XVIII - Pantera

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Naquela bancada, sento ao lado de minha filha e busco desesperadamente algum tipo de força sobrenatural para contar sobre uma vida que fiz o possível para esconder de seus olhos, mas que pelo meu entendimento agora, estava claro como o dia e não s...

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Naquela bancada, sento ao lado de minha filha e busco desesperadamente algum tipo de força sobrenatural para contar sobre uma vida que fiz o possível para esconder de seus olhos, mas que pelo meu entendimento agora, estava claro como o dia e não só a ela.

-Você quer que eu faça perguntas para facilitar? -Pergunta minha Maria com a mão em meu braço, um carinho que pratica desde o dia em que saiu de mim.

Solto uma risadinha, involuntária.

-Ainda não falei sobre isso em voz alta e parece tão fora de qualquer realidade. -Digo mansa e é uma verdade e tanto.

-Você está diferente. -Ela me diz. -Diferente como nunca vi e eu literalmente conheci você muito antes de nascer, mãe.

-Você acha que eu estou diferente? -falo e encaro seus olhos, ela sorrindo em minha direção.

-Completamente. Quem é ele?

-Ele quem?

Maria Fernanda ri, me abraça e beija minha cabeça, logo tomando um gole de seu chá.

-Eu sei que tem alguém, é bastante óbvio, na verdade. Não precisa me dar um nome se não quiser, mas conhecendo você... -Ela suspira. -Foi uma decisão difícil ficar com ele e posso sim entender os seus motivos. Mãe... -Seu corpo gira na cadeira, ela me encarando profundamente. -Não vou te julgar.

Não conto a ela como as coisas realmente aconteceram, mas parece que saem de mim palavras que eu mesma não estava pronta para aceitar.

-Nós nos envolvemos rápido demais, ele é uma pessoa tão... -desta vez sou eu quem suspira. -Fácil. Tudo com ele é. É fácil conversar, ser honesta, sem julgamentos pelo que posso dizer, ou algum tipo de policiamento sobre temer ser repreendida.

-Tudo que papai não é e não faz por você. Entendi. -Ela me fala tomando o gole final de sua caneca.

-Filha, mas ele é seu pai, e...

-E vocês já se amaram muito e blá, blá, blá, whiskas sachê....

-O quê? -Acho que há uma interrogação em minha testa, minha filha ri descontrolada.

-Ok, mãe. Mas e aí? -Ela arqueia uma sobrancelha. -Nem havia um chupão real em você mas você foi toda nervosinha olhar o espelho e se entregou lindamente. Isso quer dizer que não é recente e que vocês já transaram.

Acho que dou um salto na cadeira, já que Maria Fernanda pisca mas volta a erguer sua sobrancelha naquele ato que é um espelho de mim mesma.

-Maria Fernanda! -Digo numa falha tentativa de enfiar meu rosto dentro da caneca.

-O quê? Pô mãe! Adultos fazem isso, é normal.

-Eu sei, só...

-Você está com vergonha? Não precisa me dar detalhes sórdidos... -solta outra risadinha e pelo apertar de vergonha em meu peito, penso que posso morrer naquele dia.

Em Nome do Argumento - Simone e Alessandro - SimolonOnde histórias criam vida. Descubra agora