tá fazendo essa casinha feia faz uma hora. — ele resmungou, a voz mais alta do que antes. — UMA HORA, STE.

Não respondi. Continuei montando, encaixando os blocos com força demais, tanto que um deles quase escapou da minha mão. Ouvi Matt bufar alto, daquele jeito que ele fazia quando queria mostrar que estava entediado ou achava algo injusto.

— Daqui a pouco a gente pode brincar de outra coisa, tá bom? — falei, sem tirar os olhos da construção.

— Brincar de bola? — ele perguntou animado.
Na mesma hora, parei o que estava fazendo e olhei pra ele.

— Não.

— Mas… — ele começou, coçando a cabeça enquanto pensava em como insistir. — Você não vai ralar o joelho dessa vez, eu prometo.
Meu estômago revirou só de lembrar. Da última vez que tentei chutar aquela bola idiota, meu pé simplesmente escorregou e eu caí sentada no chão, feito uma pedra. Jasper riu tanto que parecia que eu tinha contado a melhor piada do mundo.

Tenho quase certeza de que minha bunda ainda dói. E isso já faz uns dois meses.

— Você só tem que aprender a chutar a bola. — Matt continuou, como se fosse a coisa mais simples do mundo. E talvez até seja, porém, menos pra mim  — Da última vez, você subiu na bola, isso não foi chutar

Cruzei os braços, fazendo um bico sem perceber. Ele não entendia. Não era só sobre chutar a bola. Era sobre todo mundo rindo depois.

— Eu chutei sim. — murmurei, voltando a olhar para a casinha. — Ela que escorregou.

— Brincando de boneca, meninas?

Uma voz levemente grave ecoa pelo jardim. Uma voz que já não falha como de uma criança, mas também não é totalmente firme. Era carregada de sarcasmo e deboche. Engulo seco ao ver os olhos de Matt se encontrarem aos meus. Meu coração pula, temendo ser quem eu sabia que era.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora