Dois dias haviam se passado desde o evento beneficente. Já estávamos de volta em casa, e, como previsto, os boatos não demoraram a circular.
Mas o que me atingiu como um soco no estômago foi ver o nome da Heidi estampado nos portais de notícias — acompanhada da minha imagem, da imagem da minha família.
— "Heidi Klum revela possível reconexão com Tom Kaulitz."
Assisti o vídeo. Vi a entonação falsa, as palavras bem colocadas, o sorriso ensaiado. Ela dizia que ela e Tom estavam se reaproximando, que ele vinha "confundindo sentimentos", que ele sempre foi presente... Eu ri. Um riso amargo.
Mentiras. Todas elas.
Tom jamais ficaria sozinho com ela. Nunca houve espaço para isso entre nós. Mas saber que o mundo estava comprando aquela narrativa — isso me corroía por dentro.
Naquele dia, eu precisava trabalhar. Os meninos foram para o colégio, Tom ficou em casa para cuidar das coisas com Bill. E eu? Eu seguiria minha agenda, mesmo com o estômago revirado.
Meu dia seria longo, eu estaria no estúdio — orientando modelos jovens que estavam começando agora. Queria dar o meu melhor para elas.
Assim que cheguei no local, fui recebida com sorrisos. Cumprimentei uma a uma com um abraço leve e profissional. O diretor do projeto se aproximou.
— Essas são suas modelos hoje, Sra. Kaulitz. Qualquer necessidade, só me acione. Vamos iniciar com algumas sessões de fotos.
— Obrigada. As fotos vão sair impecáveis.
Sorri e fui até as meninas.
— Oi, meninas. Sou S/N Kaulitz e vou ser responsável por vocês durante esse processo. Qualquer dúvida, estou aqui.
Uma das meninas sorriu, mas logo outra retrucou, meio ríspida.
— Acho que nem precisava se apresentar, né? Quem não conhece você?
— Cala a boca, ela foi educada. Você conhece ela pelas redes. Eu tô vendo ela de verdade aqui.
— Aí começou a chatice...
— Ei! Basta. — interrompi, séria. — Isso aqui é um ambiente de trabalho, respeito vem antes de qualquer coisa.
Elas se calaram. Uma delas, mais doce, sorriu.
— Desculpa, Sra. Kaulitz. Estou animada pra começar.
Sorri de volta. Estava pronta para seguir, quando notei um homem se aproximando. Alto, elegante, o tipo que carrega uma presença silenciosa — mas ameaçadora. Seu nome ecoava em programas de fofoca e política. Klaus Martin.
Ele estendeu a mão, beijando-a sem pedir. Não sorri. Apenas o encarei.
— Não achei que te encontraria aqui, Sra. Kaulitz.
— Eu te conheço?
— Ainda não. Mas sou Klaus Martin. Provavelmente já ouviu meu nome.
— Algumas vezes. Mas não presto atenção em tudo. — disse com frieza. — O que faz aqui?
— Digamos que é... confidencial. Mas vim acompanhar minha filha. Ela vai participar da sessão de fotos. — ele disse, acendendo um cigarro com elegância ensaiada.
— Certo. Bom dia, então.
— Ah, e sou amigo da Heidi Klum. Imagino que você a conheça bem... — ele acrescentou com um olhar que me atravessou como gelo.
Meu olhar endureceu.
— Sim, conheço. E por isso mesmo, sei bem o tipo de pessoas que andam com ela.
Me afastei. Ele sorriu de lado, como quem planta dúvidas.
Foquei nas meninas. As fotos saíram belíssimas. Ajudei nas poses, incentivei sorrisos verdadeiros. Mas Klaus não saiu da minha cabeça.
Na hora do almoço, fui a um restaurante próximo. Sentia o peso do dia. Estava distraída, até que a porta se abriu — e ali estava Tom.
Ele sorriu ao me ver, veio até mim e me envolveu em um abraço caloroso. Seus lábios tocaram os meus com carinho. Por alguns segundos, tudo pareceu bem.
Mas minha atenção foi atraída para uma mesa próxima. Klaus estava ali, com a filha. Seus olhos... em mim.
— Você tá bem, amor? — Tom perguntou, percebendo meu desconforto.
— Tô sim, amor. Relaxa.
— Como foi com as meninas hoje?
— Bem. Mas apareceu um homem estranho. Disse que é amigo da Heidi. Fiquei desconfortável.
— Amor... provavelmente é só mais um ficante dela. Não dá bola pra isso.
— Se é ficante, por que ela continua me atacando e falando de você como se vocês ainda tivessem algo?
Tom suspirou e olhou nos meus olhos, mais firme.
— S/N... isso já passou dos limites. Você sabe da verdade. E se continuar dando espaço pra isso, ela vence. Confia em mim.
Não respondi. Perdi o apetite. Fiquei em silêncio pelo resto do almoço. Minhas emoções estavam em conflito — entre a confiança que tinha em Tom, e os alertas que meu instinto gritava.
Voltei pra casa mais cedo, alegando cansaço ao diretor. Só queria silêncio.
⸻
À noite, o ambiente em casa estava calmo. As crianças dormiam. Tom estava na cozinha, bebendo uma taça de vinho, distraído. Eu, no quarto, olhando pela janela... quando notei.
Um carro preto. Parado em frente à nossa casa. Sem ninguém saindo. Sem movimento. Parado há tempo demais.
Meu coração acelerou.
Desci as escadas às pressas, ativando o alarme da casa. Fui até Tom.
— Tem um carro parado bem em frente à nossa casa. E não é comum. Já passa das 23h.
Tom nem levantou o olhar do copo.
— As pessoas têm o direito de estacionar onde quiser, S/N. Vai começar com isso agora?
— Sério, Tom? Tem um estacionamento inteiro do outro lado. Isso tá estranho. E a hora?
Ele bufou.
— Você tá ficando paranóica.
— Ah é? Então ótimo. Vai dormir em outro quarto hoje, porque essa "paranóica" aqui não quer ninguém dividindo a cama com ela.
Virei as costas antes que ele respondesse. Tranquei a porta do quarto. Tom tentou falar algo, mas eu já não estava disposta a ouvir.
Naquela noite, dormi no quarto de hóspedes. Sozinha. Inquieta.
Com a sensação incômoda de que alguém está observando... esperando... ou provocando.
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🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitz
أدب الهواةS/N, uma garota de 16 anos apaixonada por música, leva uma vida simples, mas cheia de sonhos. Fã incondicional da banda Tokio Hotel, ela se inspira no som, na atitude e principalmente no guitarrista Tom Kaulitz, por quem nutre um amor platônico prof...
