Dentre as quatros paredes prestes a desabar de um casamento já em ruínas, Simone escuta atenta a confissão do marido sobre a quebra de uma única promessa feita entre os dois.
Diferente da imagem pacífica que a sociedade tem sobre ela, o sangue da m...
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Naquela noite, após a saída de Alessandro de meu gabinete, meu estômago revira continuamente. Os olhos castanho escuros dele pareciam nublar todas as minhas ações, reverberando em meu mais profundo suas palavras, sua proximidade simples, o cheiro de sua colônia e seus movimentos que pareciam tão friamente calculados.
Ele parecia insano, insanamente despreocupado quando eu em um ato de loucura havia o utilizado de uma forma injusta e pretensiosa para fugir de uma situação já tão desgastada.
As traições de meu marido não eram uma novidade, muito menos uma surpresa. Há anos haviam fragmentos externos de suas atitudes rompendo pouco a pouco as paredes que construímos para uma vida saudável.
Não entendo se era ou parecia fácil para Eduardo jogar em minha cara palavras como as de nossa última briga. Parecia fácil para ele quase cuspir em minha cara que eu não o satisfazia, não sentia desejo ou suportava seus toques mais singelos. Tornou-se difícil quando ele passou a chegar com cheiro de perfume barato e sexo em casa, quando não sabia a cama que ele habitou e que mal tinha noção se ele fazia aquilo por ainda me desejar ou por uma forma de alívio imediato.
As primeiras tentativas, não nego, me entreguei de corpo e alma. Amei, o amei verdadeiramente, mas nos perdemos na comodidade de uma vida corrida, nos sendo pais, políticos, exemplos e não mais marido e mulher.
Logo, o que era uma tentativa que hoje vejo completamente equivocada de salvar um casamento, se transformou em uma sentença, onde eu infelizmente gemia de agonia e torcia para que acabasse.
As brigas se iniciaram quando ele passou a usar preservativo, quando literalmente entrava dentro de mim e nada mais. Não tinha como sentir desejo, ou desejada. E pouco a pouco, vez por vez, não consegui manter o fingimento de nossa vida conjugal.
O nome de Alessandro em nossa última briga surgiu como uma espécie de boia de resgate em meio ao mar revolto, salvando-me de me afogar em minhas angústia, um sopro de ar em meus pulmões cansados.
Nunca imaginei que meu dito marido fosse ficar tão revolto com uma ação que eu se quer fiz, e ele a realizou verdadeiramente tantas vezes. Não entendia como ele podia sentir esse rancor todo quando ele quem me acusava de não cumprir meu papel de esposa, sendo que muito antes ele deixou de cumprir o seu como um real marido, se assim posso dizer.
Mas, lá estava, eu sendo pega em uma mentira boba, impensada, ele questionando o nome citado cheio de fúria e causando um alarde dentro do congresso. Foi vergonhoso, minimizado, ninguém realmente parecia saber o que aconteceu dentro do gabinete no salão verde.
E então, Alessandro. Com sua calmaria, simplicidade e paciência, brincando com meu erro inflamado e mesmo sem dizer, acolhendo parte de minha dor e abraçando minha mentira como uma sua, mesmo que pudesse sair lesionado dessa confusão.
O pequeno papel amarelo com seu número de telefone parecia queimar furiosamente o fundo de minha bolsa, já amassado e levemente rasurado pelas vezes que o peguei mas não tive a coragem de discar.