Dentre as quatros paredes prestes a desabar de um casamento já em ruínas, Simone escuta atenta a confissão do marido sobre a quebra de uma única promessa feita entre os dois.
Diferente da imagem pacífica que a sociedade tem sobre ela, o sangue da m...
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O telefone toca uma...
Duas...
Então três.
Ofego.
Quatro.
Cinco...
Estou prestes a desligar quando.
-Oi, oi! Estou aqui.
Ele parece ofegante.
-Ah, Boa noite, Alessandro. -digo em um sopro.
-Olá, Simone. -Ele respira fundo. -Você chegou bem?
-Sim, cheguei. Obrigada por perguntar.
Quase bato com a mão em minha cara. Assunto, Simone!
-Te atrapalho? -Pergunto tentando imaginar o que faz do outro lado da linha.
-Não, jamais. Acabei de jantar e foi delicioso. E você, já comeu?
Opa.
-Eu, bem... Não, tomei um banho há pouco, ainda estou um tanto leve.
-Mas não pode ficar sem comer, eu aposto que você só comeu o almoço. E eu estava lá, não foi muito.
-Alessandro...
-Simone?
Ele solta uma gargalhada, uma risada genuína.
-Vamos, -respira, me deixando completamente vermelha. -Leve seu amante para lhe acompanhar na cozinha e lhe ensine a receita de algo, hm?
O calor que antes parecia estar só em minhas bochechas, me incendeia. Me sinto incandescente, derretendo na umidade de meu roupão molhado e na maciez do colchão.
-Alessandro, Alessandro... -Suspiro. -O que você está fazendo? -pergunto genuinamente.
-Eu? -Ele diz em tom de surpresa. -No momento estou querendo saber como você está, achar um meio de lhe convencer a comer alguma coisa, e talvez, quem sabe, fazer você sorrir um pouco? -Ele respira fundo perto demais do microfone, parecendo em meu ouvido. -O final talvez nem ocorra, mas eu posso tentar, não é? Mas e a Senhora, digo... Simone. Você, o que você está fazendo?
Meu corpo inteiro arde, creio que ele possa ter ouvido o arfar de meu corpo nos lençóis. Minha visão chega ao ponto de estar turva por um instante.
-Então, eu -Limpo a garganta e como um alerta, meu estômago ronca me fazendo tremer. -Eu vou lhe ensinar uma salada de folhas verdes e tomates.
Salto da cama ouvindo a risada de Alessandro na linha. Ouço do outro lado passos e um pouco de vento enquanto rumo para a cozinha acendendo as luzes e seguindo para a bancada.
-Você está aí? -pergunto deixando o celular no viva voz contra a bancada.
-Sim, estou esperando que a senhora se prepare, estou com lápis e papel.