‹2

5.5K 316 33
                                        

𝐇𝐎𝐉𝐄 𝐄𝐌 𝐃𝐈𝐀...
-
ᴇsᴛᴀᴅᴏs ᴜɴɪᴅᴏs, ᴄᴀᴍʙʀɪᴅɢᴇ
15 ᴅᴇ ᴅᴇᴢ / 06:42 ᴀᴍ

ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐

𝗦𝗧𝗘𝗟𝗟𝗔 𝗠𝗔𝗘𝗩𝗘.
(ᴅᴇᴢᴇssᴇᴛᴇ ᴀɴᴏs)

Fixo o olhar na janela como quem procura abrigo em algo que não responde.
O ar da madrugada ainda é cruel, frio a ponto de morder a pele, mas, curiosamente, me acolhe. Há conforto nesse quase congelar — como se o amanhecer me pedisse licença antes de existir. O sol nasce tímido, pálido, ensaiando um cumprimento educado, um primeiro “olá” antes de se transformar no carrasco das dez às cinco da tarde.

Um sorriso curto, automático, se desenha nos meus lábios.

E então… tudo desaba.
Ele estaria aqui. De novo.

Na casa onde cresceu espalhando caos, zombaria e medo. Onde fez da infância alheia um campo de batalha.
Onde me fez sangrar por dentro.

Nunca compreendi, jamais compreenderei, o que aconteceu depois dos seus quatorze anos. Como alguém pode mudar tanto sem deixar rastros do que foi?

Solto o ar quente preso nos pulmões e viro o corpo para o lado direito da cama. Meus olhos encontram o mural de fotos — o mesmo de sempre. O mesmo golpe silencioso.

Há centenas ali, mas meus olhos sabem exatamente onde pousar.

Engulo em seco..

Engulo em seco

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Nós cinco.

Cinco crianças pequenas demais para entender o mundo, mas grandes o suficiente para acreditar que nada nos quebraria. Um laço que parecia eterno, risadas que ecoavam sem medo do amanhã, promessas feitas com a pureza que só a infância conhece.

Quem visse de fora acharia adorável. Fofo.
Mas era mais do que isso. Muito mais.

Eles eram irmãos. Eu, o corpo estranho. A intrusa. A única menina entre quatro meninos.

No começo, houve medo. Desconforto. A constante sensação de não pertencer.

Mas tudo isso se dissolveu. Aos cinco anos, eu já era deles.

“Você ganhou novos irmãos”, a senhora Collin dizia, com aquele sorriso que parecia abraço.

E eu acreditava.
Até o tempo estalar os dedos.

Meus olhos deslizam pela fotografia até pararem nele.

Alexander Collin. O mais velho.

Meu estômago se retorce com a familiar sensação de náusea ao ouvir seu nome ecoar na memória. Ele já não era um garoto — e eu tinha certeza absoluta de que ainda me odiava. Por motivos que só existiam dentro da cabeça caótica dele.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora