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Muitas vezes acordei de madrugada com ruídos vindo do quintal. Sons baixos, como passos... talvez apenas minha imaginação. Preferi não investigar. Apenas me encolhia na cama, agarrada ao travesseiro, tentando ignorar a inquietação que crescia no peito.

Naquela manhã, o sol já atravessava as cortinas quando me levantei. Caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água morna escorrer pelo corpo, tentando lavar as preocupações junto com o cansaço.

Mas a sensação de estar sendo observada me atravessou — e quando olhei para a porta, lá estava ele.

Tom.

Encostado no batente, os braços cruzados e um sorriso de canto no rosto.

— Esqueceu que eu tenho uma chave extra do nosso quarto? — disse ele, com aquele tom provocativo.

— Esqueci. Mas, sinceramente? Não interessa agora. Posso terminar meu banho?

Ele assentiu com a cabeça, mas antes de sair, sua voz soou mais firme:

— Quero conversar com você quando terminar aí.

Fechei os olhos, respirando fundo. Sabia que essa conversa era inevitável. E que, no fundo, eu precisava mesmo dela.

Terminei meu banho, me sequei e vesti uma roupa leve. Ao sair do banheiro, encontrei Tom sentado na cama, os olhos me seguindo com atenção.

— Pode falar agora. — disse, cruzando os braços.

Ele se levantou devagar, como se pesasse as palavras antes de deixá-las sair.

— Quero saber o que tá acontecendo com você. Desde que voltamos do Brasil, você tá... distante. Triste. E eu sinto isso.

— A Heidi. — respondi direto. — Ela apareceu no estúdio... e disse que faria de tudo pra tirar você e as crianças de mim. Ontem, um homem apareceu por lá dizendo ser amigo dela. Você acha que eu tô exagerando, mas isso me dá medo, Tom. E quando tentei falar, você me chamou de paranoica. Sabe o quanto isso machuca?

O rosto dele perdeu o tom leve na mesma hora.

— Ela falou isso com você? Amor, por que não insistiu em me contar?

— Eu tentei. Mas você sempre minimiza, sempre acha que é coisa da minha cabeça.

Ele veio até mim, pegou minha mão e a beijou com carinho.

— Me perdoa. Eu errei. Você tá certa, a gente tem que se proteger, principalmente agora. Se precisar, contrato segurança, o que for necessário. Mas por favor, me avisa. Não guarda isso pra você.

Me joguei em seus braços e permaneci ali, apertada contra seu peito, deixando o calor dele acalmar a tempestade dentro de mim. O medo ainda estava ali, mas pelo menos... não estava mais sozinha nele.

Ficamos abraçados até ouvirmos passos apressados. Alice apareceu com um sorriso radiante no rosto, abraçando-me com força.

— Bom dia, mãe! Que tal irmos pro nosso iate hoje? Tá um sol incrível!

— Bom dia, meu amor. — sorri — Claro que vamos, vai chamar seu irmão e se arrumar.

A animação dela era contagiante. Troquei alguns selinhos com Tom antes de irmos arrumar as coisas.

Partimos logo depois e em poucos minutos estávamos no píer. Georg, Gustav, Bill e Lotte já nos esperavam. Cumprimentei todos com carinho e subimos a bordo.

Coloquei meu biquíni favorito, joguei uma saia branca por cima e prendi os cabelos. O sol batia na pele e os meninos brincavam perto da água, rindo alto. Tirei uma foto deles naquela alegria genuína — queria guardar aquele momento.

Tom se aproximou por trás, segurando minha cintura e beijando meu pescoço suavemente.

— Tão linda assim... vai me deixar maluco.

— Aqui, à luz do dia? — sorri, provocando.

Bill, como sempre, ouviu e não perdeu tempo:

— Ei, cuidado aí! Mais um neném pode vir desse jeito.

— Credo, Bill! — revirei os olhos, rindo. — Acho que não teremos outro bebê agora, não.

— Eu não acho uma má ideia... — Tom comentou, encostando a cabeça no meu ombro.

— Ah não, virou creche dos Kaulitz! — Georg brincou.

— Mais um só, vai. — disse Gustav. — Um pra fechar com chave de ouro.

— Gente, calma! — ri. — Nem sei se estamos prontos pra isso de novo.

— Relaxa amor — disse Tom. — Só estamos brincando... por enquanto.

Alice se aproximou animada.

— Vocês vão ter outro irmãozinho pra mim?! Sério?!

— Ainda não sabemos, querida. — respondi.

— Se tiver, vou amar! Mas, se não tiver, tudo bem também. Eu amo nossa família.

O coração quase escapou do peito de tanto orgulho. Tom abraçou a filha, e ali, por alguns segundos, tudo parecia perfeito.

Até que... o outro iate apareceu.

Vi de longe, reconheci na hora. Heidi. E Klaus.

Meu corpo enrijeceu. Olhei Tom, que parecia tranquilo demais, como se não visse ameaça alguma. Alice, inocente, acenou para Heidi — e eu, instintivamente, abaixei a mão dela com firmeza.

Eles atracaram perto e, sem cerimônia, subiram a bordo do nosso iate. Heidi veio com um sorriso cínico no rosto.

— Bom dia, querida. Vimos vocês e viemos dar um oi.

— Não precisa ser falsa, Heidi. Pode dar meia-volta e ir embora. Já deu o show por hoje.

— Mãe?! — Alice me olhou, surpresa com minha reação.

Tom interveio, calmo:

— Filha, só escuta sua mãe agora, por favor.

Heidi recuou, mas permaneceu com aquele sorriso debochado. Logo grudou em Bill, tentando fingir normalidade enquanto puxava assunto com ele.

Me sentei ao lado de Tom, que me abraçou protetoramente, como se dissesse sem palavras: "tô com você".

E naquele momento, tudo o que eu queria era proteger minha família — e minha paz.

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzHistórias para pegar e não largar. Descubra agora