047

1.9K 75 70
                                        

O relógio marcava o início da noite quando cada um foi para seu respectivo quarto. Tom, sempre cuidadoso, havia reservado dois quartos extras para Beck e Alice. Eu segurei sua mão e o puxei em direção ao banheiro, onde o vapor do banho já começava a preencher o ar com promessas silenciosas de mais uma noite inesquecível.

Tom me agarrou pela cintura com aquele sorriso torto que sempre me desmontava.

— Você vai estar perfeita como sempre, amor... como todas as noites em que eu tive a sorte de te olhar como minha. — ele disse, roçando os lábios no meu pescoço com um carinho que me fez arrepiar.

— Você sempre foi perfeito, Tom. Vamos, antes que o Bill nos mate por nos atrasar. — brinquei, sorrindo contra seu peito.

Tiramos nossas roupas, mas diferente de tantas vezes, hoje os toques foram leves, carinhosos, sem pressa, sem pressões — apenas duas almas se aquecendo uma na presença da outra. Conversamos sobre o evento, sobre Alice e Beck, sobre como era louco e bonito ver nossos filhos crescerem tão rápido. Rimos, trocamos olhares cúmplices e saímos do banho com a leveza de quem sabe o valor de uma parceria verdadeira.

No quarto, enquanto Tom se vestia, passei creme no corpo e comecei a me maquiar. Não era maquiadora profissional, mas cada pincelada trazia uma segurança que só a beleza sentida de dentro pra fora é capaz de refletir. Vesti meu vestido, ajeitei o decote e borrifei o perfume que Tom amava. Quando olhei para ele, parado diante do espelho vestindo aquele terno... meu coração acelerou.

— A única vez que te vi de terno foi no nosso casamento. — comentei, admirada.

— E eu usaria outras mil vezes se fosse pra casar com você em todas elas. — respondeu, me puxando pela cintura para um beijo suave que dizia mais do que mil promessas.

Batidas suaves na porta anunciaram nossos filhos. Quando abri, meu coração quase explodiu de orgulho.

Beck e Alice estavam simplesmente deslumbrantes.

Alice, num vestido delicado e elegante, exalava a pureza e força que só ela sabia misturar. A maquiagem leve realçava ainda mais sua beleza natural — e o toque do pai nisso era claro: ele sempre insistia que ela não precisava de mais nada para brilhar.

Beck, com o mesmo terno do pai, só que adaptado ao seu estilo, parecia um jovem príncipe prestes a conquistar o mundo.

— Meus nenéns... vocês estão a coisa mais linda desse mundo. — falei emocionada, engolindo o choro.

— Ah, mãe... você tá parecendo uma rainha, só faltou a coroa. — disse Beck, me arrancando uma gargalhada.

— A mamãe sempre foi uma rainha, né pai? — completou Alice, orgulhosa.

— E vocês são minha princesa e meu príncipe. — Tom respondeu, com a voz embargada de emoção.

Descemos juntos. Fãs do Tokio Hotel lotavam a entrada do hotel — alguém claramente havia vazado onde estávamos hospedados. Assim que vimos Bill, Georg e Gustav, caminhei até eles com um sorriso orgulhoso.

Eles estavam impecáveis.

Bill com sua extravagância elegante, Georg sóbrio e charmoso, e Gustav, mesmo sem um terno tão alinhado, tinha um ar sóbrio que sempre o destacava. Cumprimentei todos com carinho.

— Vocês estão maravilhosos. Mas estou de olho... hoje é minha vez de brilhar. — brinquei, e todos riram.

Seguimos para os carros. No local do evento, flashes nos cegavam, e Beck, um pouco desconfortável, segurou minha mão com força. Apertei a sua de volta com um sorriso tranquilizador. Entramos juntos, e em pouco tempo, os entrevistadores nos chamaram.

— Família Kaulitz, vocês estão incríveis! É a primeira vez dos pequenos em um evento como esse?

— Sim, — respondi com orgulho. — E quero que seja uma noite mágica pra eles. Eles merecem.

Enquanto nos afastávamos, ouvi a risada familiar e seca de Heidi Klum se aproximando. Me virei e dei de cara com ela, vestida como se fosse a atração principal da noite.

— Ah, você veio... com seus filhos e seu marido. — disse ela, cruzando os braços.

— Sim, todos juntos. Minha família completa. — respondi firme, com um sorriso educado, porém gélido.

— Eles são lindos, não parecem nada com você. A garotinha... fiquei encantada. Educada, fofa. Uma verdadeira boneca. — ela lançou, como quem queria me ferir com gentileza forçada.

— É, cada um vê o que quer ver. Mas ela tem tudo de mim — inclusive o brilho nos olhos quando sabe que está segura e amada. E sim, meu marido é maravilhoso, obrigada por notar. — mantive meu tom calmo, sem baixar o olhar.

— Eu os adotaria fácil, viu? O Tom também. Ele sempre foi bom demais pra ficar preso... — ela disse, com um sorriso venenoso.

— Você tá falando sério? — dei uma risada seca. — Escuta bem: se aproximar dos meus filhos e do meu marido é um erro que você não vai querer repetir. Entendeu?

Antes que ela respondesse, Tom surgiu atrás de mim e me envolveu pela cintura, selando nossos lábios com um beijo calmo e cheio de presença.

Ele passou o dedo pela minha bochecha, tirando um fio de cabelo que caía, e voltou a me beijar — dessa vez mais demorado, mais firme, mais apaixonado. Heidi se afastou visivelmente incomodada, engolindo a humilhação com o gosto amargo da derrota.

Tom me olhou nos olhos com carinho e sussurrou:

— Você é tudo que eu preciso. E ninguém vai tirar isso de mim.

Eu apenas sorri, sentindo o mundo parar por alguns segundos.

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora