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𝑨𝑳𝑬𝑿𝑨𝑵𝑫𝑬𝑹 𝑪𝑶𝑳𝑳𝑰𝑵

E por um instante, tudo ao meu lado parecia ter desacelerado. Akira gritava comigo, incrédulo e visivelmente confuso com a atitude extremamente agressiva que eu tive com o Matthew, o fingido barman. Meus olhos passearam por toda aquela gente; paradas, com o olhar de choque destacado em seus rostos, alguns estavam com a mão na boca, desacreditados. Já outros; paralisados, como se não acreditassem no que estavam vendo. O silêncio ensurdecedor porque a música havia parado. Apenas era possível escutar os berros vindo da dona da festa.

Eu não ligava para nada. Porque eu sabia que ela precisava de mim, de qualquer ajuda na verdade.

- Eu acho bom nenhum cômodo daqui estar trancado, porque eu vou arrombar no chute. - Digo por fim saindo de lá depressa, dando as costas.

Notável escutar os gritos desaforados vindo daquela voz feminina, Meredith era chata quando queria ser. Mas agora ela estava sendo insuportável. Escutei algo como "Que se foda, solta a música, deixa esse doente chapado ir a merda sozinho. Ele vai pagar tudo que quebrar." Seguido de uma música alta ressoando pelo local novamente.

Rapidamente subi as escadas para o andar de cima, adentrando o primeiro cômodo que encontrei. Meu peito subia e descia descontroladamente acompanhado com uma dor ruidosamente em minha cabeça, o cansaço veio pousando em meu corpo. Onde esse desgraçado se meteu? Me pergunto mentalmente, entrando em mais um quarto, vazio; e em outro cômodo - vazio também. Tudo vazio, sem nenhum rastro dela. Sem nada. O corredor não tinha nem sequer uma alma penada. Havia apenas o cheiro de bebida e fumaça presente no ar, e um silêncio absurdo aqui em cima, sem mencionar claro, a música funda que vinha do andar de baixo.

Comecei a xingar todos os nomes possíveis em minha cabeça. Minha vontade era de botar fogo nesse lugar, queimar essa mansão enorme até o último pedaço de madeira. Se eu não encontrar essa loira idiota, eu vou quebrar até o que não tem pra quebrar.

Por 2 longos minutos, eu passei subindo escadas e procurando em cada cômodo. Meu coração já palpita fora de si. Cada passo dado era um peso a mais, era mais tempo para aquele filho da puta fazer o quê quisesse com ela. A ideia de pensar que algo terrível acontecia com aquela loira maldita me deixava fora de mim. Desesperado, perdido naqueles inúmeros corredores, inúmeros andares. Eu preciso encontrar ela. Eu não saio daqui sem essa garota, parece até ridículo, mas parece que dentro de mim não permite deixar que ela fique para trás. Minha mãe me mataria, e eu nunca iria me perdoar por isso. É um favor do Alexander que sobrou de mim, o Alexander que fazia questão de estar com Stella a todo custo.

Que se foda eu vou quebrar tudo mesmo.

Involuntariamente, a cada sala fechada eu disparava apenas um chute brutalmente. Era apenas suficiente um chute, carregado de raiva e angústia, para derrubar as portas de madeiras, necessitando encontrar seu rosto com todas as tentativas. Algumas vezes havia adolescentes transando ou fumando dentro das salas, ao escutarem o estrondo, pulavam, assustadas, mas não tiraram minha atenção. Permaneci, da mesma forma; cada vez mais rápido, ansiando para que, quando eu encontrasse aquele fudido, não sobrasse nada dele. Nada.
Grito por Stella ao corredor, minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, reverberando pelos corredores vazios. E recebendo nada como sinal.
O desespero me consumia; a ideia de que Stela poderia estar em perigo fazia meu coração acelerar a um ritmo frenético. Cada segundo parecia uma eternidade, e a urgência de encontrá-la se tornava insuportável para caralho.

Uma raiva intensa fervia dentro de mim, como um vulcão prestes a entrar em erupção. Eu queria gritar, socar as paredes ao meu redor, descontar toda a frustração acumulada em minha alma. Essa demora estava acabando comigo. Eu não sei mais quantas portas eu teria que chutar pra encontrá-la de uma vez por todas, eu não sei o quanto ela está ou vai sofrer, mas estou tentando dar a porra do meu melhor, porque ninguém nessa festa está dando a mínima para o quê esse desgraçado está fazendo, mas eu estou.

Parei abruptamente, notando que no final do corredor havia uma luz fraca de um pequeno brilho que se destacava. Me aproximei, e vi que se tratava de uma porta. O sinal "banheiro" estava iluminado, as luzes vazavam pelas frestas, criando um contraste com toda aquela escuridão ao meu redor. Com passos firmes, avancei em direção a porta, o som dos meus passos ecoavam pelo local. Chegando perto o suficiente escuto um gemido, um gemido que pra mim, aparentava ser de dor.

Filho da puta, te encontrei.

Avancei em direção a porta, colocando todo o meu peso contra a porta, empurrando-a com toda a força que eu tinha. Ou a quem me restava depois de tudo. A madeira rangeu sob a pressão e eu senti como se estivesse se desferindo um golpe contra qualquer obstáculo que estivesse entre mim e Stella. A porta balançou violentamente, e meus olhos são direcionados a Ethan, que pressionava Stella de costas contra parede, pelo visto esfregando seu pau em seu corpo quase nu, coberto apenas por um vestido rasgado na região dos seios. Seu short e sua calcinha no chão.

Então eu explodi;

𝑺𝑻𝑬𝑳𝑳𝑨 𝑴𝑨𝑬𝑽𝑬

A porta, que antes estava trancada, é atingida com uma imensa força, gerando um estrondo ensurdecedor ao se encontrar contra a parede. Engoli seco, acompanhado das lágrimas que se acumulavam em meus lábios. Incapaz de enxergar corretamente o motivo que acabara de causar tanto barulho, ouço os passos pesados vindo em seguida; meus olhos correm em direção à movimentação repentina. Contudo, meu coração frenético parecia parar por 2 segundos longos. O quê?! Meu Deus.

O corpo de Ethan se afasta bruscamente do meu após Alexander avançar em cima dele com uma velocidade que só podia significar violência. Cruelmente, seu punho direito se colidiu no rosto de Ethan, inúmeras vezes, impiedosamente. Os chutes, os socos fortes pareciam não ter fim; Ele ia matá-lo com toda certeza. O mesmo que apanhava sem parar, não conseguia se defender, depois do primeiro soco ele já parecia visivelmente em outro mundo.

Me apoiei contra a parede fria, atordoada. Abraçando meu corpo para esconder o rasgo do meu vestido no meio dos meus seios. O ruído dos socos ainda ecoam pelo local. Impossibilitada de controlar meus membros, sinto minhas costas deslizarem contra a parede, encostando de imediato minha bunda no chão frio. Um zumbido alto era crescente em meus ouvidos. Tudo estava tão fundo, como se estivéssemos debaixo d'água. Minha pressão acabará de cair novamente. Ouvia a voz de Ethan implorando entre sussurros para que ele parasse; Ouvia resmungos altos, xingamentos e ainda o barulho alto, quando o punho de Alexander se chocou com o rosto de Ethan.

Sentada, meu corpo se aprofundou ainda mais naquele chão duro. Sentindo a onda de fraqueza percorrer meu corpo, como se a energia que sobrou dentro de mim estivesse sendo drenada. O mundo ao meu redor começou a girar lentamente, e todo o barulho se tornou um eco distante. Meu coração batia rápido, pulsando em meus ouvidos enquanto a minha visão começava a escurecer nas bordas. Tudo ao meu enorme parecia desvanecer.

Ai meu deus, não posso desmaiar agora.

Mas foi tudo em vão. De repente, não havia som, nem luz. A sensação de queda foi súbita; meu corpo colidiu com o chão.

Meu último pensamento era Alexander; E como ele chegou aqui.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora