Mel saiu do interior de Nova Jersey para estudar direito em Nova York. E apesar de não ser uma nerd, a garota é bem concentrada nos estudos e sonha em ser uma das melhores na sua profissão e assim poder ajudar o seu pai com as causas da vida marinha...
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Mel
No dia seguinte eu entrei na faculdade de cabeça erguida ao lado dos meus verdadeiros amigos e me forcei a todo custo não o olhar, embora fosse algo impossível já que a maneira como se vestia chamava a atenção de todo mundo. Jeans preto, camisa e casaco com capuz da mesma cor e os malditos óculos escuros que escondem todas as verdades dos seus olhos. Mas era como se estivesse usando um cabresto também, porque ele mantinha o seu olhar sempre para frente. Uma coisa bem estranha, ele não estava mais enturmado e isso também era preocupante, porque estava sempre sozinho.
— O que está fazendo? — Abby inquire baixo e áspero me cutucando e eu me ajeito na cadeira desviando os meus olhos para ela.
— Nada! — resmungo no mesmo tom me sentindo incomodada.
— Você estava olhando para ele, Melissa!
— Não, eu não estava! — Quanta maturidade hein, Dona Melissa Jones! Ralho comigo mesma e bufo baixinho.
— É claro que estava! — Reviro os olhos.
— A aula! — advirto-a e me forço a me concentrar.
Do que adianta não olhar se ele simplesmente não sai da minha cabeça? E a coisa só piora quando volto para o meu dormitório e fito a minha cama, ou o meu sofá da sala e até o balcão da minha cozinha. Ele contaminou tudo aqui dentro e não tem um cômodo que eu não me depare com as imagens de nós dois. Como você é estúpida, Melissa! Como pode se deixar levar por algo que claramente não tinha futuro? Era só a porra de um acordo entre estudantes, mas você se permitiu atravessar a maldita linha tênue. Quem em sã consciência atravessa a linha tênue? Ela é um limite muito, muito importante e deve haver um motivo para não se atravessar, certo? No entanto, ele não atravessou, você fez isso sozinha porque para ele tudo não passou de puro sexo e de favores trocados. Na lanchonete os meus amigos e eu nos acomodamos na mesa de sempre, mas não foi uma boa ideia, porque de onde estou posso ver todos olhando para o nosso canto e eles cochicham de vez em quando. Entretanto, não é isso que está me incomodando e sim, o fato de ter uma visão clara de um Aiden sisudo e completamente solitário. Suspiro baixinho. Eu preciso desligar esse botão que está sempre preocupado com ele. E eu? Quem cuida de mim? De repente o meu coração dispara enlouquecido quando ele se levanta da cadeira e caminha na nossa direção. Eu aperto o tampo da mesa com força e prendo a respiração quando o vejo se aproximar cada vez mais. Então eu penso, será que ele caiu na real e vem me pedir desculpas? Eu espero que sim! Mas não, ele passou direto e é como se eu nem estivesse aqui, porque ele nem sequer me notou.
— Hora de ir. — Stan avisa ficando de pé e imediatamente nos levantamos. Do lado de fora uma aglomeração de alunos nitidamente interessados em algo começa a se juntar, mas decido não especular o que quer que seja e ir para a sala de aula. Até alguém gritar: é o Jack Alle.
É claro que o meu pobre e ferido coração acelerou, porque eu sabia exatamente o porquê de ele estar ali naquele momento. Contudo, Abby não me permitiu ir até lá e as palavras que ela usou para me convencer disso foram: não é mais da sua conta, Melissa! E ela estava certa. Eu precisava olhar para mim agora, tomar conta de mim e principalmente esquecê-lo. Horas mais tarde entro no dormitório fitando as suas paredes com desânimo. Alguém pode me dizer como eu faço isso? Rosno mentalmente quando as lembranças me invadem.