S/N on
Acordei com o sol filtrando pela barraca. Passei a mão no rosto, ainda sentindo o vazio do lado ao qual me acostumei a ter Tom. Sorri sozinha, lembrando dele, da forma como me olhava, me abraçava... e do beijo antes de dormir.
Ouvi passos leves do lado de fora. Em segundos, Alice correu até mim, sorridente.
— Bom dia, mamãe!
— Bom dia, minha princesa! — disse, pegando-a no colo e enchendo seu rostinho de beijos.
— Ainda não tomei café...
— Então vamos resolver isso! Mas primeiro, banho, combinado?
— Tá bom! Você vem comigo, né?
— Claro que vou, meu amor.
Juntas, fomos até o banheiro improvisado. Dei banho nela com carinho, prendendo seus cabelinhos num coque leve, para não atrapalhar na brincadeira. Depois, troquei suas roupas, deixei-a confortável e a vi sair animada, reencontrando suas amigas.
Tomei meu banho em seguida, vesti um casaco e fui até o carro pegar o cesto com lanches que tinha preparado. Quando me aproximei das meninas, Alice veio correndo:
— Mamãe, tem suquinho?
— Tem sim, de caixinha. Pode ser?
— Pode!
Sorri, entregando o suco, mas logo uma voz irritante se aproximou pelas costas.
— Não pode dar suco de caixinha.
Era ela. Martha.
— Ah é? Por quê? A filha é minha, dou o que quiser pra ela.
— Eu sou responsável por esse acampamento. Se ela passar mal, vai cair tudo em cima de mim. Além disso, Alice é como uma filha pra mim...
Fechei a mão com força. A audácia dela me fazia perder o controle. Virei-me lentamente, parando bem próxima.
— Escuta bem, Martha. Fala de novo que a minha filha é sua. Fala. E aí você vai conhecer a verdadeira S/N.
Ela deu um sorriso cínico. Não respondi — só fui embora, respirando fundo e indo direto pra barraca. Meu celular vibrou. Era Tom.
— Bom dia, meu amor! Tá tudo bem? Você parece brava.
— Bom dia, Tom. Tá sim. Mas eu tô com raiva.
— O que aconteceu?
Expliquei. O comentário da professora, o "filha" dito como se Alice fosse dela.
— Ah, amor... Alice é fofa, todo mundo se apaixona por ela. Eu não vejo problema.
Aquilo me ferveu por dentro.
— Ah é? E se fosse um professor dizendo que ela é como filha pra ele, você ia achar normal? Tá, Tom... até depois.
Desliguei. Respirei fundo. Encostei na parede da barraca. Às vezes ele simplesmente não entendia...
Tom on
— Ela desligou na minha cara — disse, jogando o notebook no colchão. — Fiquei com raiva.
— O que aconteceu? — perguntou Bill.
— Eu disse que era normal gostarem da Alice... ela se irritou. Achou que eu tava desconsiderando o que sentia.
Bill olhou pra mim, sério.
— Tom, a S/N não é de brigar por pouca coisa. Essa mulher deve ter feito algo além disso. Ela sempre foi ciumenta, mas ela tem instinto de proteção com você e com Alice. Se ela surtou, tem motivo.
Gustav concordou.
— E hoje a gente volta. Quando chegarmos, conversa com calma com ela.
Horas depois
Chegamos em casa. S/N estava no sofá, com Alice dormindo junto ao puma. Ela nos olhou em silêncio. Passou direto por mim e foi abraçar Bill.
— Também senti saudades, princesa — ele disse, retribuindo.
Ela abraçou Gustav e Georg também.
— Eu também voltei, viu? — falei com ciúmes.
S/N me olhou, andou até mim e me abraçou forte. Eu a puxei pela cintura, beijando-a com carinho. Finalmente, aquele toque me devolveu a paz.
— Como foi o acampamento?
— Tirando a professora de Alice, foi maravilhoso. Ela dormiu agora com o puma. Mas sinceramente? Essa mulher passou dos limites.
Contei o que ela dizia — que eu não a merecia, que Alice devia ser filha dela, que eu devia ser dela.
Bill cruzou os braços.
— Falei que era mais do que ciúmes.
— Me perdoa — pedi, segurando seu rosto. — Você é tudo o que eu preciso, minha mulher perfeita. Nunca te trocaria.
— Sei disso. Mas se trocasse... não ia ver sua filha nunca mais.
Rimos juntos. Fomos para a cozinha com os meninos. Mas, enquanto conversávamos, vi S/N sair apressada. Corri atrás. Ela estava no banheiro, enjoada.
— Tá tudo bem? — perguntou Bill, preocupado.
— Eu... não sei. Tô achando que tô grávida.
— Sério?! — ele sorriu. — Você já falou com o Tom?
Tom ouviu ao fundo, vindo até nós.
— Quem não quer o quê? O que tá acontecendo?
— Eu... acho que tô grávida.
Ficamos em silêncio. Tom me encarou surpreso, depois se aproximou e me abraçou.
— Eu tô feliz. Muito. Outro neném? A família crescendo... isso me faz sentir ainda mais completo.
Os meninos vibraram. Gustav comentou sobre Lotte, e em segundos, Sophia apareceu com a pequena nos braços.
Alice acordou logo depois, pegando puma e vindo até Tom.
— Papai! Você voltou!
— Oi, minha princesa! Precisamos conversar...
— Fiz algo errado?
— Claro que não! Mas... o que você acharia de ter um irmãozinho?
Os olhos dela brilharam.
— Sério?! Eu desejei isso quando vi uma estrela cadente! Vai chegar agora?
Rimos.
— Demora um pouco, amor... uns nove meses.
— Tudo bem. Vou juntar dinheiro pra comprar presente pra ele!
Chorei por dentro de tanto orgulho.
Mais tarde
Fomos à lanchonete. Alice, animada, pediu hambúrguer. Quando notou um senhor sem dinheiro, ela fez algo que nos desmontou: usou sua própria mesada para comprar dois lanches e um refrigerante pro homem.
— Vai ficar tudo bem — ela disse, abraçando-o. — Eu sou pequena, mas posso ajudar também.
Fotógrafos e pessoas gravavam, emocionadas. Voltamos para dentro, e ela só sorriu, como se nada tivesse acontecido.
— Meu amor — disse, segurando sua mão. — Estou tão orgulhosa de você...
— Eu já ganhei meu presente, mamãe. O irmãozinho que pedi.
Mais tarde, em casa
Alice se trocou, pegou seu cobertor, subiu puma no sofá e ligou Lilo e Stitch.
S/N e eu nos trocamos e deitamos com ela. Vi o jeito dela gargalhar, depois se aconchegar em silêncio. Nós dois adormecemos no sofá, abraçados.
Alice nos cobriu durante a madrugada, beijou nossas testas e voltou a dormir no canto dela, com um coração tão grande que dava gosto ver.
A nossa família só crescia. No amor. Na generosidade. E agora... em número também.
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🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitz
FanfictionS/N, uma garota de 16 anos apaixonada por música, leva uma vida simples, mas cheia de sonhos. Fã incondicional da banda Tokio Hotel, ela se inspira no som, na atitude e principalmente no guitarrista Tom Kaulitz, por quem nutre um amor platônico prof...
