Capítulo 19

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Aiden

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Aiden

É possível mensurar a raivo que guardo dentro de mim. Ela é maior do que o meu ego, bem maior do que todos os meus sonhos e principalmente, é maior do que eu. Contudo, eu tenho um pensamento comigo. Não sou a causa do seu fracasso, porém, me sinto tão fracassado quanto ele. Esvazio mais uma garrafa de cerveja e a largo de qualquer jeito no chão. A meu ver eu só tenho duas saídas para sair de vez dessa merda. Uma, tem um pacotinho de pó por onde posso viajar e me esquecer dos últimos episódios da minha vida e dois, dá cabo dela, mas sou covarde demais para fazer qualquer um dos dois. Embora não pareça tia Lina teve todo o cuidado de me proteger das drogas e ela sempre me mostrou o lado bom da vida, mas eu nunca vi esse lado de fato, apenas fingia ver para agradá-la. Respiro fundo e abro outra garrafa, bebendo a metade dela em seguida. Somente uma pessoa foi capaz me fazer sentir bem comigo mesmo e ela mora a algumas quadras daqui. Entretanto, Melissa Jones deve ser intocável para mim. Nesse caso eu só tenho uma alternativa, a destruição. Portanto, pego a marreta, seguro firme no seu cabo de madeira, esvazio a garrafa, jogo-a fora e mando ver.

— Dizem que quando quebramos coisas colocamos a nossa raiva para fora em cada pancada.

— Quem disse isso?

— Sei lá! Eu devo ter visto em algum filme por aí.

— Você quer tentar?

As suas palavras de saberia invadem os meus ouvidos e com um rugido alto, e forte ergo o objeto pesado e começo a bater com toda a força que a minha raiva exige.

— Eu era um jovem cheio de objetivos e de planos para o meu futuro.

— Eu tinha uma carreira militar pela frente,

— Mas a sua mãe resolveu engravidar.

— AAAAAAAH, FILHO DA PUTAAAA! — berro feito um louco.

— Ela se foi, Aiden! Eu sinto muito, querido!

As minhas forças se acabam e desisto de lutar.

***

— Ei! Ei, garoto? — Uma voz masculina firme e rude me faz abrir os olhos e percebo que o dia já amanheceu. Droga, eu dormi no prédio abandonado! — Você não pode ficar aqui não? Como conseguiu entrar nesse lugar? Sabia que esse é um perímetro privado? — Solto um fungado e me forço a levantar do chão sujo te tentando me situar. — Vai embora daqui antes que eu chame a polícia! — Ele resmunga irritado e eu olho para a minha bagunça. Várias garrafas vazias, drogas em cima de um pedaço de parede e pedaços de tijolos por todos os lados. Resolvo não contestar o homem irritante e com um fungado pego a minha mochila, ajeito em minhas costas e vou em silêncio para a saída. — Bando de drogados, desocupados! — Ele retruca atrás de mim.

Do lado de fora eu monto na moto e piloto como um maluco pelo asfalto que agora está quase vazio e minutos depois me pego estacionando próximo do dormitório de Melissa. Puxo a respiração quando a vejo sair de dentro de um carro acompanhada de um casal que imagino ser os seus pais. O que você veio fazer aqui, seu idiota? E toda aquela história de deixá-la em paz? Cobro mentalmente, levando as mãos aos cabeços e me sinto tentado a ir até ela assim que eles saem. Mas, não vou. Entretanto, não ouso ir embora e fico um longo tempo apenas observando o movimento do seu quarto através da janela. Já está escuro quando vou para casa, encontrando-se vazia. Tomo um banho frio e demorado, e me tranco dentro do meu quarto ligando o som bem alto. Eu preciso calar os meus pensamentos, mas também preciso ficar sozinho. Os dias seguintes foram uma grande merda. Contudo, consegui finalmente afastá-la de mim. Eu estava livre para me afundar sozinho e se me machucar não tem problema, eu já estou acostumado com isso. Contudo, não foi fácil assisti-la de longe. Melissa parecia bem com o nosso término e isso deveria ser perfeito para mim, mas por algum motivo está me machucando. Sempre que a vejo sorri para alguém, ou conversando animadamente me pego sorrindo e cada vez tenho a certeza de que fiz o certo ao afastá-la. Entretanto, a droga do destino quis me contrariar e um debate nos colocará frente a frente em alguns dias.

O AcordoOnde histórias criam vida. Descubra agora