Dentre as quatros paredes prestes a desabar de um casamento já em ruínas, Simone escuta atenta a confissão do marido sobre a quebra de uma única promessa feita entre os dois.
Diferente da imagem pacífica que a sociedade tem sobre ela, o sangue da m...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Não consigo acreditar que aquilo realmente está acontecendo. Há um horário em minha agenda. Para aquela noite, justo aquela noite.
Não há dúvidas sobre onde desejo estar.
Ainda posso sentir o gosto, o calor, a sensação exata do encontro de sua boca na minha. Ainda consigo sentir o frescor dentro de mim, o pulsar elétrico de minha corrente sanguínea e minha pele que parecia arder ao mínimo toque.
Encarando o telefone, verifico as horas e engolindo em seco, envio uma mensagem para Alessandro junto de uma foto de minha agenda com o compromisso.
"Te peço dezenas de desculpas. Não planejei isso. Sinto muito. Amanhã estaria de pé? Preciso chamar um encanador?"
Quando a linha carregada de emojis primeiro chorando e logo rindo, acabo eu sorrindo para o celular.
"Prometa-me comer neste jantar, e me ligar depois para contar da refeição e está marcado para amanhã."
"Obviamente, se quiser." Chega logo em seguida.
"Tudo bem, eu ligo pra você. 🙏" Digito por fim e levo o celular para a bolsa, logo rumando para meu endereço onde preciso me arrumar para o dito jantar. Este, confesso, muito menos interessante do que o de Alessandro, obviamente.
Quase três horas depois estou de volta em meu apartamento. Mal noto como tiro os sapatos, como abro o zíper da calça ou tiro abro os botões da camisa. Com o celular nas mãos e o corpo na cama, mando uma mensagem para Alessandro com dois olhinhos, como ele me enviou inicialmente.
Menos de trinta segundos depois o telefone vibra em minhas mãos, sua foto na tela e a ligação esperando ser atendida.
Atendo a chamada e a levo ao ouvido.
-Boa noite, Francesca... -Ele diz na linha e eu não posso conter a surpresa e obviamente o susto, quase ofegando. -Oh! -Ele diz e ri de um jeito que faz meu estômago parecer girar ao avesso dentro de mim.
-Alessandro?
-Simone, linda... Estava vendo personagens da Meryl Streep pra você. Sabe, como um código secreto entre os super-heróis. Você nunca assistiu As Pontes de Madison?
O nome me soa familiar, mas não me recordo muito bem de onde o vem.
-Não sei, talvez? Não me recordo da história...
-Então, Francesca é uma italiana que vive no interior de Iowa... Viu, do interior como você! -E ele solta uma risadinha rouca que me desmonta, e como um sopro me vem a história do dito filme, no meu caso, do livro.
-Iowa, eu me recordo. Mas acredito que tenha visto um livro, não o filme.
-Ah, então que maravilha! -Ele diz e ouço o som de vidro na ligação... Especificadamente, vidro e gelo, conheço esse som, e.. -Então é isso, vamos colocar em algum encontrar nosso que você assista este filme. É um ícone.