Talvez sejamos a pessoa certa, na hora errada.
Um romance adolescente. Um término indefinido. Um amor interrompido.
Já haviam se passado 10 anos desde que Camila a vira, e, embora tenha seguido com sua vida sem ela, as lembranças sempre a assombrar...
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"E eu quero que você saiba Você não poderia ter me amado melhor Mas eu quero que você siga em frente Então eu já fui — Sleeping at last"
Mudo a estação no momento em que a rádio começa a transmitir The 1, de Taylor Swift.
A alguns anos atrás, eu me sabotava. E isso quer dizer que, quando alguma música que minimamente me lembrava do meu passado, eu a ouvia até o fim, e até chegava a repetir algumas vezes as partes que mais me pegavam, apenas para sentir a dor que aquela letra me trazia. Já sofri o suficiente com The 1, e depois de um tempo –um bom tempo–, optei por pular cada canção que me feria na alma.
When I Was Your Man está tocando na outra estação, e a voz quase angelical de Bruno Mars corta meu coração quando diz; "Meu orgulho, meu ego, minhas necessidades e meu jeito egoísta Fizeram com que uma mulher boa e forte como você saísse da minha vida Agora eu nunca, nunca conseguirei limpar a confusão que eu fiz, oh E isso me assombra toda vez que fecho os meus olhos"
— Você só pode estar de sacanagem com a minha cara – sussurro entre os dentes, querendo acertar um soco no rádio do carro, e só não o faço porque presto atenção no carro cruzando caminho comigo na avenida. – Música estúpida!
Eu troco a estação, e agora, uma música antiga e animada da Lady Gaga está tocando, e é incontáveis vezes mais aceitável que as outras duas.
— Sua cisma é estúpida, Laur, não a música – a voz de Ashley do outro lado da linha telefônica sobressai a melodia. – Ela é muito boa, na verdade.
— Boa pra você que não pensa em nada e nem em ninguém quando escuta ela – encaro o Domino's do outro lado da avenida, pensando se paro ou não para buscar uma pizza para viagem. Haviam vários desses em Nova York, mas nenhum tão bom quanto esse. – Caso contrário, você iria querer se matar ouvindo.
Ouço a risada de Ashley, e isso me faz sorrir, mesmo que tenha sido totalmente verídico o que disse. Acho que o peso da culpa é o mais pesado que um ser humano pode carregar.
— Meu Deus, nem parece que você tem a primeira exposição na sua cidade natal amanhã – ela comenta, e eu maneio a cabeça, decidindo passar direto pelo Domino's. – Ignore o Bruno Mars e foque aqui. Já está tudo pronto?
— Sim! Ou eu espero que sim – um frio na barriga me atinge quando digo aquilo. Não por insegurança em relação às minhas fotos. Tenho noção que sou boa, caso contrário, meu "nome" não seria tão renomado é requisitado na maior cidade industrial do mundo. Meu frio na barriga se dar à minha equipe que pode errar algo, ou até mesmo os funcionários da galeria. – Nunca pensei que voltaria aqui.
Desde que saí da cidade, com dezoito anos, nunca mais pisei em San Diego, e não porque eu odiasse ela pela cidade que era, mas porque eu odiava o que ela me fazia lembrar. Quando sai, foi para, além de seguir meu sonho de ser fotógrafa, esquecer todas as pessoas que deixaria pra trás. Ou tentar esquecer, o que não deu muito certo, mesmo com os anos de terapia. Mas quando a oportunidade de fazer uma exposição aqui surgiu, não consegui negar.