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𝑨𝑳𝑬𝑿𝑨𝑵𝑫𝑬𝑹 𝑪𝑶𝑳𝑳𝑰𝑵

Eram 20h20.

Meu ânimo inexistente só aumentava minha impaciência. Era óbvio que eu não queria comparecer a esse aniversário idiota. O que chega a ser surpreendente é o fato de eu ainda estar me arrumando.

Encaro meu reflexo no espelho.
Passo a mão pelo cabelo ainda úmido do banho recente, jogando alguns fios para trás. A água fria já tinha ido embora da pele, mas a irritação continuava ali, presa nos ombros tensos.

Desabotoo o primeiro botão da camisa social branca. Em seguida, arregaço as mangas até metade do antebraço, deixando à mostra as tatuagens do braço esquerdo. A camisa está alinhada por dentro da calça social slim preta, ajustada ao corpo na medida certa.

Analiso minha própria imagem por alguns segundos.

Suspiro alto.

Levo a mão novamente ao cabelo, afastando os fios que insistem em cair sobre a testa.
Pego o último piercing que falta e o encaixo na sobrancelha, o metal atravessando a parte superior e inferior com familiaridade. Ajusto até sentir que está firme.

Por fim, borrifo o perfume nos pontos habituais — pescoço e pulsos — e coloco a corrente prata no lugar.

Saio do quarto de Akira e sigo até a sala.

— E aí, mano. Terminou tudo? — pergunta ele, levantando-se do sofá ao me ver.
Assinto, sem muita expressão.

— Então vamos. — Ele pega a chave sobre a mesinha e caminha até a porta.

Meu olhar se fixa no maço de cigarros esquecido sobre a mesa.

Pego-o sem hesitar e o coloco no bolso da frente da calça.

— Já não vejo a hora de sair de lá — digo, aproximando-me enquanto ele destranca a porta.

Ouço a risada abafada dele.
— Você nem chegou lá ainda, cara.

— Por isso mesmo. — respondo, seco.
A porta se abre.

E eu já conto os minutos para ir embora..

ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ 🩰  ་༘࿐

𝐒𝐓𝐄𝐋𝐋𝐀 𝐌𝐀𝐄𝐕𝐄

Desde o que aconteceu no armazém, Matt e eu não trocamos uma única palavra.

No começo, tentei me convencer de que era coisa da minha cabeça. Que eu estava exagerando. Que aquele momento tinha sido apenas o que parecia ser: uma tentativa sincera de ajudar. Mas quanto mais eu repassava a cena na minha mente, mais evidente ficava — houve algo ali. Algo que mudou entre nós.

E agora, sempre que penso nisso, sinto o peso daquela proximidade.

Solto um suspiro longo e impaciente, revirando os olhos.

A festa está lotada. Gente demais. Perfume demais. Sorrisos ensaiados demais.

Sophie sumiu do meu lado há pelo menos 30 minutos — Depois de rir mais com Samuel do que com o namorado supostamente cafajeste e infiel dela.—  Desde então, estou sozinha, sendo abordada a cada cinco minutos por algum homem grisalho com sobrenome importante e conta bancária indecente.

E todos dizem exatamente a mesma coisa:

— Está a cara da mãe.
— Uma bela jovem… cuidado com os garotos da sua idade.
— Eu te carreguei no colo.

𝐎𝐬 𝐐𝐮𝐚𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐈𝐫𝐦𝐚̃𝐨𝐬Onde histórias criam vida. Descubra agora