Capítulo 31 - Cartas (Parte I)

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N/A: Oii gente, eu estou achando tão estranho não falar nada no início ou final dos capítulos e só deixar eles aqui, mas imaginei que talvez fosse melhor assim para vocês. Mas dessa vez precisei vir só para dizer que todos os capítulos com as cartas serão postados de uma vez, então, esse é o capítulo 1/6, o restante vai estar logo aqui embaixo.

Espero que vocês estejam gostando dessa história, porque eu amei escrever ela. Foi algo leve, diferente das minhas outras fics que sempre tem um ponto pesado que eu gosto de trazer. Enfim, aproveiteeem <3

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Eu me enrolo em um roupão e entro no meu closet, pegando a caixa com facilidade, já que ela fora tirada do topo para que eu pudesse pegar a pulseira mais cedo

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Eu me enrolo em um roupão e entro no meu closet, pegando a caixa com facilidade, já que ela fora tirada do topo para que eu pudesse pegar a pulseira mais cedo. Ela era mediana e de madeira, do tamanho de uma caixa de sapato, e era costumizada com tinha preta e vários rabiscos em caneta permanente branca. Lauren quem costumava escrever coisas aleatórias nela, como letras de músicas que ela gostava, frases e palavras aleatórias, e alguns desenhos minimalistas também. Bem adolescente.

Eu sorrio ao pensar nisso, me sentando na cama com as pernas de índio e a caixa na minha frente. A abro, e tenho a visão de vários papéis dobrados, com algumas marcas amareladas pelo tempo, algumas fotografias no formato polaroide –todas tiradas por Lauren– e o saquinho onde eu havia guardado a pulseira. Eu pego as fotos primeiro, e só percebo que estava sorrindo quando minhas bochechas doem. Eu dormindo. Eu comendo uma panqueca maior que a minha cara. Eu sorrindo. Eu mostrando o dedo. Eu bebada. Eu chorando –me lembro que, neste dia em específico, eu havia acabado de ler A Última Música, do Nicolas Sparks, e fiquei chorando por quase quarenta minutos, contando a história para Lauren na tentativa de a convencer a ler.

Uma risada nasal e fraca escapa dos meus lábios ao me lembrar disso. Tivemos tantos momentos bons, e acredito que seja quase impossível de acreditar que também houveram os momentos ruins. Que também houveram os gritos, os dedos na cara, os julgamentos, os choros, as saídas sem explicações, as palavras que machucavam. Parecia ser impossível acreditar que Lauren algum dia já foi diferente da Lauren de hoje.

Agora, eu me pergunto se tudo não foi um exagero de adolescente. Imaturidade. Expectativas de que tudo seria perfeito. Pressão e cobrança. Seria isso? Afinal, aquelas cartas eram mais uma prova de que existia amor mais do que qualquer coisa.

Eu paro de enrolar, junto as polaroide e as deixo de lado, apanhando a primeira carta, que eu sabia exatamente qual era, só pelo papel com marcas de café.

Acho que a melhor carta. Lauren havia feito uma viagem para a Argentina com os pais, que estavam a trabalho, e ficamos separadas por mais de duas semanas –um tempo recorde naquela época. Conversávamos todos os dias por chamada de vídeo, para nos atualizar do nosso dia, e foi quando ela decidiu escrever essas cartas.

A abro.

"Querida Camila (eu sempre quis fazer isso),

Primeiramente eu queria começar pedindo desculpas para o caso dessa carta sair um completo desastre, você sabe que eu nunca fiz isso, mas hoje, em específico, eu senti tanta sua falta com uma cena que ocorreu que me deu uma vontade subita de escrever pela primeira vez pra você.

Em Outra Vida, Talvez?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora