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Dois meses haviam se passado desde a última consulta. A gravidez de S/N chegou ao nono mês, e o tempo parecia correr com a mesma velocidade que o coração dela ao imaginar sua filha, Alice, nos braços. Era uma manhã suave, o céu ainda pálido anunciava o despertar de um novo dia — o mais especial de todos.

S/N acordou com um leve desconforto. Levantou-se devagar, sentindo o peso da barriga e o calor do corpo pulsando com a vida que carregava. Caminhou até o banheiro, tirando sua camisola com cuidado, deixando que a água morna do chuveiro deslizasse sobre sua pele sensível, como um carinho que ela sabia que precisava. Seus pensamentos estavam em Tom — seu amor, seu porto seguro, seu tudo.

Após o banho, vestiu uma roupa confortável e desceu as escadas, encontrando os meninos sentados à mesa, cercados por risos e cheiros de café fresco e panquecas.

— Bom dia, meus lindos — disse com um sorriso caloroso, colocando as mãos na barriga.

— Bom dia, princesa — respondeu Bill com brilho nos olhos. — Como você tá se sentindo?

— Feliz... e ansiosa. Alice pode chegar a qualquer momento.

Gustav riu, pegando uma xícara. — Vai tá sorrindo assim até a primeira contração. Aí vai querer voltar pra barriga.

Todos riram. S/N sentou-se com eles, saboreando o momento de calma antes da tempestade doce do parto. Eles conversavam animadamente quando Tom desceu as escadas, ainda com os olhos meio sonolentos e o cabelo bagunçado. Mas mesmo assim, ele estava lindo.

— Bom dia, minha vida — ele disse, beijando sua testa e acariciando a barriga. — Como estão minhas meninas?

— A gente tá bem — ela respondeu sorrindo. — Vai querer café?

— Você não precisa, amor. Eu preparo.

— Deixa eu cuidar de você também, Tom.

E ela preparou as panquecas favoritas dele, com uma doçura que fazia o coração dele derreter. Quando voltou, entregou o prato e sentou-se ao seu lado. Ele a olhou de um jeito que dizia tudo. Pegou sua mão e beijou seus dedos com carinho.

— Eu te amo tanto... você é a mulher da minha vida — murmurou ele.

— E você é o homem da minha. Eu vou te amar até meu último suspiro.

O clima de amor foi interrompido por um suspiro baixo e úmido. S/N arregalou os olhos e olhou para as pernas. Estavam molhadas. O silêncio caiu sobre a mesa.

— A bolsa estourou... — ela disse, com a voz calma, mas os olhos arregalados.

— O quê?! — Bill se levantou num pulo. — Você tá sentindo dor?

— Ainda não, mas é melhor irmos agora.

Tom se moveu rápido. Com toda a delicadeza do mundo, ajudou S/N a andar até o carro. Gustav correu até o quarto e trouxe a bolsa da maternidade. O carro parecia voar enquanto Tom dirigia, uma mão firme no volante e a outra entrelaçada à dela.

No hospital, Tom foi autorizado a entrar na sala de parto. Estava nervoso, mas seus olhos não saíam dos dela. E era isso que S/N precisava. Ela apertava a mão dele com força, gritando, chorando, tremendo.

— Você consegue, meu amor — ele dizia. — Eu tô aqui. Por você. Pela nossa filha.

E então... o som mais lindo do mundo preencheu o ar. O choro de Alice.

Tom chorava. S/N também. A médica colocou a bebê no peito da mãe, e ali, pela primeira vez, a pequena Alice sentiu o mundo nos braços mais seguros que poderia ter.

— Ela é linda... — sussurrou Tom. — Bonita como a mãe.

— E forte como o pai — completou S/N, beijando a testa da filha.

Horas depois, já no quarto, os meninos entraram em silêncio, com os olhos brilhando ao ver a cena. Alice dormia num bercinho ao lado da cama.

— Parabéns, meus amores — disse Bill, abraçando S/N com emoção. — Ela é perfeita.

— Vocês foram incríveis — disse Georg. — E essa menina... ela vai ser muito mimada.

Gustav, sorrindo, segurou a mão de S/N. — Você foi guerreira, viu? Que orgulho da nossa mãezona.

O ambiente era de amor puro. De união verdadeira.

No dia seguinte, enquanto S/N amamentava Alice, Tom entrou no quarto com um sorriso carinhoso.

— Feliz aniversário, minha mulher incrível.

— É hoje... — ela sorriu, olhando a filha. — Meu maior presente nasceu ontem.

Tom se aproximou, beijando sua testa e acariciando o rosto dela.

— Tenho outro presente — ele disse, tirando do bolso uma pequena caixinha de veludo. — Eu sei que você já disse sim, mas quero renovar isso todos os anos. Você aceita continuar sendo minha esposa pro resto da vida?

Ela sorriu, com os olhos marejados.

— Sempre, Tom. Sempre.

Em casa, foram recebidos com festa. A mãe de S/N, Sofie, chorou ao ver Alice. Andreas, seu pai, entregou uma pulseira delicada com o nome da neta gravado. Todos celebravam... menos Ria.

Ela estava ali. Esfregando a presença onde não era bem-vinda. E quando se aproximou de Tom, sorrindo de um jeito venenoso, S/N respirou fundo, caminhou com firmeza.

— Amor, vem comigo — ela disse, firme.

— Já vai começar a controlar ele? — provocou Ria. — Que insegura...

— Querida — S/N respondeu, erguendo o queixo —, ele me escolheu. Me pediu em casamento. Fez uma filha comigo. E sabe por quê? Porque eu sou tudo que você não foi.

Ria ia retrucar, mas Tom puxou S/N, colocando o braço ao redor dela.

— Eu escolhi ela. A mulher da minha vida. E nada vai mudar isso.

A festa seguiu até Charles invadir a casa, gritando que Alice deveria ser filha dele. Tom e os meninos o tiraram dali, e quando a polícia chegou, ele foi levado algemado. S/N subiu correndo para o quarto, assustada e chorando.

Tom foi atrás, a abraçando com força.

— Eu tô aqui. Você não vai passar por nada sozinha.

— Ele vai tentar de novo... — ela murmurou, trêmula.

— Não vai. Eu juro por tudo. Eu vou proteger você e nossa filha com a minha vida.

A noite caiu, e enquanto Alice dormia tranquila no berço ao lado da cama, S/N e Tom estavam deitados, colados, sentindo o amor, a dor, a força de uma nova etapa.

Ela o olhou, tocando seu rosto.

— Eu ainda não acredito que tenho vocês dois.

— Eu ainda não acredito que alguém tão incrível me escolheu.

— Te escolhi pra sempre.

E ele a beijou com delicadeza, como se dissesse com a boca o que o coração gritava:

"Você é meu lar."

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora