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Tom separou lentamente seus lábios dos meus, com aquele sorriso torto que sempre denunciava que ele estava completamente entregue a mim. Passou o polegar pelos meus lábios e murmurou baixinho, como se o mundo ao redor não existisse:

— Você sabe que é a mulher mais linda desse lugar, né?

Não tive nem tempo de responder. Alice surgiu animada, quase pulando de empolgação.

— Pai, vem ver isso! Tem uma fonte de chocolate com morangos!

Tom riu e olhou pra mim com aquele olhar cúmplice de pai bobo.

— Vou ali rapidinho com ela, tá?

— Vai lá, amor. Aproveita com ela. — disse, sorrindo, observando os dois se afastarem de mãos dadas, como se o mundo inteiro estivesse em paz.

Logo Bill, Georg e Gustav se aproximaram. Bill, sempre curioso, foi direto ao ponto:

— O que rolou com aquela loira metida? Te vi com uma cara nada boa...

Suspirei, tentando não transparecer o incômodo.

— Ela teve a ousadia de dizer que "adotaria" meus filhos... e que vai fazer de tudo pra tirar eles de mim. Inclusive o Tom.

Georg fechou a expressão.

— Você sabe que isso não vai acontecer. O Tom é louco por você. E os filhos de vocês te amam. Ninguém tira o que é verdadeiro.

— Eu sei... Mas às vezes o medo bate. Eles são meu mundo.

Gustav, mais reservado, falou firme:

— Ela está tentando desestabilizar você. E fracassando. Ela tem inveja, tá vendo você vivendo o que ela perdeu por não saber valorizar. E o Tom... bom, o Tom te defende até dormindo.

Bill então se aproximou e, como um irmão mais velho, me deu um beijo na testa, me entregando uma taça de champanhe.

— Bora aproveitar, gata. Você é a estrela desse evento. Se eu fosse ela, também morreria de inveja.

— Obrigada, Bill. De verdade.

Rimos juntos e seguimos andando pelo salão. O evento era beneficente, e o clima era leve, humano, cheio de propósito. Os temas eram emocionantes: doações para hospitais, abrigos de animais, asilos... Senti o coração aquecido.

Olhei ao redor e vi Beck e Alice interagindo com outras crianças. Mesmo sem dominarem o português, conseguiram se conectar. Alguns pequenos sabiam inglês, e as barreiras sumiam em segundos. Um orgulho. Estavam sendo criados com o coração no lugar certo.

Dancei com os meninos, com meus filhos, e em um dos momentos em que estava sozinha observando tudo, um homem se aproximou.

— Me daria a honra de uma dança? — disse com aquele típico ar de superioridade mascarada por gentileza.

— Agradeço, mas sou casada. — respondi cordial, sem espaço pra interpretações.

— Ah, que isso... Um dança não mata ninguém. Seu marido nem vai se importar.

— Mesmo que ele não se importasse, eu me importo. E não dançaria com ninguém que não fosse ele. Respeito é básico. — falei firme, olhando diretamente em seus olhos.

Ele ficou sério, como se não estivesse acostumado a ouvir "não", e se afastou. Voltei para perto do Tom. Ele imediatamente envolveu minha cintura com uma das mãos e desceu a outra, apertando minha bunda discretamente. Sorri para ele, provocativa.

— Amanhã a gente volta pra casa. — ele murmurou no meu ouvido, com um tom de quem sentia saudade do nosso refúgio.

— Sério? Já tava na hora. Sentindo falta da nossa cama... e dos nossos momentos privados. — disse, rindo baixinho.

— Você é muito safada. — ele respondeu com aquele olhar que me fazia derreter inteira.

— Eu? Nunca. Você que vive me provocando. — brinquei, mordendo de leve o lábio inferior.

Ele riu e então ficou mais sério, como se preparasse terreno pra algo importante.

— Minha mãe me mandou uma mensagem. Disse que encontrou um condomínio fechado perfeito. Tem segurança, paz... tudo o que a gente precisa. Tava pensando em comprar uma casa lá. Acha que toparia?

Virei de frente pra ele, colocando as mãos em seus ombros.

— Por que não me contou antes? Claro que sim, amor. Se isso vai trazer mais conforto e segurança pra gente, vamos agora mesmo ver essa casa.

— Não vamos precisar mudar as crianças de escola, fica tudo perto. E chega de fãs acampadas na porta todo dia. — disse, rindo com leve alívio.

— Então vamos. Depois de amanhã, já podemos visitar o local.

Nesse momento, Bill se aproximou, ouvindo parte da conversa.

— O quê? Vocês vão se mudar pro condomínio novo? Gente, isso é tudo! Me avisem, eu quero mudar também.

Tom riu.

— Claro, Bill. Mas vamos olhar a casa primeiro. Depois disso, te conto tudo. Vai ser bom ter você por perto.

Continuamos conversando sobre a mudança, fazendo planos, dando risada... A noite foi leve, alegre e muito significativa. Doamos uma boa quantia para as instituições presentes e sentimos que estávamos realmente fazendo algo bom. Alice e Beck estavam radiantes — rindo, brincando, se conectando.

Quando o evento terminou, voltamos ao hotel. Alice já dormia nos braços de Tom, e Beck, como sempre, estava animado. Depois de deixarmos cada um em seu quarto, Tom voltou para o nosso. Encontrei-me no banheiro, terminando meu banho. Ele entrou logo depois e tomou comigo.

Ao sair, vesti apenas um robe. Tom me olhou com um desejo silencioso e disse:

— Você sabe que eu não aguento ver você pelada na minha frente...

Dei um sorriso provocante.

— E eu que não aguento ver você, amor. Você é uma delicinha de terno, mas sem roupa é meu colapso emocional.

Nos beijamos com calma, com paixão. Ele passou as mãos pelo meu corpo, mas em vez de seguir para algo mais quente, me puxou para deitar em seu peito. Fiquei ali, ouvindo seu coração. Ele acariciava meus cabelos, e assim, embalados um pelo outro, adormecemos.

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora