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O céu acinzentado da Alemanha mal conseguia esconder o brilho nos olhos de S/N enquanto o jato particular aterrissava. Um ano se passou desde que ela havia deixado tudo para trás — inclusive ele. Agora, o rosto dela estampava capas de revistas, suas músicas lideravam as paradas europeias e sua voz ecoava nos quatro cantos do mundo. Mas nada disso havia sido suficiente para calar aquele nome dentro dela: Tom.

— Filha... — a voz suave de Sofie a despertou dos pensamentos. — Já estamos em solo alemão.

S/N assentiu e olhou pela janela. Era como voltar ao epicentro de tudo o que a moldou — o amor, a dor, o recomeço.

— Tá na hora de se preparar — disse ela, levantando-se. — Tenho uma entrevista em algumas horas. Vai ser inevitável, não é? — perguntou à mãe, arrumando os cabelos loiros agora tingidos de um tom mais frio, com piercings nas orelhas que brilhavam sob a luz.

— Inevitável — respondeu Sofie, firme. — E necessário.

S/N respirou fundo. Havia prometido a si mesma que não deixaria as emoções dominarem. Ela era outra mulher agora. Mas será que conseguiria manter a armadura intacta ao revê-lo?

No aeroporto, uma multidão aguardava. Cartazes com seu nome, gritos, flores. Ela sorriu, distribuiu abraços, autógrafos... mas foi só ver Mia, sua melhor amiga, que deixou a fachada de lado e correu para um abraço de verdade.

— MEU DEUS, você tá maravilhosa! — Mia a apertou com força. — Modelo, cantora, dubladora... O que mais falta?

— Ficar em paz — respondeu S/N com um meio sorriso.

Minutos depois, já a caminho da entrevista, Mia comentou:

— Ah, ouvi dizer que o Tokio Hotel vai estar lá também.

O coração de S/N apertou. Era como se uma onda de eletricidade percorresse o corpo. Ela apenas assentiu em silêncio.

A entrevista era transmitida ao vivo. Tom estava sentado no sofá ao lado de Bill, Georg e Gustav. Quando a apresentadora anunciou a chegada de S/N, todos os olhares se voltaram para ela. Inclusive o dele.

Tom prendeu a respiração.

Ela estava irreconhecivelmente linda. Mais confiante. Mais mulher. Mas os olhos... aqueles olhos ainda eram os mesmos. E estavam carregados de dor, saudade e talvez... mágoa.

— Seja bem-vinda, S/N! — disse a entrevistadora. — Você está deslumbrante. Como foi essa reviravolta na sua vida?

— Foi necessária — respondeu S/N, com um sorriso controlado. — Às vezes a dor é o empurrão que a gente precisa pra voar.

O ambiente ficou tenso.

— E você deixou a Alemanha logo após um momento difícil... quer compartilhar o que aconteceu?

Ela olhou para Tom. Seus olhos se encontraram pela primeira vez. Um silêncio pesado caiu sobre o estúdio.

— Eu estava apaixonada — respondeu ela. — E ver a pessoa que eu amava... com outra, me destruiu.

A câmera cortou para Tom, visivelmente abalado.

— Tom... — a entrevistadora se virou para ele — Você quer dizer algo?

Tom respirou fundo.

— O que eu fiz com ela foi imperdoável. Eu não tive maturidade... e perdi a única mulher que realmente me fez sentir algo verdadeiro. Eu sinto a falta dela todos os dias. E nunca mais fui o mesmo.

S/N desviou o olhar, mas uma lágrima escapou.

Bill tomou a palavra:

— Eu nunca vi o Tom daquele jeito. Ele se trancou por meses, parou de sair, parou de sorrir. Isso nunca foi só uma ficada. Ele te amava, S/N. Ainda ama.

A entrevista terminou com os dois visivelmente mexidos. Assim que saíram do palco, Tom correu até ela.

— Espera... — disse ele, tocando seu braço. — Eu sei que te magoei, mas ainda há espaço pra mim?

Ela o encarou por longos segundos.

— Só se você me provar que mudou. Não com palavras. Com ações.

Tom assentiu.

— Comece indo comigo numa festa hoje. Nada de rótulos. Só... tenta me dar mais uma chance.

Ela hesitou. Depois assentiu com um leve sorriso.

— Ok. Mas não me decepcione, Tom.

Mais tarde, sozinha em casa, S/N se preparava para a tal festa. Ao descer as escadas, escutou batidas na porta. Abriu-a e se deparou com um homem alto, com traços familiares, porém desconhecidos.

— Você é a S/N? — perguntou ele, sério. — E sua mãe se chama Sofie?

— Sim... quem é você?

— Meu nome é Andreas. Eu... sou seu pai.

O mundo parou. Ela ficou em choque. A voz falhou.

— Minha mãe disse que você tinha nos abandonado. Por que agora?

— Porque eu vi você em uma entrevista. Eu percebi o quanto perdi. Eu sei que errei. Mas... quero tentar fazer parte da sua vida.

Sofie apareceu atrás da filha, parando de repente ao ver Andreas.

— Não acredito que você teve coragem de aparecer.

— Sofie... eu quero fazer as pazes.

S/N ergueu a mão.

— Você quer me conhecer agora que eu sou famosa? Agora que eu tenho algo a oferecer? Onde você estava quando eu chorava querendo um pai? Onde estava quando minha mãe se desdobrava pra me dar tudo?

Andreas engoliu em seco. Mas sua resposta foi ríspida:

— Eu sou seu pai. Mereço respeito.

— Não. Você é meu genitor. Pai é quem fica. E você não ficou.

Ele, irritado, deu um passo à frente. Antes que qualquer coisa acontecesse, Tom apareceu na porta.

— Tá tudo bem aqui?

Andreas olhou para ele.

— Você é o tal guitarrista? Acha mesmo que tem futuro com a minha filha?

— Com todo o respeito — disse Tom, sério —, você perdeu o direito de opinar na vida dela no momento em que virou as costas pra ela. Não vai levantar a voz aqui.

Andreas se exaltou e, numa atitude desesperada, ergueu a mão contra S/N. Antes que o tapa a atingisse, Tom o segurou com força.

— Encosta nela de novo e eu quebro a sua cara.

Sofie interveio, expulsando Andreas da casa. Tom abraçou S/N com força.

— Você tá segura agora, meu amor.

Ela desabou no peito dele, chorando em silêncio.

Mais tarde, quando estavam prestes a sair, S/N comentou:

— Eu não sabia que você vinha me buscar.

— Você é preciosa demais pra ir sozinha — respondeu Tom, sorrindo. — Mas... preciso te contar uma coisa.

— O quê?

— A festa de hoje... é da Ria.

S/N arregalou os olhos.

— Sua ex?

— Sim, mas a gente não sabia. Ela usou uma amiga pra convidar a galera.

S/N respirou fundo.

— Então vamos. Eu não fujo mais. Não tenho mais medo.

Tom sorriu, segurando a mão dela.

— Agora você tem a mim. E eu vou te proteger de tudo — prometeu ele, selando os lábios dela com um beijo leve, mas cheio de sentimento.

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora