Talvez sejamos a pessoa certa, na hora errada.
Um romance adolescente. Um término indefinido. Um amor interrompido.
Já haviam se passado 10 anos desde que Camila a vira, e, embora tenha seguido com sua vida sem ela, as lembranças sempre a assombrar...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
"Onde você esteve? Você sabe quando vai voltar? Porque desde que você se foi Eu me dei bem, mas tenho estado triste — The Neighbourhood".
Acho que nenhuma de nós três estava esperando por isso, porque ficamos ambas petrificadas no mesmo lugar, na mesma posição, como se fôssemos estátuas da exposição.
Eu estava vendo Lauren. Lauren estava na minha frente. Lauren estava bem aqui, a um metro de distância de mim.
Seu cabelo estava duas vezes maior do que eu me lembrava, e embora estivesse completamente liso, por alguma razão eu sabia que se tratava de chapinha, sabia que ele ainda tinha aquelas ondulações que eu me perdia a anos atrás. Sua pele continua tão branca quanto da última vez, seu piercing ainda estava ali, no nariz, a sobrancelha ainda era cheia, bem desenhada, a boca curvilínea. Seu estilo foi o que realmente mudou. Ela usava um terno social, com um topper branco por baixo. Sem jaquetas de couro, sem calça rasgada, sem blusas de banda preta, sem coturnos.
E os olhos. Eu não conseguia enxergar os olhos na escuridão dessa sala. Ou eu estava atordoada demais para enxergar. Ou eu estava com os olhos embaçados para conseguir enxergar.
Claro que era a terceira opção. Eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.
— Ai, meu Deus! – Sofia é a primeira a se manifestar. – Lolo?!
Ela não espera, e salta no pescoço de Lauren, que, ainda presa no transe que entrou, continua me encarando, boquiaberta, sem conseguir reagir ao abraço da minha irmã.
Sabe o momento em que você olha para alguém que marcou sua vida em um passado e percebe que, de alguma forma, não importa quanto tempo tenha se passado, você sente tudo voltando? Todos os sentimentos de uma vez só?
— Eu pensei que nunca mais ia te ver – acho que a ficha cai para Lauren. A mesma deixa a caneta que usava para autografar cair no chão para conseguir abraçar Sofia com vontade. Com saudades.
Ver aquela cena me quebra. Não só imaginar, mas agora ver a falta que Lauren fez em Sófia me quebra.
— Eu senti tanta saudades, Soso – a voz atinge meu ouvido, o timbre rouco me toca.
E é preciso aquele apelido para que eu ouça o soluço de Sofia. Era um apelido que Lauren inocentemente começou a chamá-la desde o primeiro dia em que a conheceu, quando eu a apresentei para minha família como minha namorada. Tal apelido que Sofia não deixava mais ninguém a chamar. Era algo só delas.
— Você está enorme, meu Deus – Lauren a afasta, para conseguir segurar em seu rosto e limpar a provável lágrima que tinha escorrido pela bochecha da minha irmã. – Mas roubou meu estilo.