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19 ᴅᴇ ᴅᴇᴢᴇᴍʙʀᴏ, ᴄᴀᴍʙʀɪᴅɢᴇ
ᴄɪɴᴄᴏ ᴇ ᴛʀᴇ̂s ᴅᴀ ᴍᴀɴʜᴀ̃
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𝑺𝑻𝑬𝑳𝑳𝑨 𝑴𝑨𝑬𝑽𝑬

Meus olhos vagavam pelo cômodo meio escuro, que ainda — por ser muito cedo — concedia uma luz mínima que adentrava pelas cortinas, entretanto, não o suficiente para iluminar o meu quarto.

Eu não dormi direito; apenas por 2 horas. Eu acordava a cada 20 minutos, incomodada, rolando pela cama a procura de uma posição confortável o suficiente para que eu voltasse a dormir "tranquila" e de imediato. O que era falho, subindo um leve incômodo em todo meu corpo.
As poucas horas de sono que tirei nao eram nada, eu necessitava dormir mais. Meu corpo dolorido por causa da madrugada, sinalizava que eu deveria descansar eternamente, se eu pudesse. O odor da bebida, com suor da madrugada inalava em minhas narinas, me deiando consequentemente enojada.

Eu não tinha tomado banho depois que Alexander me trouxe até meu quarto – Eu não esperava. Não esperava ele naquele banheiro. Não esperava ele me salvando. Não esperava ele no meu quarto; Depois de anos. – Eu só queria que aquela noite desaparecesse da minha mente de uma vez por toda. Queria que fosse tudo mentira, uma brincadeira comigo. Meu coração se aperta contra meu peito cada ruidosamente, com as lembranças daquela noite. Lágrimas transbordavam em meus olhos. Incrivel que pareça, eu me esforçava em não deixá-las rolarem pelo meu rosto, mas foi em vão. Eu estava sozinha nessa, não queria contar isso para ninguém, nem para Sophie. Devo agradecer por não acontecer nada pior, talvez. Mas ainda me dói aqui dentro, saber que fui burra por ter confiado e sido tão gentil com um homem desconhecido. Eu acreditei que dava pra se divertir nessas festas que eu sempre odiei.

Mas agora, me odeio mais que tudo. Odeio estar nesse corpo, estar nessa vida. Talvez, só talvez, eu só queira voltar para o passado, onde tudo era mais fácil. Voltar para quando eu podia encontrar meu pai em casa, com várias pelúcias, ou minha mãe fazendo aquela macarronada que só ela sabe fazer. Brincar com os Collins.

Eu sentia falta do que me dava vontade de viver. Não me resta nada agora. Apenas a ilusão falsa que crescer era algo incrível.

Me levantei da cama, depois da minha mente me autodestruir aos poucos. Caminhei em direção ao banheiro do meu quarto. Ligo o interruptor, refletindo minha aparência no espelho limpo; meus lábios ressecados e partidos, meu rosto vermelho e inchado. Meu braço direiro há pequenos hematomas e quase pude sentir meu rosto se desfazer novamente em lágrimas. Respirei fundo, tirando a peça rasgada do meu corpo — o vestido. Meus olhos percorrem o meu corpo quase nu, observo o meu short que tinha usado por baixo do vestido. Contudo, me recordo de que Ethan havia tirado, me deixando sem. Ao me lembrar, minha barriga se revira e um desejo de vomitar sobe pela minha garganta, corroendo-me. No entanto, logo depois meus olhos se arregalaram, em descrença, pensando de repente no motivo do porquê eu estava com aquele short.

Alexander me vestiu? Aí caramba. Será que ele viu algo? Eu estava desmaiada.
Meu Deus, ele com certeza viu!
Levo rapidamente a mão em minha testa, coçando, sentindo minha invulnerabilidade sendo destruída, e um balde frio carregado de vergonha inundarem meu corpo.

Burra. Burra. Burra. Burra.

Eu penteava os fios molhados do meu cabelo recém lavado, desembaraçando e tirando os nós que havia. Quando encerrei o banho, me vesti com um pijama leve de cor verde com estampas de florzinhas. Deixo o pente fino sobre a mesa e me levanto em direção a minha porta.

Desço para o cômodo de baixo da casa, ansiando por pelo menos um copo de água gelada. Ao ingerir o líquido gelado com urgência, enchi uma outra vez até a metade do copo e guardei o jarro de água na geladeira. Me direcionei até a pia vazia, pondo o copo lá.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora