A música pulsava alto dentro da casa, mas minha mente estava longe. Aqueles olhos. Aquele sorriso torto. Aquele maldito rosto que eu passei meses tentando esquecer. Charles.
— Calma, S/N. — Mia segurava meu braço, tentando me acalmar. — Ele deve nem ter te visto. Deve ser só coincidência ele estar aqui. Não estraga sua noite por causa dele, amiga.
Eu engoli seco, sentindo o coração preso na garganta. Cada célula do meu corpo gritava por distância. Mas ele tinha me visto. Eu sabia. O olhar dele atravessou o salão até mim como um corte de faca.
— Eu preciso de um tempo. Preciso de ar. — sussurrei, saindo pela porta dos fundos com as pernas bambas.
Do lado de fora, o ar da noite estava frio, mas não o suficiente para apagar o incêndio de pânico dentro de mim. Me encostei na cerca do jardim, tentando respirar.
Mas então, a voz.
— Oi, meu amor. Quanto tempo, hein?
Gelei.
Me virei devagar e lá estava ele. Charles. Mais magro. Os olhos ainda mais fundos. Mas o mesmo olhar doentio.
— Vai embora, Charles. Me deixa em paz. Já acabou. Você não tem nada pra fazer aqui.
Ele riu. Aquele riso sem vida.
— Você sabe que isso só acaba quando eu disser que acabou, né? — Ele se aproximou devagar. — Você achou que podia me denunciar, me envergonhar, me fazer sumir do mapa?
— Eu te denunciei porque você me quebrou. Você destruiu quem eu era. E eu não vou permitir que você faça isso de novo. Agora, me deixa em paz!
Ele parou na minha frente, perto demais. O cheiro da ameaça se espalhava no ar.
— Eu fiquei pensando em você todos os dias na cadeia. Em como seria te reencontrar. — Ele levou a mão até o meu pescoço, como fazia antes. — E agora que você está aqui... parece destino.
— NÃO ENCOSTA EM MIM! — gritei, tentando afastá-lo.
Mas ele me prensou contra a cerca, os dedos fechando-se em volta do meu pescoço.
— Você é MINHA. Sempre foi. Sempre será.
— Solta ela. Agora. — A voz grave cortou o ar como uma lâmina.
Tom.
Eu nem o vi chegar, mas de repente ele estava ali, caminhando rápido e furioso. Antes que Charles pudesse reagir, Tom o empurrou com força para longe de mim.
— Se encostar nela de novo, você não sai daqui inteiro. Entendeu?
Charles cambaleou, olhou de Tom pra mim e depois sumiu pela rua escura, resmungando algo incompreensível.
Eu desabei.
Tom me abraçou sem pensar duas vezes. Meus braços foram automaticamente para ele, como se aquele fosse o único lugar seguro do mundo.
— Você tá bem? — ele murmurou contra o meu cabelo, me mantendo firme nos braços.
— Eu... agora tô.
— Vem. Vamos sair daqui.
⸻
Mais tarde, em uma lanchonete 24h...
Sentei em uma das mesas perto da janela enquanto Tom pedia algo pra gente. A adrenalina ainda não tinha passado. Eu me sentia como um fio desencapado, tremendo por dentro.
Ele voltou com dois hambúrgueres e refrigerante. Mas antes mesmo de comer, pegou minha mão.
— Agora você pode me contar. Quem era aquele cara?
Respirei fundo. Não queria, mas precisava.
— Charles era meu ex. Fiquei com ele por um ano. No começo era perfeito. Mas... logo ele se revelou alguém completamente diferente. Controlador, ciumento, possessivo. Se eu me vestisse como gostava, ele surtava. Se eu discordasse dele, ele gritava. Se eu respondia alguém no celular, ele me batia.
Tom fechou os olhos, contendo a raiva.
— Por que ele não tá preso?
— Eu denunciei. Ele foi condenado. Ficou preso quase um ano. Saiu recentemente. Eu achava que nunca mais veria ele. — minha voz falhou. — Mas ele apareceu. E hoje...
— Ei. — Tom apertou minha mão com mais força. — Você tá segura agora. Comigo. Ninguém vai mais te tocar.
Eu o olhei, sentindo uma onda de calor invadir meu peito.
— Eu... depois disso, fui procurar você. Mas vi você beijando outra garota na festa. Fiquei... não sei, com ciúmes. Ridículo, né?
Ele deu um sorriso de lado.
— Você tá com ciúmes?
— Claro que não. — desviei o olhar.
— Você tá sim. E eu gostei. — ele deu uma risada baixa e levou a mão até minha coxa, apertando de leve.
— Tom... você beijou outra e agora tá aqui segurando minha perna?
— Eu beijei, sim. Mas porque eu não sabia que você tava me procurando. E agora que eu sei... bom, as coisas mudaram.
Ele se aproximou, os olhos nos meus, e antes que eu pudesse responder, Tom me beijou.
Dessa vez foi diferente. Calmo. Profundo. Cheio de significado. Como se ele quisesse me mostrar que não era apenas desejo — era cuidado. Era interesse real.
⸻
Na casa de Tom...
A mansão era elegante, mas tinha um ar aconchegante. Tom me mostrou o quarto de hóspedes, mas antes que eu entrasse, ele segurou minha mão.
— Se quiser... pode dormir no meu quarto. Comigo. Não pra fazer nada, só... se quiser companhia.
Assenti em silêncio.
Depois do banho, com um pijama leve, entrei no quarto e o vi deitado de lado, me esperando. Deitei e ele me puxou de leve pela cintura.
— Tá tudo bem agora, gata. Eu prometo.
Fechei os olhos com a cabeça em seu peito. O mundo podia explodir lá fora. Ali, naquele momento, eu estava segura.
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Dia seguinte...
Acordei com o som frenético do celular. Mensagens. Chamadas perdidas. E fotos.
Meu coração quase parou.
"Tom Kaulitz aparece de mãos dadas com fã misteriosa"
"Novo affair? Tom e garota são flagrados aos beijos após show da banda."
"Quem é a loira com Tom Kaulitz?"
Olhei para ele, que ainda dormia ao meu lado, sem saber como contar.
— Tom??? — minha voz saiu tremendo.
Ele abriu os olhos devagar, vendo minha expressão.
— Que foi, gata?
Mostrei a tela do celular.
— A gente foi fotografado...
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🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitz
FanfictionS/N, uma garota de 16 anos apaixonada por música, leva uma vida simples, mas cheia de sonhos. Fã incondicional da banda Tokio Hotel, ela se inspira no som, na atitude e principalmente no guitarrista Tom Kaulitz, por quem nutre um amor platônico prof...
