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𝐇𝐎𝐉𝐄 𝐄𝐌 𝐃𝐈𝐀...
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ᴇsᴛᴀᴅᴏs ᴜɴɪᴅᴏs , 𝚌𝚊𝚖𝚋𝚛𝚒𝚍𝚐𝚎
15 𝚍𝚎 𝚍𝚎𝚣𝚎𝚖𝚋𝚛𝚘 / 18:37 𝚙𝚖

ֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐
𝐒𝐓𝐄𝐋𝐋𝐀 𝐌𝐀𝐄𝐕𝐄

— Eu não suporto ela. — diz Sophie, parada atrás de mim enquanto encaro o painel digital da porta da casa dos Collin’s.

Franzo o cenho.
— Ela quem? — pergunto

Aproximo o rosto da tela e começo a digitar a senha com a naturalidade de quem já fez aquilo dezenas de vezes.

2 — 2 — 2 — 0 — 1 — 8 — 1 — 8.

As idades dos filhos da Sra. Collin.

A senha nunca era fixa. Sempre mudava conforme cada aniversário passava, como se a casa precisasse acompanhar o tempo — e os filhos — crescendo.

Mesmo Alexander.
Mesmo depois de ter sido enviado para um internato distante.

Mesmo sendo o filho que já não morava ali.

A idade dele continuava fazendo parte da sequência.

O painel emite um bip discreto antes da porta destravar com um clique suave, moderno demais para uma casa que guarda tantas memórias antigas.

Empurro a porta e entramos.

— A filha da madrasta. — diz, como se fosse óbvio. — Da nova esposa do meu pai.
Acendo a luz do hall, e o branco frio se espalha pela casa silenciosa demais para aquele horário.

— Elas se mudaram pra lá na semana passada. Eu te contei lembra? — ela continua, seguindo para dentro. — As duas.
— Desde então, a casa não parece mais a mesma.

— E você começou a se irritar agora? — pergunto, tirando os sapatos logo após a porta de casa.

— A menina age como se sempre tivesse pertencido àquele lugar. Mexe nas coisas. Abraça e beija muito o MEU pai.

O jeito como Sophie enfatiza a última palavra deixa claro que o incômodo vai muito além de birra.

— Não tem ninguém aqui? — ela pergunta, parecendo que de repente havia esquecido o lance da nova madrasta. Sophie olha ao redor do espaço, como se esperasse que alguém aparecesse.

— Provavelmente não. — respondo, já seguindo em direção à escada. — Devem estar a caminho do campo.

Subo os primeiros degraus, sentindo os passos de Sophie logo atrás dos meus. O atraso martela na minha cabeça desde cedo.

Mais cedo, chamei Sophie para se arrumar comigo aqui.
Ou melhor… na casa dos Collin’s.

Agora, oficialmente, estávamos atrasadas.

A Sra. Collin havia sido clara: eu deveria chegar pelo menos vinte minutos antes dos convidados. Parte da família, foi o que ela disse, com aquele sorriso que sempre reservava para mim.

Mas duvido que note minha ausência. Todos os filhos dela estariam lá.
Todos.
Matt.
Samuel.
Jasper.
E Alexander.

O nome surge na minha mente como algo proibido.

Alexander.
Meu corpo reage antes que eu consiga impedir. A ansiedade vem rápida, apertando o peito, encurtando a respiração. Seis anos. Seis anos desde a última vez que o vi — e ainda assim, pensar nele é suficiente para me desestabilizar.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora